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B1Grécia moderna · Compositor, tocador de bouzouki

Vassilis Tsitsanis

Βασίλης Τσιτσάνης

1915 – 1984 · Trikala; Salónica; Atenas

Vassilis Tsitsanis (Βασίλης Τσιτσάνης, 1915–1984) foi o compositor e tocador de bouzouki que transformou o rebetiko, a música do submundo dos portos, na canção popular de toda a Grécia. De Αρχόντισσα (Archontissa), em 1938, às centenas de canções que escreveu para Sotiria Bellou, Marika Ninou e Stelios Kazantzidis, as suas melodias são a banda sonora da Grécia do pós-guerra, e Συννεφιασμένη Κυριακή (Domingo nublado), escrita na Salónica ocupada, é muitas vezes chamada o segundo hino nacional do país.

A vida

Tsitsanis nasceu a 18 de janeiro de 1915 em Trikala, uma vila comercial na planície da Tessália. O pai, sapateiro oriundo do Epiro, tocava bandolim, e o rapaz aprendeu primeiro violino antes de pegar no bouzouki, então um instrumento dos pobres e da gente de má fama. Em 1936 foi para Atenas estudar Direito, mas em vez disso encontrou os estúdios de gravação: os primeiros discos saíram em 1937 e em dois anos já escrevia para os melhores cantores da época. Em 1938 foi chamado para o serviço militar em Salónica e ficou lá durante toda a ocupação alemã (1941–44), gerindo um pequeno ouzeri na rua Pavlou Mela, onde tocava à noite. A fome e o medo desses anos deram origem à sua canção mais famosa.

Em 1946 regressou a Atenas, e a década seguinte foi a sua idade de ouro. Com as cantoras Sotiria Bellou e Marika Ninou tocou noite após noite na casa de «Τζίμης ο Χοντρός» (Jimmy, o Gordo), e os discos que gravaram juntos, dezenas, fixaram o som da canção grega do pós-guerra: bouzouki, guitarra, duas vozes e letras sobre o amor, a pobreza e a noite. Mais tarde cantaram-no Stelios Kazantzidis, Prodromos Tsaousakis e muitos outros. De 1967 até aos últimos anos tocou na casa «Χάραμα», em Kaisariani, onde as pessoas faziam fila para o ouvir. Adoeceu em 1983, foi a Londres para uma operação aos pulmões e morreu lá a 18 de janeiro de 1984, no dia em que fazia sessenta e nove anos. O funeral em Atenas reuniu uma multidão enorme.

A obra

Antes de Tsitsanis, o rebetiko era a música dos antros de haxixe e dos bairros de refugiados, com letras sobre a prisão, a droga e as facas; Markos Vamvakaris era o seu mestre. Tsitsanis manteve o bouzouki e as danças, o ζεϊμπέκικο e o χασάπικο, mas mudou quase tudo o resto. As suas melodias iam buscar tanto às escalas maiores e menores ocidentais como aos modos orientais, as harmonias eram mais ricas, e as letras falavam de coisas que todos tinham vivido: um amor perdido, um bolso vazio, uma mãe à espera, um domingo cinzento. O resultado foi uma música que o país inteiro podia tomar como sua, e a palavra grega para ela passou de ρεμπέτικο a λαϊκό, canção popular.

Escreveu o seu primeiro grande êxito, Αρχόντισσα (Archontissa, «Nobre Senhora»), em 1938. Συννεφιασμένη Κυριακή (Domingo nublado) foi escrita em Salónica por volta de 1943 e gravada em 1948 com Prodromos Tsaousakis e Sotiria Bellou; um domingo tão cinzento como o coração do cantor tornou-se a canção que os gregos cantam quando estão longe de casa. Μπαξέ τσιφλίκι (Baxe Tsifliki, 1946) tem o nome de um bairro de Salónica e celebra as suas tabernas; Κάποια μάνα αναστενάζει (Uma mãe suspira, 1947) é o lamento de uma mãe por um filho ausente; Τα καβουράκια (Os caranguejinhos) é uma canção cómica sobre farristas alegres que voltam para casa de madrugada a andar de lado como caranguejos. Junte-se Ό,τι κι αν πω δεν σε ξεχνώ (Diga o que disser, não te esqueço), Της γερακίνας γιος (O filho da mulher-falcão), Νύχτες μαγικές (Noites mágicas) e várias centenas mais, e tem-se uma obra que todos os gregos conhecem pelo menos aos bocados, saibam ou não quem a escreveu.

O legado na Grécia de hoje

A maneira mais fácil de conhecer Tsitsanis é entrar em qualquer taberna grega com música ao vivo e esperar: dentro de uma hora alguém tocará Συννεφιασμένη Κυριακή e a sala inteira vai cantá-la. As gravações de Bellou, Ninou e Kazantzidis encontram-se facilmente, e o original de 1948 de Domingo nublado, com Tsaousakis e Bellou, é o melhor para começar. Em Trikala abriu em 2016 um museu dedicado a ele num banho otomano restaurado, há na cidade uma estátua dele com o seu bouzouki, e o aniversário do seu nascimento e da sua morte, 18 de janeiro, é ali assinalado todos os anos. Há ruas Τσιτσάνη por toda a Grécia. O filme de 2010 Ουζερί Τσιτσάνης, baseado no romance de Giorgos Skampardonis, conta os anos de Salónica. As suas canções continuam protegidas por direitos de autor, mas cantam-se em todo o lado.

Sabia que…?

  • Morreu a 18 de janeiro de 1984, exatamente sessenta e nove anos depois de ter nascido, a 18 de janeiro de 1915.
  • Foi para Atenas em 1936 estudar Direito e nunca terminou; o bouzouki, então considerado um instrumento da marginalidade, já rendia mais.
  • Domingo nublado foi escrita na Salónica ocupada por volta de 1943, mas só pôde ser gravada em 1948, depois da guerra.
  • Muitas das suas canções mais conhecidas foram cantadas primeiro por mulheres, Sotiria Bellou e Marika Ninou, numa época em que o mundo do rebetiko era quase inteiramente masculino.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
ΑρχόντισσαArchontissa (Nobre Senhora)1938
Μπαξέ τσιφλίκιBaxe Tsifliki1946
Κάποια μάνα αναστενάζειUma mãe suspira1947
Συννεφιασμένη ΚυριακήDomingo nublado (escrita c. 1943)1948
Τα καβουράκιαOs caranguejinhosc. 1950
Ό,τι κι αν πω δεν σε ξεχνώDiga o que disser, não te esqueçoc. 1950s

Uma frase para reter

Συννεφιασμένη Κυριακή, μοιάζεις με την καρδιά μου

Synnefiasmeni Kyriaki, moiazeis me tin kardia mou

Domingo nublado, pareces-te com o meu coração

Συννεφιασμένη Κυριακή (recorded 1948)
B1

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Palavras do texto

  • pai
  • escrevo
  • estudo (na universidade)
  • canção
  • conhecido
  • famoso
  • pobreza
  • noite

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