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Domna Samiou
Koula Giazitzoglou · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

B1Grécia moderna · Cantora popular, investigadora

Domna Samiou

Δόμνα Σαμίου

1928 – 2012 · Atenas

Domna Samiou (Δόμνα Σαμίου, 1928–2012) foi a voz do δημοτικό τραγούδι grego, a canção popular tradicional. Filha de refugiados da Ásia Menor, aprendeu com o musicólogo Simon Karas, viajou por aldeias de toda a Grécia para gravar velhos cantores para a rádio e depois cantou ela própria as canções. A associação que fundou em Atenas continua a guardar o seu arquivo e a ensinar as canções e as danças às novas gerações.

A vida

Samiou nasceu a 12 de outubro de 1928 em Kaisariani, Atenas, numa família pobre de refugiados gregos da Ásia Menor, que tinham vindo para a Grécia depois da catástrofe de 1922 e da troca de populações. Cresceu num bairro de refugiados, a ouvir as canções que a mãe e os vizinhos tinham trazido da outra margem do Egeu. Jovem, entrou no círculo de Simon Karas, o musicólogo dedicado ao canto bizantino e à música tradicional grega, e na sua associação aprendeu a cantar à maneira antiga, a ler música e a compreender os modos.

De 1954 a 1971 trabalhou para a rádio nacional grega (EIR), e o trabalho levava-a de aldeia em aldeia com um gravador. Gravou velhos e velhas a cantar as canções de casamentos, colheitas, lamentos e festas, canções que nunca tinham sido escritas e que estavam a desaparecer à medida que as aldeias se esvaziavam. O seu primeiro LP saiu em 1962 e, nos anos 1970, começou a dar concertos, primeiro em pequenas salas, depois em grandes concertos com músicos mais novos, e fez uma longa série de discos. Em 1981 fundou a Sociedade de Música Popular Grega Domna Samiou, «Καλλιτεχνικός Σύλλογος Δημοτικής Μουσικής Δόμνα Σαμίου», para publicar gravações e ensinar. Continuou a cantar, ensinar e viajar depois dos oitenta anos, e morreu em Atenas a 10 de março de 2012.

A obra

O trabalho de Samiou tinha duas metades que se alimentavam uma à outra. Como investigadora, recolhia: as suas gravações de campo, feitas nas montanhas do Epiro e da Macedónia, nas ilhas, na Trácia e entre as comunidades de refugiados da Ásia Menor e do Ponto, são um dos grandes arquivos sonoros da tradição grega. Anotava de onde vinha cada canção, quem a cantava e em que ocasião, numa época em que muita gente em Atenas achava a música das aldeias antiquada e um pouco embaraçosa.

Como cantora, devolvia as canções. Não as modernizava com orquestras e arranjos pop; cantava-as como as tinha ouvido, com os ornamentos, os ritmos livres e a voz simples e forte das aldeias, muitas vezes com instrumentos tradicionais como a λύρα, o κλαρίνο, o σαντούρι e o ούτι. Os seus discos abrangem regiões inteiras: canções da Ásia Menor, da Trácia, das ilhas, canções de Carnaval, de casamento, lamentos, canções infantis e κάλαντα (cânticos de Natal). Nos anos 1970, quando os jovens gregos procuravam raízes depois da ditadura, os seus concertos mostraram-lhes que o δημοτικό τραγούδι não era peça de museu mas música viva, e tornou-se mestra de muitos dos músicos tradicionais de hoje. Apresentou também programas na rádio e na televisão gregas, dando a conhecer as canções região a região a um vasto público.

O legado na Grécia de hoje

A Sociedade de Música Popular Grega Domna Samiou, em Atenas, continua ativa: guarda o seu arquivo, publica as suas gravações e desenvolve programas que levam a canção e a dança tradicionais às escolas e aos jovens músicos. Os seus discos são a primeira paragem para quem quer aprender a canção popular grega tal como era cantada, e muitos cantores tradicionais de hoje chamam-lhe mestra. Realizam-se regularmente festivais e concertos em sua memória. Uma boa ideia: procure as suas gravações de canções da Ásia Menor ou dos κάλαντα, os cânticos que as crianças cantam de porta em porta no Natal, no Ano Novo e na Epifania, e acompanhe a letra; as canções populares repetem os versos, o que as torna ideais para quem aprende.

Sabia que…?

  • Os pais eram refugiados da Ásia Menor, e as canções da pátria perdida foram a primeira música que ouviu.
  • Aprendeu o canto tradicional com Simon Karas, o musicólogo do canto bizantino.
  • Antes de ficar famosa como cantora, trabalhou para a rádio, a gravar em fita os cantores das aldeias.
  • A associação que fundou em 1981 ainda tem o seu nome.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Μαθήτρια του Σίμωνα ΚαράAluna e colaboradora de Simon Karas1940s–50s
Ηχογραφήσεις στα χωριά για το ραδιόφωνοGravações de campo nas aldeias para a rádio grega1954–1971
Πρώτος δίσκος: «Τραγούδια της στεριάς και της θάλασσας»Primeiro LP: Canções da Terra e do Mar1962
Καλλιτεχνικός Σύλλογος Δημοτικής Μουσικής «Δόμνα Σαμίου»Fundação da Sociedade de Música Popular Grega Domna Samiou1981

Uma frase para reter

Μήλο μου κόκκινο, ρόιδο βαμμένο, / γιατί με μαραζώνεις τον πικραμένο;

Milo mou kokkino, roido vammeno, / giati me marazoneis ton pikrameno?

Minha maçã vermelha, minha romã pintada, / porque me fazes definhar, a mim, pobre amargurado?

«Μήλο μου κόκκινο», traditional folk song of the kind Samiou collected and sang
B1

Ler sobre Domna Samiou em grego (B1)

Palavras do texto

  • o refugiado
  • a pátria
  • a rádio
  • o modo, a maneira
  • a aldeia
  • velho, antigo
  • o concerto
  • o trabalho, o emprego

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