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Manolis Glezos
DTRocks · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

B1Grécia moderna · Herói da Resistência, político

Manolis Glezos

Μανώλης Γλέζος

1922 – 2020 · Apíranthos, Naxos; Atenas

Manolis Glezos (Μανώλης Γλέζος, 1922–2020) tinha dezoito anos quando, na noite de 30 para 31 de maio de 1941, subiu à Acrópole com o amigo Apostolos Santas e arrancou a bandeira com a suástica que os alemães tinham hasteado sobre Atenas um mês antes. Foi um dos primeiros atos de resistência na Europa ocupada. Glezos conheceu depois a prisão, as condenações à morte e o desterro, e ainda era deputado ao Parlamento Europeu com mais de noventa anos.

A vida

Glezos nasceu a 9 de setembro de 1922 em Apíranthos, uma aldeia de montanha de casas de mármore em Naxos. Em 1935 a família mudou-se para Atenas, onde terminou a escola, trabalhou desde muito novo e se envolveu em grupos juvenis de esquerda que se opunham à ditadura de Metaxas e ao Eixo. Os alemães entraram em Atenas a 27 de abril de 1941 e hastearam a suástica na Acrópole.

Na noite de 30 para 31 de maio de 1941, Glezos e Apostolos (Lakis) Santas, um colega de estudos, subiram por uma fenda da rocha na encosta noroeste, chegaram ao mastro e baixaram a bandeira. Os ocupantes anunciaram condenações à morte para os culpados desconhecidos; os dois não foram identificados na altura. Glezos foi preso várias vezes durante a Ocupação, pelos alemães e pelos italianos, e foi torturado. O seu irmão Nikos foi executado pelos ocupantes em 1944.

Depois da guerra, Glezos, comunista, foi perseguido nos anos da Guerra Civil: foi condenado à morte mais de uma vez, e as sentenças não foram executadas após um protesto internacional. Em 1951 foi eleito deputado pelo partido EDA enquanto estava na prisão, e foi de novo eleito a partir da prisão em 1961. Preso outra vez sob a junta de 1967–1974, passou ao todo mais de onze anos na prisão e quatro anos e meio no desterro. Mais tarde foi deputado do PASOK nos anos 1980, deputado ao Parlamento Europeu em 1984 e de novo em 2014, presidente da comunidade da sua aldeia em Naxos e um incansável defensor das reparações de guerra alemãs. Morreu em Atenas a 30 de março de 2020, aos 97 anos.

A obra

A bandeira da Acrópole foi um pequeno gesto com um eco enorme. Nas primeiras semanas da Ocupação, quando a Grécia tinha sido invadida e grande parte da Europa parecia resignada, dois estudantes mostraram que a suástica sobre o Pártenon podia ser arrancada. A notícia espalhou-se por Atenas de boca em boca e depois pelo estrangeiro, e o gesto tornou-se um símbolo da resistência grega, celebrado todos os anos desde a guerra.

Para Glezos foi o início de uma vida política. Trabalhou na imprensa da Resistência, foi chefe de redação do jornal comunista Ριζοσπάστης (Rizospastis) em 1947, até o jornal ser encerrado no fim desse ano, e permaneceu na esquerda toda a vida, da EDA dos anos 1950 e 1960 ao PASOK dos anos 1980 e ao SYRIZA na década de 2010. Nunca foi um aliado cómodo: criticou abertamente os seus próprios partidos, incluindo o SYRIZA em 2015.

Tinha também um lado prático. Como presidente da comunidade de Apíranthos no final dos anos 1980 experimentou o autogoverno local e pequenas barragens e socalcos para reter a água da chuva no solo, uma causa que defendeu durante décadas. Escreveu livros sobre a história da Resistência e sobre a democracia direta. Poucos gregos levaram com gás lacrimogéneo numa manifestação aos 87 anos, como Glezos em Atenas em 2010; para muitos, essa imagem resumia um homem que nunca deixou de protestar.

O legado na Grécia de hoje

Suba à Acrópole e procure a placa que recorda a noite de 30 para 31 de maio de 1941; o aniversário é assinalado ali todos os anos. Em Naxos, Apíranthos é uma das aldeias mais bonitas das Cíclades e orgulha-se do seu filho, que foi presidente da comunidade em 1986–1990. Os manuais escolares de história gregos contam a história da bandeira, e gregos de todas as cores políticas respeitaram a sua coragem quando morreu em março de 2020, durante o primeiro confinamento da covid, o que significou um funeral pequeno para um homem que encheu praças toda a vida. A frase «κατέβασε τη σημαία από την Ακρόπολη» (arriou a bandeira da Acrópole) não precisa de explicação na Grécia.

Sabia que…?

  • Os dois não foram identificados como culpados durante a Ocupação; os alemães condenaram à morte à revelia os autores desconhecidos.
  • Foi eleito duas vezes para o Parlamento grego a partir da prisão, em 1951 e em 1961.
  • Foi deputado ao Parlamento Europeu aos 61 anos e de novo aos 91.
  • É muitas vezes chamado «ο πρώτος παρτιζάνος της Ευρώπης» (o primeiro partisano da Europa), título geralmente atribuído a Charles de Gaulle.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Το κατέβασμα της σημαίας από την ΑκρόποληA suástica arrancada da Acrópole1941
Αρχισυντάκτης του «Ριζοσπάστη»Chefe de redação do Rizospastis1947
Εκλογή στη Βουλή από τη φυλακήEleito deputado a partir da prisão1951
ΕυρωβουλευτήςDeputado ao Parlamento Europeu1984
Πρόεδρος της κοινότητας ΑπειράνθουPresidente da comunidade de Apíranthos1986–1990
Ευρωβουλευτής ξανά, στα 91De novo deputado ao Parlamento Europeu, aos 91 anos2014

Uma frase para reter

…ανάμεσα σε καταπιεστή και καταπιεζόμενο δεν μπορεί να υπάρξει συμβιβασμός

…anamesa se katapiesti kai katapiezomeno den borei na yparxei symvivasmos

…entre opressor e oprimido não pode haver compromisso

Article by Glezos written in Brussels, 22 February 2015 (published by in.gr and other Greek media)
B1

Ler sobre Manolis Glezos em grego (B1)

Palavras do texto

  • aldeia
  • bandeira
  • às escondidas
  • rochedo, rocha
  • prisão
  • exílio, desterro
  • deputado
  • coragem

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