A vida
Vassilikos nasceu a 18 de novembro de 1934 em Kavala, na Macedónia oriental, numa família com raízes na ilha de Tasos, e cresceu em Salónica. Estudou Direito na Universidade de Salónica, mas a literatura vinha primeiro: o seu primeiro livro, Η διήγηση του Ιάσονα (A Narrativa de Jasão), saiu em 1953, quando ainda era estudante. Estudou também realização televisiva na escola de arte dramática de Yale, nos Estados Unidos, e em 1961 a sua Τριλογία (Trilogia) tornou-o conhecido na Grécia.
Em maio de 1963, Grigoris Lambrakis, médico, atleta e ativista pela paz eleito deputado pela esquerda, foi derrubado numa rua de Salónica por homens num triciclo motorizado e morreu poucos dias depois. A investigação revelou ligações entre os assassinos, a polícia e o paraestado da direita. Vassilikos, que conhecia a cidade intimamente, transformou o caso no romance Ζ (1966).
Quando os coronéis tomaram o poder em abril de 1967, deixou a Grécia e passou sete anos no exílio, em Itália, França e Estados Unidos; os seus livros foram proibidos no seu país. Após o regresso da democracia continuou a viver sobretudo no estrangeiro até 1994, mas de 1981 a 1984 foi diretor-geral adjunto da televisão pública ERT, e de 1996 a 2004 representou a Grécia como embaixador junto da UNESCO em Paris. Escreveu até ao fim da sua longa vida e morreu a 30 de novembro de 2023, aos 89 anos.
A obra

Ζ (1966) conta a história de Lambrakis sem o nomear: a vítima é simplesmente «o Deputado», a cidade nunca é nomeada, mas todos os leitores gregos reconheceram Salónica. O romance avança como um thriller, pelos olhos de testemunhas, assassinos, polícias e jornalistas, e no seu centro está um jovem juiz de instrução que se recusa a enterrar a verdade. O título é uma única letra: depois do assassinato, as pessoas pintaram «Ζ» nas paredes da Grécia, abreviatura de «ζει», «ele vive». O romance foi traduzido em muitas línguas, e o filme de Costa-Gavras Z (1969), com Yves Montand, Irene Papas e Jean-Louis Trintignant, ganhou dois Óscares, de melhor filme estrangeiro e de montagem.
Antes de Z, Vassilikos era conhecido por uma escrita muito diferente. A sua Τριλογία (1961) reúne três novelas, Το φύλλο (A Planta), Το πηγάδι (O Poço) e Τ' αγγέλιασμα (O Anjo), histórias líricas, meio oníricas, sobre jovens, o crescimento e a solidão. Depois de Z escreveu dezenas de romances, contos, poemas, argumentos e crónicas de jornal, entre eles o satírico Γλαύκος Θρασάκης (Glafkos Thrassakis), a «biografia» de um escritor grego imaginário. A sua prosa é rápida, irónica e cheia de jornalismo e memória.
O legado na Grécia de hoje
A melhor porta de entrada para Vassilikos é o filme: veja Z de Costa-Gavras e depois leia os primeiros capítulos do romance em grego. Em Salónica, um monumento a Lambrakis ergue-se no centro da cidade, perto do local onde foi atacado, e a sua memória é mantida viva todos os meses de maio. A letra Ζ ainda aparece em paredes e cartazes gregos como sinal de protesto contra a violência política. Os livros de Vassilikos continuam a ser reeditados, e a sua morte em 2023 foi assinalada por homenagens em toda a imprensa grega. As páginas de cultura do site sobre Mikis Theodorakis, que compôs a música do filme, e sobre Antonis Samarakis, outro romancista do medo político, continuam a história.
Sabia que…?
- O título Ζ significa «ζει», «ele vive», o slogan pintado nas paredes depois da morte de Lambrakis.
- O romance nunca nomeia Lambrakis nem Salónica, e no entanto nenhum leitor grego duvidou de quem nem de onde.
- O filme Z, rodado na Argélia porque a Grécia estava sob a junta, ganhou o Óscar de melhor filme estrangeiro pela Argélia.
- Publicou o primeiro livro aos 19 anos e continuou a escrever durante setenta anos.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Η διήγηση του Ιάσονα | A Narrativa de Jasão | 1953 |
| Τριλογία: Το φύλλο, Το πηγάδι, Τ' αγγέλιασμα | Trilogia: A Planta, O Poço, O Anjo | 1961 |
| Ζ | Z | 1966 |
| Ζ (ταινία του Κώστα Γαβρά) | Z, filme de Costa-Gavras a partir do romance (dois Óscares) | 1969 |
Uma frase para reter
Ζ: Ζει!
Z: Zei!
Z: Ele vive!
























