A vida
Ilias Mellos, que escrevia como Venezis, nasceu a 4 de março de 1904 em Ayvalık, a que os gregos chamavam Αϊβαλί ou Κυδωνίες, uma próspera cidade do azeite e do sabão em frente à ilha de Lesbos. Cresceu entre a cidade e as terras dos avós nas colinas, a paisagem dos seus romances posteriores. Era uma cidade grande e quase inteiramente grega, com escolas, igrejas e um comércio animado com as ilhas.
Em setembro de 1922, quando o exército grego se desmoronava na Ásia Menor, o jovem de dezoito anos foi preso e enviado com milhares de outros homens gregos para os batalhões de trabalho (αμελέ ταμπουρού), obrigados a marchar e a trabalhar no interior em condições terríveis. A maioria dos seus companheiros morreu. Foi libertado após cerca de catorze meses e passou para Mitilene, onde a família tinha encontrado refúgio como refugiada.
Em Lesbos arranjou emprego num banco, e o romancista Stratis Myrivilis publicou no seu jornal o primeiro relato que escreveu sobre o cativeiro. Mais tarde mudou-se para Atenas, onde trabalhou muitos anos no Banco da Grécia enquanto escrevia romances, contos e artigos. Durante a ocupação alemã foi preso e detido durante algum tempo. Depois da guerra foi uma figura pública respeitada e, em 1957, foi eleito membro da Academia de Atenas. Morreu em Atenas a 3 de agosto de 1973.
A obra

Το νούμερο 31328 (Número 31328), publicado primeiro em folhetim em 1924 e em livro em 1931, tira o título do número atribuído ao jovem prisioneiro nos batalhões de trabalho. Em capítulos curtos e sóbrios descreve as marchas, a fome, os espancamentos, a morte dos amigos, mas também momentos de inesperada humanidade entre os guardas. Não se lê como um panfleto político, mas como o depoimento de uma testemunha, e continua a ser um dos livros mais poderosos sobre 1922.
Γαλήνη (Serenidade, 1939) acompanha um grupo de refugiados da Ásia Menor que tentam criar raízes na costa árida da Ática, perto de Anávissos, entre o mar e as pedras, com a saudade e o lento trabalho de uma vida nova. Αιολική γη (Terra Eólia, 1943), escrito durante a ocupação, regressa ao princípio: os verões de um rapaz nas terras do avô, no sopé da montanha de Kemer, entre pastores, animais, lendas e a primeira noção do amor e da morte, um paraíso visto com a consciência de que será destruído. É o seu livro mais amado e mais traduzido.
Entre as obras posteriores contam-se Έξοδος (Êxodo, 1950), passado durante a Segunda Guerra Mundial, e Ωκεανός (Oceano, 1956). O seu estilo é simples, lírico e humano; com Myrivilis e Dido Sotiriou deu voz à geração da Catástrofe.
O legado na Grécia de hoje
Os alunos gregos leem páginas de Αιολική γη e de Το νούμερο 31328 nas antologias escolares, e os livros continuam à venda em edições baratas, fáceis de experimentar para um aprendente de B1 ou B2. Da costa leste de Lesbos veem-se as colinas de Ayvalık do outro lado do estreito, e o ferry de Mitilene para Ayvalık é uma boa maneira de sentir aquilo de que falam os seus livros. Hoje a própria Ayvalık acolhe visitantes gregos que vêm ver as velhas casas e igrejas gregas de Kydonies, muitas vezes com Terra Eólia na mala.
Sabia que…?
- O seu verdadeiro apelido era Mellos; Venezis era uma alcunha de família que usou como pseudónimo.
- O título Número 31328 é o número que lhe foi dado como prisioneiro em 1922.
- Foi eleito para a Academia de Atenas em 1957.
- Stratis Myrivilis, outro grande romancista de Lesbos, foi o primeiro a publicar o seu relato do cativeiro, num jornal de Mitilene.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Το νούμερο 31328 | Número 31328 | 1931 |
| Γαλήνη | Serenidade | 1939 |
| Αιολική γη | Terra Eólia | 1943 |
| Έξοδος | Êxodo | 1950 |
| Ωκεανός | Oceano | 1956 |
Uma frase para reter
Το νούμερο 31328. Το βιβλίο της σκλαβιάς.
To noumero 31328. To vivlio tis sklavias.
Número 31328. O livro do cativeiro.
























