A vida
Xenopoulos nasceu em Constantinopla a 9 de dezembro de 1867, mas a família era de Zacinto (Zakynthos) e ele cresceu na ilha, cujos aristocratas, camponeses, dialeto e mexericos enchem os seus melhores livros. Em 1883 veio para Atenas estudar Física e Matemática na universidade; nunca acabou o curso, porque já tinha começado a escrever e a publicar. O seu primeiro romance, Ο άνθρωπος του κόσμου (O Homem do Mundo), saiu em 1888, quando tinha vinte anos, e a partir daí viveu da pena como jornalista, crítico, redator e romancista, escrevendo um folhetim para os jornais quase todos os anos da sua vida.
Em 1896 tornou-se redator-chefe de Η Διάπλασις των Παίδων (A Formação das Crianças), a revista infantil ilustrada fundada em 1879 por Nikolaos Papadopoulos, que dirigiu até 1948. Todas as semanas respondia às cartas dos leitores e escrevia uma «Carta ateniense» em tom de conversa, assinada Φαίδων e terminada com as palavras «Σας ασπάζομαι» (Abraço-vos); durante meio século, as crianças gregas, entre elas a maioria dos escritores das gerações seguintes, cresceram com ele. Em 1927 fundou a revista literária Νέα Εστία, que ainda hoje se publica.
Foi eleito para a Academia de Atenas em 1931 e, em 1934, tornou-se o primeiro presidente da Sociedade dos Escritores Gregos. Em 1903 fora o primeiro crítico ateniense a escrever sobre um poeta desconhecido de Alexandria, Constantino Cavafy (Kavafis). Publicou as suas memórias com o título Η ζωή μου σαν μυθιστόρημα (A Minha Vida como Romance) em 1938–39 e morreu em Atenas a 14 de janeiro de 1951.
A obra

Xenopoulos escreveu dois tipos de ficção. Os livros de Zacinto são os que perduram. Μαργαρίτα Στέφα (1893) foi o seu primeiro romance sobre a vida na ilha. Ο κόκκινος βράχος (O Rochedo Vermelho, 1905) é a história de amor de Fotini Santri, passada entre as famílias nobres da ilha e que termina na falésia vermelha sobre o mar que dá nome ao livro. Στέλλα Βιολάντη (Stella Violanti), escrito em 1901 e adaptado ao teatro em 1909, é a sua obra-prima em miniatura: Stella, filha de um rico comerciante de Zacinto, escreve uma carta de amor a um rapaz que o pai despreza; quando a carta se torna conhecida, o pai fecha-a numa arrecadação até que ela peça perdão, e ela prefere morrer a dizer que estava errada. A peça Ο Πόπολαρος (O Plebeu, 1933) põe um camponês de Zacinto frente à nobreza da ilha.
Os romances atenienses são panoramas sociais à maneira de Balzac e Zola, que lera com atenção. A trilogia Πλούσιοι και φτωχοί (Ricos e Pobres, 1919), Τίμιοι και άτιμοι (Honestos e Desonestos, 1921) e Τυχεροί και άτυχοι (Afortunados e Desafortunados, 1924) acompanha famílias que sobem e descem a escada social da Atenas do entreguerras. Para o palco escreveu Το μυστικό της Κοντέσσας Βαλέραινας (O Segredo da Condessa Valeraina, 1904), Ψυχοσάββατο (Sábado das Almas, 1911) e Φοιτηταί (Estudantes, 1919), e foi dos primeiros na Grécia a defender Ibsen. O seu grego é um demótico fluente e moderno, muito antes de o demótico se tornar língua oficial, o que é uma das razões por que se lê tão facilmente um século depois.
O legado na Grécia de hoje
Στέλλα Βιολάντη é lida no ensino secundário grego, e «Στέλλα Βιολάντη» tornou-se sinónimo de filha que desafia o pai; foi adaptada ao cinema e ao palco muitas vezes. A fórmula «Σας ασπάζομαι, Φαίδων» ainda faz sorrir os gregos mais velhos, e Η Διάπλασις των Παίδων é lembrada como a revista que formou leitores dos anos 1880 aos anos 1940, muitos dos quais lhe enviaram os primeiros versos. Na cidade de Zacinto, a sua casa na rua Gaita é o Museu Xenopoulos, com a secretária e os manuscritos no andar de cima e uma biblioteca infantil no rés-do-chão. Νέα Εστία, a revista que fundou, é a mais antiga revista literária grega ainda publicada. Os seus romances regressaram às livrarias e estão disponíveis gratuitamente na internet, em domínio público desde 2022.
Sabia que…?
- Em 1903 publicou «Ένας ποιητής» (Um Poeta), o primeiro artigo em Atenas sobre Constantino Cavafy, então desconhecido fora de Alexandria.
- Assinou «Φαίδων» a sua carta semanal às crianças durante mais de cinquenta anos, de 1896 a 1948.
- Νέα Εστία, que fundou em 1927, publica-se desde então sem interrupção.
- As suas memórias intitulam-se Η ζωή μου σαν μυθιστόρημα, «A Minha Vida como Romance», título apropriado para um homem que escreveu cerca de oitenta.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Μαργαρίτα Στέφα | Margarita Stefa | 1893 |
| Στέλλα Βιολάντη | Stella Violanti (novela; peça de teatro 1909) | 1901 |
| Το μυστικό της Κοντέσσας Βαλέραινας | O Segredo da Condessa Valeraina (teatro) | 1904 |
| Ο κόκκινος βράχος | O Rochedo Vermelho | 1905 |
| Πλούσιοι και φτωχοί | Ricos e Pobres | 1919 |
| Ο Πόπολαρος | O Plebeu (teatro) | 1933 |
Da obra


Imagens do domínio público, Wikimedia Commons.
Uma frase para reter
Σας ασπάζομαι. Φαίδων
Sas aspazomai. Faidon
Abraço-vos. Fédon














