A vida
Dido Pappa, mais tarde Sotiriou pelo casamento, nasceu a 18 de fevereiro de 1909 em Aydın, o Αϊδίνι dos gregos, uma cidade próspera do interior de Esmirna onde o pai tinha uma fábrica. O mundo da família acabou em 1922, quando a campanha do exército grego na Ásia Menor ruiu e mais de um milhão de gregos da Anatólia fugiram ou foram expulsos. Os Pappas chegaram arruinados a Atenas, e Dido cresceu em casa de uma tia abastada, que lhe pagou a escola e, mais tarde, os estudos de literatura francesa no Instituto Francês de Atenas e em Paris.
A partir dos anos 1930 trabalhou como jornalista, em revistas femininas e na imprensa de esquerda. Aderiu ao Partido Comunista, participou na Resistência durante a Ocupação e manteve-se à esquerda toda a vida, mais tarde como membro do partido EDA e colaboradora do jornal Avgi. A irmã mais nova, Elli Pappa, foi a companheira de Nikos Beloyannis, o dirigente comunista executado em 1952, e essa história tornou-se o seu romance «Εντολή» (A Ordem, 1976).
Só começou a escrever ficção aos cinquenta anos, com «Οι νεκροί περιμένουν» (Os Mortos Esperam, 1959), e «Ματωμένα χώματα» seguiu-se em 1962. Em 1990 recebeu o prémio Abdi İpekçi para a amizade greco-turca. Morreu em Atenas a 23 de setembro de 2004, aos noventa e cinco anos, uma mulher pequena e perspicaz que se tinha tornado uma espécie de avó da memória dos refugiados na Grécia.
A obra

«Οι νεκροί περιμένουν» (1959) é o romance autobiográfico de uma família de refugiados: a vida desafogada em Aydın, a fuga de 1922, a pobreza de Atenas e o despertar político de uma rapariga que se torna comunista. Introduziu os dois temas de toda a sua obra, a Ásia Menor e a esquerda, e já tem a sua voz, direta e sem sentimentalismo.
«Ματωμένα χώματα» (1962) é narrado na primeira pessoa por Manolis Axiotis, um camponês de Kırkıca (hoje Şirince), uma aldeia grega nas colinas acima de Éfeso. A primeira parte é um idílio: colheitas, festas, figos e azeitonas, gregos e turcos a viver lado a lado com as pequenas fricções da vizinhança. Depois, a Primeira Guerra Mundial envia os homens gregos do Império Otomano para os batalhões de trabalho (αμελέ ταμπουρού), onde muitos morrem de fome e frio; Manolis sobrevive, deserta, esconde-se. Em 1919 o exército grego desembarca em Esmirna e ele é recrutado, desta vez como soldado; o livro acompanha o avanço pela Anatólia e a debandada de agosto de 1922 até aos cais de Esmirna em chamas. Sotiriou construiu o romance a partir das notas de um homem real, Manolis Axiotis, que tinha vivido essa vida e lhe entregou o seu manuscrito. O seu ponto de vista é claro e era invulgar na Grécia da época: os camponeses de ambos os lados são vítimas, e a culpa é das grandes potências e dos políticos que os mandaram matar-se uns aos outros. A despedida da Anatólia na última página dirige-se tanto a um amigo turco como à terra perdida.
«Εντολή» (1976) reconstitui os últimos meses de Nikos Beloyannis, do julgamento ao pelotão de fuzilamento; escreveu também ensaios sobre a questão da Ásia Menor e as suas causas.
O legado na Grécia de hoje
«Ματωμένα χώματα» é reeditado ininterruptamente desde 1962, lê-se em excertos nas antologias dos liceus gregos e é o livro que os gregos põem nas mãos dos estrangeiros que perguntam pela Ásia Menor. Na Turquia saiu em 1970 como «Benden Selam Söyle Anadolu'ya» (Dá Cumprimentos Meus à Anatólia) e é lido lá desde então, razão pela qual ela é uma das poucas escritoras gregas com leitores turcos. A aldeia de Şirince, a Kırkıca do romance, é hoje um destino turístico perto de Éfeso, e os visitantes gregos chegam com o livro na bagagem. Um aprendente que tenha lido o romance perceberá por que razão os bairros de refugiados de Atenas e Salónica têm nomes como Nea Smyrni e Nea Ionia, e porque é que as canções da Ásia Menor ainda enchem as tabernas gregas. As páginas do site sobre Venizelos e sobre Myrivilis, que combateu na mesma campanha, completam o quadro.
Sabia que…?
- O narrador, Manolis Axiotis, existiu realmente: deu a Sotiriou os cadernos da sua vida, e ela transformou-os no romance.
- Publicou o primeiro romance aos cinquenta anos, depois de uma carreira no jornalismo, e escreveu o seu livro mais famoso aos cinquenta e três.
- A edição turca de 1970 tornou-a conhecida na Turquia, e em 1990 recebeu o prémio Abdi İpekçi, com o nome de um jornalista turco assassinado, pelo seu contributo para o entendimento greco-turco.
- A irmã, Elli Pappa, foi a companheira de Nikos Beloyannis, «o homem do cravo», e o romance de Sotiriou «Εντολή» conta a sua história a partir de dentro da família.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Οι νεκροί περιμένουν | Os Mortos Esperam (romance) | 1959 |
| Ηλέκτρα | Electra (romance) | 1961 |
| Ματωμένα χώματα | Terras Ensanguentadas / Adeus, Anatólia (romance) | 1962 |
| Εντολή | A Ordem (romance sobre Beloyannis) | 1976 |
Da obra


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Uma frase para reter
Ματωμένα χώματα
Matomena chomata
Terras ensanguentadas














