A vida
Dimitris Stavrakas nasceu em Atenas em 1938. Estudou na escola de cinema Stavrakou e, de 1958 a 1963, trabalhou como assistente de realização em várias produções cinematográficas gregas. Entre 1961 e 1963 escreveu também sobre cinema como crítico para a revista Επιθεώρηση Τέχνης (Revista de Arte) e o jornal Δημοκρατική Αλλαγή (Mudança Democrática). A sua primeira curta-metragem, Το γκάζι (O Gás), data de 1966.
Em 1967 partiu para Paris, onde trabalhou como operador de câmara até 1968. Depois voltou-se para as ciências sociais. De 1969 a 1972 estudou sociologia na Universidade de Nanterre e, de 1972 a 1974, estatística da população no instituto de demografia da Sorbonne, onde obteve também um diploma de mestrado em urbanismo.
Stavrakas regressou à Grécia em 1975. Trabalhou em produções televisivas, escreveu crítica de cinema para a revista Αντί e, de 1980 a 1982, realizou vários programas de televisão. Paralelamente, fez curtas e longas-metragens, bem como documentários para televisão. Em 2019, o Festival Internacional de Cinema de Salónica incluiu-o na sua homenagem ao cinema queer grego, apresentando a sua biografia e voltando a exibir Betty para um novo público.
A obra
Μπέττυ (Betty, 1979) é uma obra curta, híbrida entre ficção e documentário, com cerca de meia hora, baseada na autobiografia de Betty Vakalidou, que interpreta o seu próprio papel. Acompanha vinte e quatro horas na vida de uma mulher trans ateniense, enquanto memórias da sua vida anterior se misturam com o presente até à noite. Segundo o Festival de Documentários de Salónica, a competição de Salónica recusou o filme por causa do tema, mas uma sessão especial foi recebida com entusiasmo. Na temporada seguinte estreou nos cinemas antes de Ensaio de Orquestra, de Federico Fellini. Em 1979 ganhou um prémio de melhor curta-metragem no festival de curtas-metragens de Drama e um prémio de melhor documentário no festival de Larissa.
A sua primeira longa-metragem, Η παρεξήγηση (O Mal-entendido), seguiu-se em 1983. Το καναρινί ποδήλατο (A Bicicleta Amarelo-Canário, 1999) é um drama social em grego. Aris, um professor recém-colocado, fica com a turma do sexto ano de uma escola primária pública de Atenas e repara em Lefteris, um aluno que os outros desvalorizam e que montou sozinho a sua bicicleta. Quando o rapaz foge para a aldeia do avô, Platamonas, Aris encontra-o na praia. O filme ganhou o segundo prémio de longa-metragem de ficção e, para Dimitris Alexandris, o prémio de melhor ator nos Prémios Estatais de Cinema de 1999. Το πέρασμα (A Travessia, 2006) acompanha um jovem do Bangladesh que tenta construir uma vida na Grécia.
O legado na Grécia de hoje
Betty voltou ao público através do programa de restauro Pátria, vejo-te e de sessões nos festivais de Salónica. O cineasta Christos Dimas referiu-a como um de apenas dois filmes gregos com personagens trans feitos antes da sua própria curta Tender, de 1997. O Festival de Cinema de Chania também exibiu A Bicicleta Amarelo-Canário. Para quem aprende, o filme de 1999 oferece grego concreto: uma escola, um professor, um aluno, uma bicicleta e o mar. Escolha a cena em que Lefteris foge e Aris o encontra na praia. Descreva-a com três frases curtas suas, por exemplo: Ο Λευτέρης φεύγει (O Lefteris vai-se embora). Πηγαίνει στο χωριό (Vai para a aldeia). Ο δάσκαλος τον βρίσκει στην παραλία (O professor encontra-o na praia). São frases de prática, não diálogos do filme.
Sabia que…?
- Formou-se na escola de cinema Stavrakou, em Atenas, cujo nome se parece muito com o seu.
- Antes da sua primeira longa-metragem, estudou sociologia e estatística da população em Paris.
- Betty estreou nos cinemas gregos antes de Ensaio de Orquestra, de Fellini.
- Em A Bicicleta Amarelo-Canário, o aluno Lefteris montou sozinho a sua bicicleta.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Το γκάζι | O Gás — curta-metragem | 1966 |
| Μπέττυ | Betty — curta-metragem | 1979 |
| Η παρεξήγηση | O Mal-entendido | 1983 |
| Το καναρινί ποδήλατο | A Bicicleta Amarelo-Canário | 1999 |
| Το πέρασμα | A Travessia | 2006 |
Uma frase para reter
Ταινίες με τρανς δεν είχαν γυριστεί ως τότε, παρά μόνο δυο. Η υπέροχη ΜΠΕΤΤΥ του Δημήτρη Σταύρακα και η αβανγκάρντ LA BELLE του Τάκη Σπετσιώτη…
Tainíes me trans den íchan gyristeí os tóte, pará móno dyo. I ypérochi BETTY tou Dimítri Stávraka kai i avangkárnt LA BELLE tou Táki Spetsióti…
Até então não se tinham feito filmes com personagens trans, exceto dois: a maravilhosa Betty de Dimitris Stavrakas e o vanguardista La Belle de Takis Spetsiotis…





























































