grecfacilegrecfacile
Theophilos Hatzimihail
Unknown author · Public domain · Wikimedia Commons

A1Grécia moderna · Pintor popular

Theophilos Hatzimihail

Θεόφιλος Χατζημιχαήλ

c. 1870 – 1934 · Mitilene (Lesbos); Volos e o Pélion

Theophilos Hatzimihail (Θεόφιλος Χατζημιχαήλ, c. 1870–1934), conhecido simplesmente como Theophilos, foi um pintor autodidata de Lesbos que percorria de fustanela as aldeias do Pélion e da sua ilha natal, pintando as paredes de casas, lojas e cafés a troco de uma refeição e de uma cama. As suas imagens vivas e planas dos heróis de 1821, de Alexandre Magno e do quotidiano grego foram motivo de troça enquanto viveu e são hoje amadas como a mais pura pintura popular grega.

A vida

Theophilos nasceu por volta de 1870 em Varia, uma aldeia mesmo às portas de Mitilene, na ilha de Lesbos, no seio de uma família pobre; diz-se que o pai era sapateiro e o avô materno pintor de ícones. Andou pouco na escola, era canhoto e tímido, e desde criança desenhava em tudo o que encontrava. Em jovem partiu para Esmirna, onde, segundo a tradição, trabalhou durante algum tempo como porteiro no consulado grego e começou a pintar.

Por volta de 1897 passou para a Grécia continental e fixou-se na região de Volos e do monte Pélion, onde permaneceu cerca de trinta anos. Não possuía quase nada e vivia da pintura: um lojista ou um lavrador dava-lhe comida, algum dinheiro ou um sítio para dormir, e Theophilos cobria uma parede da casa, do café ou do moinho com batalhas, santos, paisagens e retratos. Usava sempre a fustanela, a saia pregueada dos combatentes de 1821, e nos dias de festa encenava os seus próprios cortejos históricos, vestido de Alexandre Magno com as crianças da aldeia como exército. Muita gente o tratava como um excêntrico inofensivo.

Em 1927 regressou a Lesbos. Aí, por volta de 1929, foi descoberto por Stratis Eleftheriadis, editor e crítico de arte nascido em Mitilene e famoso em Paris sob o nome de Tériade, que lhe deu tela, tintas e encomendas e lhe comprou obras. Theophilos morreu em Varia em março de 1934, antes das exposições de Paris, culminadas no Louvre em 1961, que tornaram o seu nome conhecido no estrangeiro.

A obra

Theophilos pintava aquilo que os gregos cantavam e contavam. Os seus temas preferidos eram os heróis da Guerra da Independência, Kolokotronis, Athanasios Diakos, Katsantonis e Markos Botsaris, mostrados de fustanela no meio da batalha, e Alexandre Magno, que pintou vezes sem conta como herói popular grego de elmo reluzente. Ao lado deles colocava cenas do romance Ερωτόκριτος (Erotócrito), Adão e Eva, deuses antigos e a vida comum que via à sua volta: colheitas, pescadores, pastores, dançarinos, um casamento, um padeiro ao forno, com as ilhas e as montanhas da Grécia por trás.

O seu estilo é chamado naïf ou popular porque nunca aprendeu as regras da pintura académica: sem perspetiva, figuras em cores planas e vivas, cada folha e cada flor desenhadas separadamente, e muitas vezes uma legenda manuscrita a explicar quem é quem. No entanto, o seu sentido da cor e da composição é seguro, e os seus quadros têm a franqueza dos ícones bizantinos e dos padrões bordados do traje das aldeias, que foram as suas verdadeiras escolas. A maior obra que sobrevive é o conjunto de murais que pintou em 1912 na casa de Giannis Kontos em Anakasia, acima de Volos, hoje transformada em museu. A maior parte das suas pinturas murais no Pélion foi caiada ou perdeu-se, e o que temos hoje são sobretudo as obras portáteis sobre tela, madeira e cartão que fez nos últimos anos para Tériade.

O legado na Grécia de hoje

Dois museus lhe são dedicados. O Museu Theophilos em Varia, construído por Tériade e inaugurado em 1965 perto do local de nascimento do pintor, guarda cerca de 85 das suas pinturas; a poucos passos ergue-se o Museu Tériade, e em Anakasia, perto de Volos, pode visitar-se a casa Kontos com os murais de 1912 nas paredes. Foram os poetas que lhe deram a fama: Odysseas Elytis escreveu o ensaio Ο ζωγράφος Θεόφιλος (O pintor Theophilos) e Giorgos Seferis também escreveu sobre ele, ambos em 1947, e depois deles Theophilos tornou-se o modelo de um modo genuinamente grego de ver. As suas imagens aparecem nos manuais escolares, em cartazes e em selos de correio, e o seu Alexandre, o seu Erotócrito e os seus aldeões a dançar estão entre as imagens mais queridas da Grécia moderna.

Sabia que…?

  • Nunca teve um ateliê: a maior parte da obra da sua vida foi pintada diretamente nas paredes de cafés, lojas, moinhos e casas a troco de comida e de uma cama.
  • Usava a fustanela todos os dias e nos dias de festa vestia-se de Alexandre Magno, conduzindo as crianças da aldeia em batalhas a fingir.
  • A sua obra foi exposta no Louvre, em Paris, em 1961, graças a Tériade, o editor de Matisse e Picasso, que era da mesma cidade.
  • A casa que pintou em Anakasia em 1912 ainda está de pé e pode ser visitada como museu.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Τοιχογραφίες στο αρχοντικό Κοντού, ΑνακασιάMurais da casa Kontos, Anakasia1912
Ο Αθανάσιος ΔιάκοςAthanasios Diakos
Ο Μέγας ΑλέξανδροςAlexandre Magno
Ο Ερωτόκριτος και η ΑρετούσαErotócrito e Aretusa
Έργα σε πανί για τον ΤεριάντPinturas sobre tela para Tériade1929–1934

Uma frase para reter

Εγώ Γραικός γεννήθηκα, Γραικός θε να πεθάνω.

Ego Graikos gennithika, Graikos the na pethano.

Grego nasci, e grego hei de morrer.

Folk song of Athanasios Diakos, a hero Theophilos painted many times
A1

Ler sobre Theophilos Hatzimihail em grego (A1)

Palavras do texto

  • pintor
  • eu pinto
  • parede
  • café
  • comida
  • herói
  • cor
  • museu

Outros do nível A1

As 100 personalidades →