A vida
Theophilos nasceu por volta de 1870 em Varia, uma aldeia mesmo às portas de Mitilene, na ilha de Lesbos, no seio de uma família pobre; diz-se que o pai era sapateiro e o avô materno pintor de ícones. Andou pouco na escola, era canhoto e tímido, e desde criança desenhava em tudo o que encontrava. Em jovem partiu para Esmirna, onde, segundo a tradição, trabalhou durante algum tempo como porteiro no consulado grego e começou a pintar.
Por volta de 1897 passou para a Grécia continental e fixou-se na região de Volos e do monte Pélion, onde permaneceu cerca de trinta anos. Não possuía quase nada e vivia da pintura: um lojista ou um lavrador dava-lhe comida, algum dinheiro ou um sítio para dormir, e Theophilos cobria uma parede da casa, do café ou do moinho com batalhas, santos, paisagens e retratos. Usava sempre a fustanela, a saia pregueada dos combatentes de 1821, e nos dias de festa encenava os seus próprios cortejos históricos, vestido de Alexandre Magno com as crianças da aldeia como exército. Muita gente o tratava como um excêntrico inofensivo.
Em 1927 regressou a Lesbos. Aí, por volta de 1929, foi descoberto por Stratis Eleftheriadis, editor e crítico de arte nascido em Mitilene e famoso em Paris sob o nome de Tériade, que lhe deu tela, tintas e encomendas e lhe comprou obras. Theophilos morreu em Varia em março de 1934, antes das exposições de Paris, culminadas no Louvre em 1961, que tornaram o seu nome conhecido no estrangeiro.
A obra

Theophilos pintava aquilo que os gregos cantavam e contavam. Os seus temas preferidos eram os heróis da Guerra da Independência, Kolokotronis, Athanasios Diakos, Katsantonis e Markos Botsaris, mostrados de fustanela no meio da batalha, e Alexandre Magno, que pintou vezes sem conta como herói popular grego de elmo reluzente. Ao lado deles colocava cenas do romance Ερωτόκριτος (Erotócrito), Adão e Eva, deuses antigos e a vida comum que via à sua volta: colheitas, pescadores, pastores, dançarinos, um casamento, um padeiro ao forno, com as ilhas e as montanhas da Grécia por trás.
O seu estilo é chamado naïf ou popular porque nunca aprendeu as regras da pintura académica: sem perspetiva, figuras em cores planas e vivas, cada folha e cada flor desenhadas separadamente, e muitas vezes uma legenda manuscrita a explicar quem é quem. No entanto, o seu sentido da cor e da composição é seguro, e os seus quadros têm a franqueza dos ícones bizantinos e dos padrões bordados do traje das aldeias, que foram as suas verdadeiras escolas. A maior obra que sobrevive é o conjunto de murais que pintou em 1912 na casa de Giannis Kontos em Anakasia, acima de Volos, hoje transformada em museu. A maior parte das suas pinturas murais no Pélion foi caiada ou perdeu-se, e o que temos hoje são sobretudo as obras portáteis sobre tela, madeira e cartão que fez nos últimos anos para Tériade.
O legado na Grécia de hoje
Dois museus lhe são dedicados. O Museu Theophilos em Varia, construído por Tériade e inaugurado em 1965 perto do local de nascimento do pintor, guarda cerca de 85 das suas pinturas; a poucos passos ergue-se o Museu Tériade, e em Anakasia, perto de Volos, pode visitar-se a casa Kontos com os murais de 1912 nas paredes. Foram os poetas que lhe deram a fama: Odysseas Elytis escreveu o ensaio Ο ζωγράφος Θεόφιλος (O pintor Theophilos) e Giorgos Seferis também escreveu sobre ele, ambos em 1947, e depois deles Theophilos tornou-se o modelo de um modo genuinamente grego de ver. As suas imagens aparecem nos manuais escolares, em cartazes e em selos de correio, e o seu Alexandre, o seu Erotócrito e os seus aldeões a dançar estão entre as imagens mais queridas da Grécia moderna.
Sabia que…?
- Nunca teve um ateliê: a maior parte da obra da sua vida foi pintada diretamente nas paredes de cafés, lojas, moinhos e casas a troco de comida e de uma cama.
- Usava a fustanela todos os dias e nos dias de festa vestia-se de Alexandre Magno, conduzindo as crianças da aldeia em batalhas a fingir.
- A sua obra foi exposta no Louvre, em Paris, em 1961, graças a Tériade, o editor de Matisse e Picasso, que era da mesma cidade.
- A casa que pintou em Anakasia em 1912 ainda está de pé e pode ser visitada como museu.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Τοιχογραφίες στο αρχοντικό Κοντού, Ανακασιά | Murais da casa Kontos, Anakasia | 1912 |
| Ο Αθανάσιος Διάκος | Athanasios Diakos | |
| Ο Μέγας Αλέξανδρος | Alexandre Magno | |
| Ο Ερωτόκριτος και η Αρετούσα | Erotócrito e Aretusa | |
| Έργα σε πανί για τον Τεριάντ | Pinturas sobre tela para Tériade | 1929–1934 |
Da obra




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Uma frase para reter
Εγώ Γραικός γεννήθηκα, Γραικός θε να πεθάνω.
Ego Graikos gennithika, Graikos the na pethano.
Grego nasci, e grego hei de morrer.














