grecfacilegrecfacile
Odysseas Elytis
Mondadori · Public domain · Wikimedia Commons

A1Grécia moderna · Poeta

Odysseas Elytis

Οδυσσέας Ελύτης

1911 – 1996 · Heraklion, Creta; Atenas

Odysseas Elytis (Οδυσσέας Ελύτης, 1911–1996) recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1979, o segundo poeta grego a consegui-lo depois de Seferis. A sua poesia está cheia de sol, de mar, de ilhas brancas e do verão grego, que ele tratava como uma espécie de força moral. O seu longo poema Το Άξιον Εστί (Digno É, 1959), musicado por Mikis Theodorakis, canta-se tanto em concertos como em manifestações, e o seu poema de amor Το Μονόγραμμα (O Monograma) é lido em casamentos gregos.

A vida

Nasceu Odysseas Alepoudelis em Heraklion, Creta, a 2 de novembro de 1911, o filho mais novo de uma família de Lesbos que fizera fortuna no fabrico de sabão. A família mudou-se para Atenas em 1914, e as ilhas do Egeu, Lesbos acima de todas, foram a paisagem dos seus verões e, mais tarde, dos seus poemas. Estudou Direito sem concluir o curso, descobriu o surrealismo francês e os pintores, e publicou os primeiros poemas em 1935 na revista Τα Νέα Γράμματα sob o pseudónimo Elytis, um nome que escolheu para não ser confundido com o negócio da família.

No inverno de 1940–41 serviu como alferes na frente albanesa contra a invasão italiana, uma experiência que deu origem ao Άσμα ηρωικό και πένθιμο για τον χαμένο ανθυπολοχαγό της Αλβανίας (Canto heroico e fúnebre pelo alferes perdido da Albânia, 1945). Depois da guerra viveu longos períodos em Paris (1948–52 e de novo 1969–71, durante a ditadura), onde travou amizade com Picasso, Matisse e os surrealistas, mas Atenas continuou a ser a sua casa.

O Prémio Nobel de 1979 fez dele uma figura pública, o que lhe desagradava; viveu discretamente num apartamento na rua Skoufa, em Atenas, fez colagens, traduziu Safo e Rimbaud e continuou a publicar até ao fim. Morreu em Atenas a 18 de março de 1996 e foi sepultado no Primeiro Cemitério.

A obra

As suas primeiras coletâneas, Προσανατολισμοί (Orientações, 1940) e Ήλιος ο Πρώτος (Sol o Primeiro, 1943), são poemas luminosos e surrealistas sobre a juventude, o mar e a luz do Egeu. Depois, após catorze anos de silêncio, veio Το Άξιον Εστί (Digno É, 1959), um longo poema com a forma de uma liturgia ortodoxa, em três partes, em que a vida do poeta, a guerra, a ocupação alemã e a guerra civil se fundem com a história da língua e da paisagem gregas. Os seus versos mais famosos, «Της δικαιοσύνης ήλιε νοητέ», «Ένα το χελιδόνι» e «Ναοί στο σχήμα τ' ουρανού», tornaram-se as canções mais conhecidas da Grécia quando Mikis Theodorakis musicou o poema como oratória em 1964, com Grigoris Bithikotsis a cantar.

Το Μονόγραμμα (O Monograma, 1972) é um único poema de amor em sete partes, aquele com o refrão «Θα πενθώ πάντα, μ' ακούς; για σένα» (Hei de chorar-te sempre, ouves? por ti), e provavelmente o poema de amor grego mais citado do século XX. Μαρία Νεφέλη (Maria Nefeli, 1978) é um diálogo entre o poeta e uma jovem dos anos 1970, e Ο Ήλιος ο Ηλιάτορας (O Sol Soberano, 1971) e Τα Ρω του Έρωτα (Os Rôs do Amor, 1972) são poemas curtos, em forma de canção, escritos para serem musicados. O grego de Elytis é sensual e preciso: palavras do dia a dia para o mar, o vento, a pedra e a luz são postas ao lado de palavras dos hinos bizantinos e de Homero, e o resultado é uma língua que parece ao mesmo tempo antiga e acabada de lavar.

O legado na Grécia de hoje

Para conhecer Elytis, ouça o Άξιον Εστί de Theodorakis: «Της δικαιοσύνης ήλιε νοητέ» e «Ένα το χελιδόνι» cantam-se em todos os concertos de Theodorakis e em inúmeras manifestações, e a maioria dos gregos conhece as melodias sem se lembrar de que a letra é um poema de um Nobel. Theodorakis musicou também «Του μικρού βοριά» e «Μαρίνα», do ciclo Μικρές Κυκλάδες. Το Μονόγραμμα é lido em voz alta em casamentos e citado em cartões de São Valentim. Os alunos leem Elytis no liceu, sobretudo o Άξιον Εστί e o poema sobre o alferes perdido, e Atenas, Heraklion e muitas outras cidades têm uma rua chamada Οδυσσέα Ελύτη. O ano de 2011, centenário do seu nascimento, foi declarado Ano de Elytis na Grécia, com exposições das suas colagens e também dos seus poemas.

Sabia que…?

  • O seu verdadeiro apelido era Alepoudelis; diz-se que o pseudónimo Elytis reúne sons de palavras que ele amava, como Ελλάδα, ελπίδα, ελευθερία e Ελένη.
  • Nunca terminou um curso universitário nem teve por muito tempo um emprego regular; viveu do negócio da família e, mais tarde, dos seus livros.
  • Elytis foi também artista plástico: fez centenas de colagens a partir de recortes de revistas e gravuras antigas, expostas em Atenas e no estrangeiro.
  • O comité Nobel elogiou em 1979 a sua poesia por retratar a luta do homem moderno pela liberdade e pela criatividade no contexto da tradição grega.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
ΠροσανατολισμοίOrientações1940
Ήλιος ο ΠρώτοςSol o Primeiro1943
Άσμα ηρωικό και πένθιμο για τον χαμένο ανθυπολοχαγό της ΑλβανίαςCanto heroico e fúnebre pelo alferes perdido da Albânia1945
Το Άξιον ΕστίDigno É (Axion Esti)1959
Το ΜονόγραμμαO Monograma1972
Μαρία ΝεφέληMaria Nefeli1978

Uma frase para reter

Της δικαιοσύνης ήλιε νοητέ / και μυρσίνη συ δοξαστική

Tis dikaiosynis ilie noite / kai myrsini sy doxastiki

Sol da justiça, visto pela mente, / e tu, mirto de glória

Το Άξιον Εστί (1959), Τα Πάθη
A1

Ler sobre Odysseas Elytis em grego (A1)

Palavras do texto

  • poeta
  • eu amo
  • mar
  • sol
  • conhecido
  • obra
  • música
  • prémio

Os outros escritores do nível A1

Os 30 escritores →