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Melina Mercouri
Björn Roos · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

A1Grécia moderna · Atriz, cantora, política

Melina Mercouri

Μελίνα Μερκούρη

1920 – 1994 · Atenas; Paris

Melina Mercouri (Μελίνα Μερκούρη, 1920–1994) foi a grega mais famosa do século XX: a atriz de Στέλλα (Stella) e de Ποτέ την Κυριακή (Nunca ao Domingo), a voz de «Τα παιδιά του Πειραιά», uma exilada que combateu a junta militar a partir do estrangeiro, e a ministra da Cultura que pediu à Grã-Bretanha a devolução dos Mármores do Pártenon e criou a Capital Europeia da Cultura. Os gregos ainda lhe chamam simplesmente «η Μελίνα».

A vida

Maria Amalia Mercouri nasceu em Atenas a 18 de outubro de 1920, numa família política: o avô, Spyridon Mercouris, foi presidente da Câmara de Atenas durante muitos anos, e o pai, Stamatis, foi deputado e ministro. Estudou na escola de teatro do Teatro Nacional e estreou-se em palco nos anos 1940, representando em Atenas obras de Tennessee Williams e de outros sob a direção do encenador Karolos Koun. O seu primeiro filme, Στέλλα (Stella, 1955), de Michael Cacoyannis, levou-a ao festival de Cannes, onde conheceu o realizador americano Jules Dassin, que se tornou seu companheiro e, em 1966, seu marido.

Com Dassin fez Ποτέ την Κυριακή (Nunca ao Domingo, 1960), que lhe valeu o prémio de melhor atriz em Cannes e uma nomeação para o Óscar, e mais tarde Phaedra (1962) e Topkapi (1964). Era uma estrela internacional, a viver entre Atenas, Paris e Nova Iorque, quando os coronéis tomaram o poder na Grécia, em abril de 1967. Mercouri, então no estrangeiro, tornou-se a voz mais forte contra a ditadura, dando concertos e entrevistas por toda a Europa e a América. A junta retirou-lhe a nacionalidade grega; a sua resposta, que nascera grega e morreria grega, ficou célebre.

Regressou à Grécia em 1974, aderiu ao PASOK de Andreas Papandreou e foi eleita deputada pelo Pireu em 1977. De 1981 a 1989, e de novo a partir de 1993, foi ministra da Cultura, a primeira mulher no cargo. Morreu de cancro do pulmão em Nova Iorque, a 6 de março de 1994, e o seu funeral em Atenas, com honras de primeiro-ministro, levou multidões enormes para as ruas.

A obra

Como atriz, Mercouri tinha uma presença grande, calorosa e rouca, mais do que uma técnica delicada. Em Στέλλα é uma cantora de uma taberna da Plaka que se recusa a casar com o homem que a ama, e o filme termina em tragédia; as canções de Manos Hadjidakis, entre elas «Αγάπη που 'γινες δίκοπο μαχαίρι» (Amor, tornaste-te uma faca de dois gumes), fizeram do filme um clássico grego. Em Ποτέ την Κυριακή interpreta Ilia, uma alegre prostituta do Pireu que um académico americano tenta educar; o filme foi um êxito mundial, e a sua canção «Τα παιδιά του Πειραιά» (As Crianças do Pireu), de novo de Hadjidakis, ganhou o Óscar de melhor canção original, a primeira canção grega a consegui-lo. Gravou também álbuns em grego, francês e inglês, entre eles «Χάρτινο το φεγγαράκι» (Luazinha de papel), que cantara pela primeira vez em palco em 1949.

O seu trabalho político teve a mesma dimensão. Como ministra da Cultura lançou a campanha pela devolução dos Mármores do Pártenon, guardados no Museu Britânico desde o início do século XIX, defendendo num célebre debate na Oxford Union, em 1986, que as esculturas não eram decoração, mas a alma de um povo. Propôs a ideia de uma Cidade Europeia da Cultura, cada ano uma cidade diferente a celebrar o seu património; Atenas foi a primeira, em 1985, e o programa, hoje Capital Europeia da Cultura, continua. Lutou também pela unificação dos sítios arqueológicos de Atenas e por um novo Museu da Acrópole, ambos concluídos depois da sua morte.

O legado na Grécia de hoje

O Museu da Acrópole, inaugurado em 2009 no sopé da Acrópole, é o edifício que ela pediu, com um espaço vazio à espera dos Mármores; o seu busto ergue-se no início da rua pedonal Dionysiou Areopagitou que a ele conduz. A Fundação Melina Mercouri guarda o seu arquivo, e o Centro Cultural Melina Mercouri, em Thissio, acolhe exposições. Muitas cidades gregas têm uma rua ou praça com o seu nome, e um prémio internacional UNESCO-Grécia para paisagens culturais também o ostenta. Quem aprende grego deve ver Ποτέ την Κυριακή, ouvir «Τα παιδιά του Πειραιά», com o seu refrão fácil e repetido, e «Χάρτινο το φεγγαράκι», e visitar o Museu da Acrópole, onde a sua campanha ainda hoje se trava. A sua frase sobre ter nascido grega e morrer grega continua a ser citada sempre que os gregos falam de identidade e de exílio.

Sabia que…?

  • «Τα παιδιά του Πειραιά» ganhou o Óscar de melhor canção original em 1961, a única canção em língua grega a consegui-lo até hoje.
  • Partilhou o prémio de melhor atriz de Cannes em 1960 com Jeanne Moreau e foi nomeada para o Óscar pelo mesmo papel.
  • A junta retirou-lhe a nacionalidade em 1967; ela respondeu que nascera grega e morreria grega, enquanto o ministro que assinara a ordem nascera fascista e fascista morreria.
  • Atenas foi a primeira Cidade Europeia da Cultura, em 1985, porque Mercouri, como ministra, inventou a ideia.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
ΣτέλλαStella (filme de Michael Cacoyannis)1955
Ποτέ την ΚυριακήNunca ao Domingo (filme de Jules Dassin)1960
ΤοπκαπίTopkapi (filme)1964
Υπουργός ΠολιτισμούMinistra da Cultura da Grécia1981–89, 1993–94
Αθήνα, πρώτη Πολιτιστική Πρωτεύουσα της ΕυρώπηςAtenas, primeira Cidade Europeia da Cultura1985
Ομιλία στο Oxford Union για τα Γλυπτά του ΠαρθενώναDiscurso na Oxford Union sobre os Mármores do Pártenon1986

Uma frase para reter

Γεννήθηκα Ελληνίδα και θα πεθάνω Ελληνίδα.

Gennithika Ellinida kai tha pethano Ellinida.

Nasci grega e morrerei grega.

Reply to the junta's withdrawal of her citizenship (1967)
A1

Ler sobre Melina Mercouri em grego (A1)

Palavras do texto

  • atriz
  • cantora
  • filme
  • eu canto
  • canção
  • mundo, gente
  • ministro
  • eu amo

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