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Laskarina Bouboulina
Anonymous · Public domain · Wikimedia Commons

A1Grécia moderna · Comandante naval de 1821

Laskarina Bouboulina

Λασκαρίνα Μπουμπουλίνα

1771 – 1825 · Spetses

Laskarina Bouboulina (Λασκαρίνα Μπουμπουλίνα, 1771–1825) era uma viúva da ilha de Spetses que possuía navios mercantes, mandou construir o maior navio de guerra grego do seu tempo, o Αγαμέμνων (Agamémnon), e levou-o à guerra da independência grega em 1821, a expensas suas. Bloqueou Náuplia, esteve presente na queda de Tripolitsa e morreu quatro anos depois, não em combate mas numa desavença familiar. Para os gregos, o seu nome ainda hoje significa uma mulher que ninguém consegue dobrar.

A vida

Bouboulina nasceu em maio de 1771 numa prisão de Constantinopla. O pai, Stavrianos Pinotsis, capitão de navio natural de Hidra, tinha participado na falhada revolta de Orlov de 1770 e estava ali detido; a mãe, Skevo, visitava-o quando a criança nasceu. O pai morreu pouco depois, a mãe voltou a casar com um homem de Spetses, e a menina cresceu nessa pequena ilha ao largo do Peloponeso oriental, então uma das comunidades marítimas mais ricas do Egeu.

Casou duas vezes, ambas com capitães de navio, e de ambas as vezes ficou viúva quando o marido foi morto a combater piratas. O segundo, Dimitrios Bouboulis, morreu em 1811 e deixou-lhe uma fortuna e vários navios. Ela manteve o nome dele, assumiu o negócio e dirigiu-o pessoalmente, coisa inaudita para uma mulher do seu tempo, e fê-lo crescer. Quando as autoridades otomanas tentaram confiscar-lhe os bens, viajou até Constantinopla e, segundo a tradição, obteve proteção através do embaixador russo. Por volta de 1820 mandou construir em Spetses uma grande corveta de dezoito canhões, o Αγαμέμνων (Agamémnon), e diz-se que entrou na Filiki Etaireia, a sociedade secreta que preparava a revolução.

Quando a guerra da independência rebentou em março de 1821, pôs nela os seus navios, o seu dinheiro e os seus filhos. Nas lutas civis de 1824–25 tomou o partido de Theodoros Kolokotronis, cujo filho Panos casara com a sua filha Eleni, e foi mandada de volta para Spetses, caída em desgraça. Aí, a 22 de maio de 1825, foi morta a tiro na sua própria casa durante uma desavença com a família Koutsis, depois de o filho dela ter fugido com a filha destes.

A obra

A guerra de Bouboulina travou-se no mar. Em março de 1821 içou a bandeira da revolta no Agamémnon, no porto de Spetses, e com a sua pequena frota participou no bloqueio naval de Náuplia, a mais forte fortaleza otomana do Peloponeso, que os ilhéus mantiveram durante mais de um ano até a cidade cair, no final de 1822. Os seus navios juntaram-se também ao cerco de Monemvasia, que se rendeu no verão de 1821. A guerra custou-lhe caro desde o início: o filho mais velho, Yiannis Giannouzas, foi morto em combates perto de Argos em 1821.

Em setembro de 1821 esteve presente na queda de Tripolitsa, a capital otomana do Peloponeso, onde as forças gregas massacraram grande parte da população. A tradição de Spetses conta que entrou a cavalo na cidade e protegeu pessoalmente da matança as mulheres da casa do paxá. Seja ou não verdadeiro cada pormenor, a sua reputação entre os combatentes era real: os filelenos estrangeiros que a conheceram escreveram sobre ela com espanto, e o seu retrato pelo artista de origem dinamarquesa Adam Friedel, de lenço na cabeça e rosto severo, sem sorriso, tornou-se a imagem da mulher guerreira da revolução.

Pagou tudo do seu bolso. Navios, tripulações, pólvora e comida para os combatentes engoliram a maior parte da sua fortuna, e quando morreu pouco lhe restava. O que deixou foi o exemplo: uma grega que, aos cinquenta anos, comandava homens no mar e era obedecida.

O legado na Grécia de hoje

Em Spetses, a sua mansão sobre o porto velho é o Museu Bouboulina, gerido pelos seus descendentes, com o seu retrato, armas e mobiliário; uma estátua de bronze ergue-se na marginal da Dapia, e todos os anos, em setembro, a festa da Armata da ilha recria a batalha naval de 1822 queimando um navio na baía. Quase todas as cidades gregas têm uma Οδός Μπουμπουλίνας (rua Bouboulina); a de Atenas, ao lado do Museu Arqueológico Nacional, é a mais conhecida. O seu rosto esteve na moeda de um dracma de 1988 até ao euro, e as crianças da escola primária mascaram-se dela, lenço incluído, para o desfile de 25 de março. Em 2018 a Marinha grega atribuiu-lhe a título póstumo a patente de contra-almirante. O nome entrou até na língua: uma mulher audaz e autoritária é chamada «μια Μπουμπουλίνα». O filme Μπουμπουλίνα, de 1959, foi protagonizado por Irene Papas.

Sabia que…?

  • Nasceu numa prisão de Constantinopla, onde a mãe visitava o pai encarcerado.
  • Os seus dois maridos eram capitães de navio mortos por piratas; o segundo deixou-lhe os navios e o nome com que se tornou famosa.
  • Fez a guerra a expensas suas e gastou nela a maior parte da sua fortuna.
  • Foi morta a tiro numa desavença familiar em Spetses em 1825, quatro anos antes de a Grécia se tornar independente; em 2018 a Marinha grega nomeou-a contra-almirante.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Αγαμέμνων (πολεμικό πλοίο)O navio de guerra Agamémnon, construído em Spetsesc. 1820
Ύψωση της σημαίας της Επανάστασης στις ΣπέτσεςHastear da bandeira da revolta em Spetses1821
Πολιορκία της ΜονεμβασιάςCerco de Monemvasia1821
Άλωση της ΤριπολιτσάςQueda de Tripolitsa1821
Ναυτικός αποκλεισμός του ΝαυπλίουBloqueio naval de Náuplia1821–1822

Uma frase para reter

Ελευθερία ή Θάνατος

Eleftheria i Thanatos

Liberdade ou morte

Motto of the revolutionary flag of Spetses, under which her ships sailed (1821)
A1

Ler sobre Laskarina Bouboulina em grego (A1)

Palavras do texto

  • heroína
  • ilha
  • navio
  • dinheiro
  • revolução
  • eu combato
  • corajoso
  • museu

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