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Σελίδα 267 του «Musen-Almanach für das Jahr 1798» (Βιβλιοθήκη Anna Amalia, Βαϊμάρη) με την αρχή της μπαλάντας του Σίλερ «Die Kraniche des Ibycus»· έντυπο για τον μεταγενέστερο θρύλο των γερανών, όχι πορτρέτο του ποιητή.
Σελίδα 267 του «Musen-Almanach für das Jahr 1798» (Βιβλιοθήκη Anna Amalia, Βαϊμάρη) με την αρχή της μπαλάντας του Σίλερ «Die Kraniche des Ibycus»· έντυπο για τον μεταγενέστερο θρύλο των γερανών, όχι πορτρέτο του ποιητή. · Friedrich Schiller · Public domain · Wikimedia Commons

A1Antiguidade · Poeta lírico

Íbico

Ίβυκος

Régio · Samos

Íbico (Ίβυκος, também escrito Ibykos) foi um poeta lírico grego do século VI a.C., natural de Régio, a atual Reggio Calabria, no sul de Itália. É conhecido sobretudo pelos anos passados na corte de Polícrates em Samos. Das suas canções restam apenas fragmentos, citados por autores posteriores ou encontrados em papiros. O mais famoso pinta um jardim de primavera onde os marmeleiros florescem e as videiras crescem, enquanto o amor não dá descanso ao poeta.

A vida

Íbico nasceu em Régio, uma cidade grega na ponta da bota italiana, hoje Reggio Calabria. Os autores antigos dão vários nomes diferentes ao seu pai e discordam quanto às suas datas. O dicionário bizantino chamado Suda situa-o em Samos no tempo do rei Creso, por volta de 564–561 a.C., mas as histórias modernas costumam colocar os seus anos em Samos sob o tirano Polícrates, por volta de 537–523 a.C. Na corte de Polícrates, dispendiosas apresentações de canto coral, com poesia, música e dança, entretinham os convidados e anunciavam também a glória do governante. Mais tarde, os eruditos de Alexandria contaram Íbico entre os nove poetas líricos do cânone grego.

Nada de seguro se sabe sobre a sua morte. Uma história famosa, contada séculos depois num epigrama de Antípatro de Sídon, por Plutarco e pela Suda, diz que ladrões o atacaram num lugar ermo, perto de Corinto segundo algumas versões. Ao morrer, chamou um bando de grous que passava para o vingar. Mais tarde, no teatro, um dos assassinos viu grous por cima de si e gritou: «Vejam, as vingadoras de Íbico!», e o crime foi descoberto. «Os grous de Íbico» tornaram-se proverbiais, mas a história é uma lenda, não um registo histórico.

A obra

Íbico escreveu num grego literário que mistura traços dóricos e eólicos com uma forte cor épica. Os poemas conservados dividem-se em dois grupos: cantos narrativos sobre mitos, próximos da maneira do poeta mais antigo Estesícoro, e peças mais pessoais sobre o amor e o elogio. Um fragmento de papiro do Egito, transmitido sem nome de autor mas habitualmente atribuído a ele, louva a beleza e a fama do jovem Polícrates. Usa um recurso conhecido: o poeta põe de lado um tema para se concentrar naquele que realmente importa, a pessoa elogiada.

Os seus poemas de amor são a razão por que os leitores antigos se lembravam dele. No fragmento 286, citado por Ateneu no Banquete dos sofistas, os marmeleiros florescem na primavera, regados pelos rios, onde fica o jardim intacto das Donzelas, e os rebentos da videira crescem sob ramos sombrios. Depois a imagem muda: para o poeta, o amor não descansa em estação nenhuma, mas lança-se como o vento norte da Trácia com relâmpagos. No fragmento 287, Eros olha-o sob pálpebras escuras e lança-o nas redes de Afrodite; o poeta treme como um velho cavalo de corrida premiado, obrigado a competir de novo. No Parménides de Platão (137a) o filósofo recorda este cavalo, e no Fedro Sócrates pede emprestado outro verso de Íbico.

O legado na Grécia de hoje

Na Grécia de hoje, o Centro da Língua Grega oferece online os fragmentos 286 e 287, com o texto antigo, traduções em grego moderno e notas. Odysseas Elytis, no livro Ημερολόγιο ενός αθέατου Απριλίου (Diário de um abril invisível), chama a Íbico «ερωτομανέστατο» (o mais apaixonado no amor). Na Alemanha, Friedrich Schiller transformou a lenda na balada Die Kraniche des Ibykus (Os grous de Íbico) em 1797, depois de Goethe lhe ter cedido o tema. Experimente: abra o fragmento 286 com a tradução em grego moderno, encontre os marmeleiros e as videiras e escreva duas frases suas: «Η κυδωνιά ανθίζει» (O marmeleiro floresce) e «Το αμπέλι μεγαλώνει» (A videira cresce). Depois acrescente outra sobre uma planta que vê da sua janela.

Sabia que…?

  • O cânone alexandrino dos nove poetas líricos colocava Íbico ao lado de Safo, Alceu, Álcman, Estesícoro, Anacreonte, Simónides, Píndaro e Baquílides.
  • O fragmento 286 só sobrevive porque Ateneu o citou num livro de conversas de banquete, escrito mais de sete séculos depois de Íbico.
  • A expressão «αἱ Ἰβύκου γέρανοι» (os grous de Íbico) tornou-se provérbio para um crime revelado de forma inesperada.
  • Goethe planeou primeiro escrever ele próprio a balada dos grous; depois deixou o tema a Schiller e enviou-lhe conselhos sobre as aves.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Εγκώμιο του Πολυκράτη (S151 PMGF)Elogio de Polícrates — fragmento de papiro S151, atribuição habitual mas não certa6th c. BC
Ἦρι μὲν αἵ τε Κυδώνιαι (286 PMG)Na primavera os marmeleiros — fragmento 286 PMG6th c. BC
Ἔρος αὖτέ με (287 PMG)De novo Eros — fragmento 287 PMG, o velho cavalo de corrida6th c. BC
μή τι παρὰ θεοῖς ἀμβλακὼν (310 PMG)Medo de ofender os deuses — fragmento 310 PMG, citado no Fedro de Platão6th c. BC

Uma frase para reter

ἐμοὶ δ᾽ ἔρος οὐδεμίαν κατάκοιτος ὥραν.

Em grego de hojeΜα ο δικός μου έρωτας δεν ησυχάζει καμία εποχή.

emoì d’ éros oudemían katákoitos hṓran.

Mas para mim o amor não descansa em estação nenhuma.

Ίβυκος, απόσπ. 286 PMG, στ. 6–7· Αθήναιος, Δειπνοσοφισταί 13.601b
A1

Ler sobre Íbico em grego (A1)

Palavras do texto

  • floresço
  • cresço
  • primavera
  • jardim
  • água
  • calmo; tranquilo
  • coração
  • durmo

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