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Manto Mavrogenous
Adam Friedel · Public domain · Wikimedia Commons

A1Grécia moderna · Heroína de 1821

Manto Mavrogenous

Μαντώ Μαυρογένους

1796 – 1848 · Trieste; Míconos; Náuplia; Paros

Manto Mavrogenous (Μαντώ Μαυρογένους, 1796–1848) nasceu numa família abastada de comerciantes e cresceu entre Trieste e a ilha de Míconos (Mykonos). Quando a Guerra da Independência grega começou, em 1821, deu a sua fortuna à causa: armou navios, pagou soldados e liderou a defesa de Míconos contra um desembarque otomano. Terminou a vida na pobreza em Paros, e hoje a praça principal de Míconos tem o seu nome e a sua estátua.

A vida

Manto Mavrogenous nasceu em 1796 em Trieste, então um porto austríaco com uma rica comunidade de comerciantes gregos. O pai, Nikolaos Mavrogenis, era um negociante de Míconos, e a família era aparentada com a nobreza fanariota. Manto recebeu uma educação que poucas raparigas gregas do seu tempo tinham: estudou história e filosofia da Grécia antiga e aprendeu francês e italiano. Depois da morte do pai, a família fixou-se em Míconos.

Quando a Revolução rebentou, na primavera de 1821, Manto tinha cerca de vinte e cinco anos. Convenceu os notáveis de Míconos a aderir à revolta e usou a herança para equipar navios e pagar às tripulações. Em 1822, quando forças otomanas tentaram desembarcar na ilha, é lembrada por ter liderado os homens da terra que as repeliram. Seguiu depois para o Peloponeso e para a Eubeia, financiando e acompanhando grupos de combatentes, e escreveu cartas às mulheres da Europa Ocidental, sobretudo de Paris, pedindo-lhes que apoiassem a causa grega. Nesses anos esteve noiva de Dimitrios Ypsilantis, um dos líderes da Revolução, mas o noivado foi desfeito.

Depois da independência viveu em Náuplia, a primeira capital do novo Estado, e pediu ajuda ao governo, pois quase nada restava da sua riqueza. Recebeu pouco. Passou os últimos anos em Paros, pobre e em grande parte esquecida, e morreu ali em julho de 1848.

A obra

Manto Mavrogenous não escreveu livros nem ganhou batalhas famosas; o que fez foi dar. As revoluções precisam de dinheiro tanto como de coragem, e em 1821 não havia Estado grego, nem tesouro, nem exército regular. Os navios tinham de ser comprados, armados e tripulados por particulares, e os soldados tinham de ser alimentados. Manto pôs neste esforço a sua herança, uma das maiores de Míconos, e no fim da guerra tinha-a gasto quase toda.

É lembrada por três coisas. Primeiro, levou a sua ilha para a Revolução e ajudou a organizar a sua frota. Segundo, participou ela própria nos combates: a repulsa do desembarque otomano em Míconos em 1822 é o episódio que todos os relatos da sua vida contam, e mais tarde viajou com homens armados pelo continente. Terceiro, compreendeu o poder da opinião pública no estrangeiro. Educada em Trieste, fluente em línguas europeias, escreveu às mulheres europeias a pedir simpatia e apoio, numa época em que o filelenismo se espalhava por França, Grã-Bretanha e Alemanha.

Com Laskarina Bouboulina de Spetses, é uma das duas mulheres que as crianças gregas conhecem primeiro quando aprendem sobre 1821: duas ilhoas ricas que transformaram as suas fortunas em navios. A sua história é também uma lição discreta sobre o jovem Estado, que tardou a agradecer a quem o tinha pago.

O legado na Grécia de hoje

Vá a Míconos e encontra-a logo. A praça junto ao porto da cidade de Míconos é popularmente chamada Πλατεία Μαντώς (Praça de Manto), e lá está a sua estátua de bronze. A casa da família na cidade também é mostrada aos visitantes. Os gregos de uma certa idade lembram-se do seu rosto na moeda de duas dracmas, que circulou até à chegada do euro em 2002. Há ruas chamadas Μαντώς Μαυρογένους em Atenas, no Pireu e em muitas outras cidades, e as escolas celebram-na todos os anos por volta de 25 de março, feriado nacional da Revolução. A sua vida inspirou uma longa-metragem grega, Μαντώ Μαυρογένους (1971), com Jenny Karezi no papel principal, e vários romances e biografias.

Sabia que…?

  • Não nasceu na Grécia mas em Trieste, que então fazia parte do Império Austríaco.
  • Falava francês e italiano e escreveu às mulheres de Paris a pedir ajuda para a Grécia.
  • O seu retrato estava na moeda grega de duas dracmas, enquanto Bouboulina estava na de uma dracma.
  • Embora tivesse sido uma das mulheres mais ricas do Egeu, morreu pobre na ilha de Paros em 1848.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Η ένταξη της Μυκόνου στην ΕπανάστασηA entrada de Míconos na Revolução1821
Εξοπλισμός πλοίων με δικά της χρήματαArmar navios com o seu próprio dinheiro1821–1822
Η απόκρουση της απόβασης στη ΜύκονοA repulsa do desembarque otomano em Míconos1822
Εκστρατείες στην Πελοπόννησο και την ΕύβοιαCampanhas no Peloponeso e na Eubeia1822–1823
Επιστολή προς τις γυναίκες του ΠαρισιούCarta às mulheres de Paris1820s

Uma frase para reter

Πλατεία Μαντώς

Plateia Mantos

A Praça de Manto

The name Mykonians give the harbour square of Mykonos town, where her statue stands
A1

Ler sobre Manto Mavrogenous em grego (A1)

Palavras do texto

  • família
  • rico
  • dinheiro
  • liberdade
  • navio
  • eu luto
  • pobre
  • praça

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