A vida
Manto Mavrogenous nasceu em 1796 em Trieste, então um porto austríaco com uma rica comunidade de comerciantes gregos. O pai, Nikolaos Mavrogenis, era um negociante de Míconos, e a família era aparentada com a nobreza fanariota. Manto recebeu uma educação que poucas raparigas gregas do seu tempo tinham: estudou história e filosofia da Grécia antiga e aprendeu francês e italiano. Depois da morte do pai, a família fixou-se em Míconos.
Quando a Revolução rebentou, na primavera de 1821, Manto tinha cerca de vinte e cinco anos. Convenceu os notáveis de Míconos a aderir à revolta e usou a herança para equipar navios e pagar às tripulações. Em 1822, quando forças otomanas tentaram desembarcar na ilha, é lembrada por ter liderado os homens da terra que as repeliram. Seguiu depois para o Peloponeso e para a Eubeia, financiando e acompanhando grupos de combatentes, e escreveu cartas às mulheres da Europa Ocidental, sobretudo de Paris, pedindo-lhes que apoiassem a causa grega. Nesses anos esteve noiva de Dimitrios Ypsilantis, um dos líderes da Revolução, mas o noivado foi desfeito.
Depois da independência viveu em Náuplia, a primeira capital do novo Estado, e pediu ajuda ao governo, pois quase nada restava da sua riqueza. Recebeu pouco. Passou os últimos anos em Paros, pobre e em grande parte esquecida, e morreu ali em julho de 1848.
A obra

Manto Mavrogenous não escreveu livros nem ganhou batalhas famosas; o que fez foi dar. As revoluções precisam de dinheiro tanto como de coragem, e em 1821 não havia Estado grego, nem tesouro, nem exército regular. Os navios tinham de ser comprados, armados e tripulados por particulares, e os soldados tinham de ser alimentados. Manto pôs neste esforço a sua herança, uma das maiores de Míconos, e no fim da guerra tinha-a gasto quase toda.
É lembrada por três coisas. Primeiro, levou a sua ilha para a Revolução e ajudou a organizar a sua frota. Segundo, participou ela própria nos combates: a repulsa do desembarque otomano em Míconos em 1822 é o episódio que todos os relatos da sua vida contam, e mais tarde viajou com homens armados pelo continente. Terceiro, compreendeu o poder da opinião pública no estrangeiro. Educada em Trieste, fluente em línguas europeias, escreveu às mulheres europeias a pedir simpatia e apoio, numa época em que o filelenismo se espalhava por França, Grã-Bretanha e Alemanha.
Com Laskarina Bouboulina de Spetses, é uma das duas mulheres que as crianças gregas conhecem primeiro quando aprendem sobre 1821: duas ilhoas ricas que transformaram as suas fortunas em navios. A sua história é também uma lição discreta sobre o jovem Estado, que tardou a agradecer a quem o tinha pago.
O legado na Grécia de hoje
Vá a Míconos e encontra-a logo. A praça junto ao porto da cidade de Míconos é popularmente chamada Πλατεία Μαντώς (Praça de Manto), e lá está a sua estátua de bronze. A casa da família na cidade também é mostrada aos visitantes. Os gregos de uma certa idade lembram-se do seu rosto na moeda de duas dracmas, que circulou até à chegada do euro em 2002. Há ruas chamadas Μαντώς Μαυρογένους em Atenas, no Pireu e em muitas outras cidades, e as escolas celebram-na todos os anos por volta de 25 de março, feriado nacional da Revolução. A sua vida inspirou uma longa-metragem grega, Μαντώ Μαυρογένους (1971), com Jenny Karezi no papel principal, e vários romances e biografias.
Sabia que…?
- Não nasceu na Grécia mas em Trieste, que então fazia parte do Império Austríaco.
- Falava francês e italiano e escreveu às mulheres de Paris a pedir ajuda para a Grécia.
- O seu retrato estava na moeda grega de duas dracmas, enquanto Bouboulina estava na de uma dracma.
- Embora tivesse sido uma das mulheres mais ricas do Egeu, morreu pobre na ilha de Paros em 1848.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Η ένταξη της Μυκόνου στην Επανάσταση | A entrada de Míconos na Revolução | 1821 |
| Εξοπλισμός πλοίων με δικά της χρήματα | Armar navios com o seu próprio dinheiro | 1821–1822 |
| Η απόκρουση της απόβασης στη Μύκονο | A repulsa do desembarque otomano em Míconos | 1822 |
| Εκστρατείες στην Πελοπόννησο και την Εύβοια | Campanhas no Peloponeso e na Eubeia | 1822–1823 |
| Επιστολή προς τις γυναίκες του Παρισιού | Carta às mulheres de Paris | 1820s |
Da obra




Imagens do domínio público, Wikimedia Commons.
Uma frase para reter
Πλατεία Μαντώς
Plateia Mantos
A Praça de Manto


























