A vida
Jules Dassin nasceu a 18 de dezembro de 1911 em Middletown, no Connecticut, e cresceu no Harlem, em Nova Iorque. Nos anos 1930 começou no teatro como ator e autor, e foi membro do Partido Comunista de 1930 a 1939. Em 1940 foi para Hollywood, trabalhou como assistente de Alfred Hitchcock e realizou a sua primeira longa-metragem em 1942. Filmes policiais duros como Brute Force e The Naked City (de 1947 e 1948) tornaram-no conhecido.
Em 1950, na era de McCarthy, foi posto na lista negra de Hollywood por causa das suas ideias políticas e, no início dos anos 1950, partiu para a Europa. Em França filmou Rififi, que lhe valeu um prémio de realização partilhado em Cannes, em 1955. Também em França conheceu a atriz grega Melina Mercouri; casaram-se em 1966.
Quando a ditadura militar tomou o poder na Grécia em 1967, o casal viveu em Paris e lutou contra ela. Dassin regressou à Grécia com Mercouri em 1974 e ficou. Encenou peças em Atenas e, a partir de 1981, apoiou-a na campanha pela devolução dos mármores do Pártenon pelo Museu Britânico. Depois da morte dela, em 1994, criou a Fundação Melina Mercouri para continuar esse trabalho. Morreu em Atenas a 31 de março de 2008.
A obra
O caminho grego de Dassin começou com Celui qui doit mourir (Aquele que deve morrer, 1957), um filme francês baseado no romance de Nikos Kazantzakis Ο Χριστός ξανασταυρώνεται (Cristo recrucificado). Mais tarde disse que era o único dos seus filmes de que gostava verdadeiramente.
A sua obra grega mais conhecida é Ποτέ την Κυριακή (Nunca ao Domingo, 1960). Dassin escreveu-a, realizou-a e interpretou ele próprio Homer Thrace, um sério filólogo clássico americano que chega ao Pireu. Ali conhece Ilya, uma mulher livre do porto interpretada por Mercouri. Ele tenta «corrigi-la», enquanto ela lhe ensina a gozar a vida. Os diálogos misturam grego e inglês, e o porto do Pireu é o palco de toda a história. Mercouri partilhou o prémio de melhor atriz em Cannes em 1960. O filme recebeu cinco nomeações para os Óscares e venceu com a canção de Manos Hadjidakis, conhecida em grego como Τα παιδιά του Πειραιά (Os filhos do Pireu).
Com Mercouri fez outros filmes, entre eles Fedra, Topkapi e Um Sonho de Paixão (1978). Na Grécia trabalhou também em teatro. No Teatro Nacional encenou Um mês no campo, de Turguénev, e A casa dos corações partidos, de Shaw (ambas em 1984), e A gaivota, de Tchékhov (1988). Em 1985 encenou o Otello de Verdi para a Ópera Nacional da Grécia no Odeão de Herodes Ático.
O legado na Grécia de hoje
Na Grécia, Dassin é lembrado sobretudo por Ποτέ την Κυριακή e pela sua vida ao lado de Melina Mercouri. Τα παιδιά του Πειραιά, a canção do filme, continua a ser uma das canções gregas mais conhecidas no estrangeiro. A Fundação Melina Mercouri, que ele criou, manteve viva a campanha dela pelos mármores do Pártenon e defendeu um novo Museu da Acrópole suficientemente grande para mostrar as esculturas juntas.
Experimente: o título Ποτέ την Κυριακή contém um dia da semana. Diga os sete dias em grego, de Δευτέρα (segunda-feira) a Κυριακή (domingo). Depois descreva um porto numa frase: Το λιμάνι είναι μεγάλο και έχει πλοία (O porto é grande e tem navios). O filme mistura grego e inglês a velocidade natural, por isso veja uma cena com legendas e procure as palavras gregas que já conhece.
Sabia que…?
- Interpretou ele próprio o papel masculino principal de Nunca ao Domingo, o estudioso americano Homer Thrace.
- O seu filho Joe Dassin tornou-se um famoso cantor pop francês.
- Também encenou Illya Darling (1967), o musical da Broadway baseado em Nunca ao Domingo.
- Em 1985 encenou o Otello de Verdi ao ar livre, no Odeão de Herodes Ático, aos pés da Acrópole.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Ριφιφί | Rififi — filme francês de assalto; prémio de realização partilhado em Cannes | 1955 |
| Ο Χριστός ξανασταυρώνεται | Aquele que deve morrer — filme baseado no romance de Kazantzakis Cristo recrucificado | 1957 |
| Ποτέ την Κυριακή | Nunca ao Domingo — filme passado no Pireu, com Melina Mercouri | 1960 |
| Ένας μήνας στην εξοχή | Um mês no campo — peça de Turguénev, Teatro Nacional da Grécia | 1984 |
| Οθέλλος | Otello — ópera de Verdi, Ópera Nacional da Grécia, Odeão de Herodes Ático | 1985 |
| Ο γλάρος | A gaivota — peça de Tchékhov, Teatro Nacional da Grécia | 1988 |
Uma frase para reter
Ο Ζυλ Ντασσέν πέτυχε να βγάλει το Εθνικό Θέατρο από το τέλμα.
O Zyl Ntassén pétyche na vgálei to Ethnikó Théatro apó to télma.
Jules Dassin conseguiu tirar o Teatro Nacional do pântano.





























































