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Markos Botsaris
Unknown · Public domain · Wikimedia Commons

A1Grécia moderna · Capitão suliota de 1821

Markos Botsaris

Μάρκος Μπότσαρης

c. 1788 – 1823 · Souli, Epiro; Corfu; Missolonghi

Markos Botsaris (Μάρκος Μπότσαρης, c. 1788–1823), conhecido no estrangeiro como Marco Bozzaris, era um capitão de Souli, as aldeias de montanha do Epiro cujos habitantes combateram os otomanos durante gerações. Na Guerra da Independência defendeu Missolonghi e, em agosto de 1823, morreu a comandar um ataque noturno contra um exército otomano muito maior perto de Karpenisi. A sua morte fez dele um dos heróis mais amados de 1821, na Grécia e muito para além dela.

A vida

Botsaris nasceu por volta de 1788 em Souli, um conjunto de aldeias fortificadas nas montanhas do Epiro, num dos seus clãs principais; o pai era Kitsos Botsaris. Os suliotas, cristãos ortodoxos que falavam grego e albanês, resistiam há muito a Ali Paxá de Ioannina. Em 1803 Souli acabou por cair e as famílias suliotas deixaram as suas casas: algumas foram para Parga e muitas, entre elas a família Botsaris, passaram para Corfu e para as outras ilhas Jónicas. Aí o jovem Markos serviu durante anos num regimento albanês sob comando estrangeiro e, por volta de 1809, registou um pequeno vocabulário grego-albanês da fala suliota, um documento que ainda se conserva.

Quando Ali Paxá rompeu com o sultão em 1820, os suliotas regressaram ao Epiro e Botsaris aderiu à sociedade secreta Filiki Eteria. Na Revolução combateu no oeste da Grécia: na batalha de Peta, em julho de 1822, uma pesada derrota grega, e no primeiro cerco de Missolonghi, no inverno de 1822–23, a que os defensores sobreviveram. Em agosto de 1823 um grande exército otomano comandado por Mustafá Paxá marchava para sul. Na noite de 8 para 9 de agosto (21 de agosto no calendário moderno), Botsaris liderou algumas centenas de suliotas num ataque surpresa ao seu acampamento perto de Karpenisi. O ataque resultou, mas Botsaris foi atingido a tiro e morreu nessa noite. Os seus homens levaram o corpo para Missolonghi, onde foi sepultado.

A obra

Botsaris não deixou livros e deixou poucas cartas; o que deixou foi uma batalha e um exemplo. O ataque noturno de Karpenisi foi, em termos militares, uma ação pequena, e não travou o exército otomano. Mas a história de um capitão que escolheu o lugar mais perigoso, à frente dos seus homens, e tombou no momento da vitória espalhou-se logo por toda a Grécia e pela Europa. Solomós registou, e os manuais escolares gregos ainda contam, como na véspera da batalha, quando outros capitães se ressentiam da nomeação de general que o governo lhe dera, ele a rasgou para manter os gregos unidos.

No estrangeiro, a sua morte aconteceu nos anos em que a Europa estava cheia de entusiasmo pela causa grega. Em 1825 o poeta norte-americano Fitz-Greene Halleck publicou Marco Bozzaris, um longo poema que as crianças das escolas americanas decoraram durante décadas, e Dionysios Solomós, o poeta do hino nacional grego, também lhe dedicou versos. A família manteve-se próxima do novo Estado grego: o irmão Kostas Botsaris tornou-se general e senador, e a filha Katerina, chamada Rosa, tornou-se dama de companhia da rainha Amália em Atenas, famosa pela sua beleza. Para os gregos, Botsaris faz parte da história de Souli no seu todo: a resistência a Ali Paxá, as mulheres de Zalongo, o exílio em Corfu e o regresso para combater em 1821.

O legado na Grécia de hoje

Passeie por qualquer cidade grega e provavelmente encontrará uma οδός Μάρκου Μπότσαρη, uma Rua Markos Botsaris; escolas e praças também têm o seu nome. Em Missolonghi o seu túmulo está no Κήπος των Ηρώων (Jardim dos Heróis), o parque onde a cidade guarda a memória do cerco e dos estrangeiros, como Lord Byron, que ajudaram os gregos. As crianças aprendem o seu nome na escola primária como um dos heróis de 1821, e a 25 de março, Dia da Independência grega, o seu retrato aparece ao lado dos de Kolokotronis e Bouboulina. O local do ataque noturno, em Kefalovryso, perto de Karpenisi, está assinalado por um monumento em sua honra. Se lê inglês, o poema de Halleck é a melhor forma de ver como os leitores estrangeiros do século XIX o viam.

Sabia que…?

  • O vocabulário grego-albanês que registou em Corfu por volta de 1809 é um dos poucos registos escritos da fala suliota.
  • O poema de Fitz-Greene Halleck «Marco Bozzaris» (1825) tornou-o famoso nos Estados Unidos.
  • Morreu na noite em que o seu ataque teve êxito, perto de Karpenisi, em agosto de 1823.
  • A filha, Rosa Botsari, tornou-se dama de companhia na corte do rei Otão e da rainha Amália.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Λεξικό ελληνικό και αρβανίτικο (σουλιώτικο)Vocabulário grego e albanês (suliota)c. 1809
Η μάχη του ΠέταA batalha de Peta1822
Η πρώτη πολιορκία του ΜεσολογγίουO primeiro cerco de Missolonghi1822–1823
Η νυχτερινή επίθεση στο Κεφαλόβρυσο του ΚαρπενησίουO ataque noturno em Kefalovryso, perto de Karpenisi1823

Uma frase para reter

Έσκισε το δίπλωμα της στρατηγίας του.

Eskise to diploma tis stratigias tou.

Rasgou a sua nomeação de general.

Greek school history book for the 6th grade (Ιστορία ΣΤ΄ Δημοτικού, «Ο Μάρκος Μπότσαρης»), on the eve of his last battle, 1823; Solomos also recorded the episode
A1

Ler sobre Markos Botsaris em grego (A1)

Palavras do texto

  • herói
  • aldeia
  • montanha
  • corajoso
  • liberdade
  • combato, luto
  • noite
  • rua, estrada

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