A vida
Ismini Kapandai nasceu em Atenas em 1939 e cresceu no bairro de Kolonaki, numa casa cheia de livros. Numa entrevista à revista grega LiFO em 2020 disse que a leitura a amparou em todas as fases da vida. A mãe tinha raízes na Ásia Menor e estudara em Londres; o pai era engenheiro mecânico e eletrotécnico. Casou com o poeta e escultor Vasos Kapantais, de família originária de Pérgamo e falecido em 1990.
A sua escrita nasceu de conversas com o marido sobre o que significa ser um grego moderno, um νεοέλληνας. Essa pergunta levou-a a ler sobre as revoltas gregas sob domínio otomano, e a pesquisa tornou-se o seu primeiro livro, Επτά φορές το δαχτυλίδι (Sete vezes o anel), publicado pela Estia em 1989. Em 1990 seguiu-se Απειρωτάν και Τούρκων (De epirotas e turcos). Recebeu o Prémio de Letras Cristãs em 1990 e o Prémio Ourani da Academia de Atenas em 1992. Desde então publicou mais de dez romances pela Estia, Kastaniotis e Ikaros, além de um livro infantil, álbuns ilustrados sobre os gregos da Ásia Menor e as igrejas de Constantinopla, contos em jornais e revistas e textos para documentários. Também traduz para grego, de Mathilda de Mary Shelley a As Torres de Barchester de Anthony Trollope. Em 2001 a revista literária Εξώπολις (Exopolis) dedicou à sua obra um conjunto de páginas, com uma longa entrevista.
A obra

A maioria dos romances de Kapandai é histórica, mas ela disse que o seu objetivo é «a verdade do texto literário», não uma lição de história. Το άλας της γης (O sal da terra, 2002) passa-se em Tessalónica na primeira metade do século XIV, durante um conflito dentro da classe dirigente que se tornou uma luta entre classes sociais. Εμείς έχουμε εμάς (Nós temos a nós mesmos, 2007) move-se entre o Epiro, as ilhas Jónicas e a Itália sob domínio otomano. Σικελικός Εσπερινός (Vésperas sicilianas) começa na Creta veneziana, no reinado do imperador Miguel VIII Paleólogo e da União das Igrejas de 1274, e depois viaja até à Sicília e a Constantinopla. Η Φλώρια των νερών (Floria das águas, 1999), uma história de amor sobre o estrangeiro e o problema da pertença, chegou aos leitores de língua inglesa em 2002 na tradução de Rick Newton, que ganhou o Prémio de Tradução Elizabeth Constantinides da Modern Greek Studies Association.
Escreve também sobre épocas mais recentes. Με θέα τη ζωή (Com vista para a vida, 2009) acompanha uma mulher que conta a ascensão e a queda da sua família ao longo do século XX, e Αστική οικία στο Χαλάνδρι (Uma casa burguesa em Chalandri, 2017) é um romance policial passado num subúrbio de Atenas em meados dos anos 1990. Το βρωμερόν ύδωρ της λήθης (A água fétida do esquecimento, 2020) regressa a Atenas logo após o assassinato de Ioannis Kapodistrias em 1831; o título vem do texto anónimo de 1806 Ελληνική Νομαρχία. Os seus livros foram também publicados em Montreal, Sófia, Belgrado e Milão.
O legado na Grécia de hoje
Os romances de Kapandai continuam disponíveis pela Kastaniotis e pela Ikaros, e centros culturais e bibliotecas municipais da Ática convidaram-na para clubes de leitura, em Chalandri em 2010 e em Aspropyrgos em 2018. O Centro da Língua Grega regista as páginas de 2001 de Εξώπολις sobre ela no seu arquivo digital de revistas. Para um primeiro passo em grego, escolha um cenário desta página: Θεσσαλονίκη, 14ος αιώνας (Tessalónica, século XIV) ou Αθήνα, 1831 (Atenas, 1831). Pergunte Πού; (Onde?) e Πότε; (Quando?) e responda com duas frases curtas suas: Η ιστορία είναι στη Θεσσαλονίκη. Είναι ο 14ος αιώνας (A história é em Tessalónica. É o século XIV). Estas frases de prática são nossas, não citações dos seus livros.
Sabia que…?
- O seu primeiro livro nasceu de conversas com o marido sobre o que faz de alguém um grego moderno.
- A tradução inglesa de Η Φλώρια των νερών valeu um prémio ao seu tradutor em 2002.
- O título Το βρωμερόν ύδωρ της λήθης vem de um texto grego anónimo de 1806.
- Traduziu para grego Mathilda, de Mary Shelley.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Επτά φορές το δαχτυλίδι | Sete vezes o anel | 1989 |
| Απειρωτάν και Τούρκων | De epirotas e turcos | 1990 |
| Η Φλώρια των νερών | Floria das águas | 1999 |
| Το άλας της γης | O sal da terra | 2002 |
| Εμείς έχουμε εμάς | Nós temos a nós mesmos | 2007 |
| Το βρωμερόν ύδωρ της λήθης | A água fétida do esquecimento | 2020 |
Uma frase para reter
Όταν, λοιπόν, ως πολίτες δεν γνωρίζουμε το παρελθόν, πώς είναι δυνατόν να κατανοήσουμε το παρόν;
Ótan, lipón, os polítes den gnorízoume to parelthón, pos íne dynatón na katanoísoume to parón?
Então, quando como cidadãos não conhecemos o passado, como é possível compreendermos o presente?















































