A vida
Vassilis Alexakis (também grafado Vasilis Alexakis) nasceu em Atenas a 25 de dezembro de 1943 e cresceu no bairro de Kallithea; a família era originária de Santorini. Em 1961, com 17 anos e sem saber francês, partiu para França com uma bolsa para estudar jornalismo em Lille. Regressou à Grécia por volta de 1964 para cumprir o serviço militar. Depois do golpe dos coronéis de 1967 voltou a partir e, em 1968, instalou-se em Paris, que continuou a ser a sua casa principal para o resto da vida.
Em Paris trabalhou como jornalista e crítico literário, colaborando durante muitos anos com o Le Monde e também com o La Croix e a France Culture. Desenhava cartoons e realizou curtas-metragens. O primeiro romance, Le Sandwich, saiu em francês em 1974. Por volta de 1980 publicou Τάλγκο (Talgo), o primeiro livro que escreveu em grego; vendeu mais de 200 000 exemplares e foi adaptado ao cinema em 1984 por Giorgos Tsemperopoulos como Ξαφνικός έρωτας (Amor Súbito). A partir daí passou os seus livros do francês para o grego e vice-versa, traduzindo-os ou reescrevendo-os ele próprio.
Entre as suas distinções contam-se o Prémio Médicis em 1995, vários prémios da Académie française e o Prémio Estatal grego de romance em 2004. Em 2017 a Universidade de Atenas atribuiu-lhe o doutoramento honoris causa. Dividia o tempo entre Paris, Atenas e a ilha de Tinos, e morreu em Atenas a 11 de janeiro de 2021, aos 77 anos.
A obra
A língua é a personagem principal dos livros da maturidade de Alexakis. Em Η μητρική γλώσσα (A Língua Materna, 1995), Pavlos, um ilustrador grego que vive em Paris, regressa à Grécia e tenta descobrir o significado da letra E que outrora estava pendurada à entrada do templo de Apolo em Delfos. A busca torna-se uma forma de se reaproximar do seu país, da família e da primeira língua. Alexakis escreveu o texto grego e fez ele próprio a versão francesa, La Langue maternelle, que ganhou o Prémio Médicis.
Οι ξένες λέξεις (Palavras Estrangeiras, 2002) volta-se para uma terceira língua: o narrador aprende sango, uma língua da República Centro-Africana. O próprio Alexakis aprendeu sango e viajou pela África Central; numa entrevista de 2008 disse que achava demasiado estreito o quadro de duas línguas. Palavras Estrangeiras foi o seu primeiro romance traduzido para inglês. Em μ.Χ. (Ap. J.-C., 2007), um estudante de história antiga investiga os mosteiros do Monte Athos a pedido de uma mulher muito idosa e rica; o livro critica o poder da Igreja Ortodoxa e ganhou o Grande Prémio de romance da Académie française. O último romance, Το κλαρινέτο (O Clarinete, 2015), chora o amigo e editor Jean-Marc Roberts enquanto descreve a Grécia da crise económica. A ironia e o humor negro atravessam todos estes livros, juntamente com uma atenção cuidadosa a cada palavra.
O legado na Grécia de hoje
Na Grécia, Alexakis é lido como um escritor que trouxe a emigração e o bilinguismo para a prosa grega, e os seus livros em grego continuam à venda. É também um guia natural para quem aprende grego como segunda língua. Comece pela frase dele no quadro abaixo: a língua materna não é «a língua da mãe», mas a língua da rua, a língua local. Encontre μητρική γλώσσα (língua materna) e ξένη γλώσσα (língua estrangeira) no texto grego desta página. Depois escreva três frases da sua biografia linguística, por exemplo: Η μητρική μου γλώσσα είναι… (A minha língua materna é…) e Έμαθα την πρώτη ξένη γλώσσα στο σχολείο (Aprendi a minha primeira língua estrangeira na escola). Por fim, veja as obras principais e diga em grego em que língua um livro foi escrito primeiro: Το «Τάλγκο» γράφτηκε στα ελληνικά (Talgo foi escrito em grego).
Sabia que…?
- Chegou a França aos 17 anos sem falar francês e mais tarde ganhou grandes prémios literários franceses.
- Aprendeu sango, uma língua da República Centro-Africana, e fez dela tema de um romance.
- Τάλγκο (Talgo) foi adaptado ao cinema em 1984 como Ξαφνικός έρωτας (Amor Súbito).
- Numa entrevista de 2008 disse que escrevia com dificuldade nas suas duas línguas.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Le Sandwich | A Sanduíche — escrito em francês | 1974 |
| Τάλγκο | Talgo — escrito em grego | c. 1980 |
| Η μητρική γλώσσα | A Língua Materna | 1995 |
| Οι ξένες λέξεις | Palavras Estrangeiras | 2002 |
| μ.Χ. | d.C. (Ap. J.-C.) | 2007 |
| Το κλαρινέτο | O Clarinete | 2015 |
Uma frase para reter
Η «μητρική γλώσσα» δεν είναι η γλώσσα «της μάνας», είναι η γλώσσα του δρόμου, η τοπική γλώσσα.
I «mitrikí glóssa» den íne i glóssa «tis mánas», íne i glóssa tou drómou, i topikí glóssa.
A «língua materna» não é a língua «da mamã»; é a língua da rua, a língua local.





























































