A vida
Baquílides nasceu em Iúlis, a principal cidade da ilha de Kea, a que os autores antigos chamavam Ceos. O geógrafo Estrabão nomeia o poeta Simónides e o seu sobrinho Baquílides como naturais de Iúlis. A tradição posterior faz da mãe do poeta uma irmã mais nova de Simónides e refere um avô do mesmo nome que foi atleta. As suas datas são incertas. O Centro da Língua Grega indica cerca de 510–450 a.C., enquanto cronógrafos antigos sugerem que talvez ainda vivesse por volta de 431–428 a.C. Seguro é o período da sua obra mais bem documentada, as décadas de 470 e 460 a.C.
Tal como o tio, Baquílides escreveu para mecenas de todo o mundo grego. As suas odes conservadas foram compostas para vencedores e festas ligados a Kea, Egina, Atenas, Tessália, Metaponto no sul de Itália e Siracusa. O seu mecenas mais prestigiado foi Hierão, governante de Siracusa, na Sicília. Em 476 a.C. enviou a Hierão uma ode pela vitória do seu cavalo de corrida Ferenico em Olímpia, e em 468 a.C. celebrou a vitória olímpica de Hierão na corrida de carros, para a qual não se conhece nenhum poema de Píndaro. Os leitores antigos comparavam muitas vezes os dois poetas.
Plutarco, no tratado Sobre o exílio, inclui o poeta Baquílides entre os escritores que produziram obras quando estavam banidos e situa-o no Peloponeso. A causa e a data deste exílio são desconhecidas.
A obra

Os eruditos alexandrinos organizaram os poemas de Baquílides em nove livros, mas na Idade Média só sobreviviam citações noutros autores. Em 1896 o Museu Britânico adquiriu os restos de rolos de papiro vindos do Egito, copiados no século II d.C. e hoje Papiro 733 da British Library. Frederic Kenyon publicou-os em 1897. Conservam cerca de vinte poemas, com mais de mil versos completos ou quase completos: odes de vitória (ἐπίνικοι, epinícios) e ditirambos, cantos para coros em festivais.
As odes de vitória seguem o esquema que Píndaro também usava: elogio do vencedor, um mito e uma reflexão sobre a fortuna humana. Em Baquílides o mito ocupa muitas vezes o centro e é narrado com vivacidade. A ode 5 envia Héracles ao mundo dos mortos, onde encontra a sombra de Meleagro. A ode 3 conta como o rei lídio Creso subiu a uma pira quando Sardes caiu e foi salvo por Apolo; no fim, o poeta chama a si mesmo o rouxinol de Ceos de língua de mel.
Os ditirambos mostram o seu talento dramático. Na ode 17, Ἠίθεοι ἢ Θησεύς (Os jovens atenienses, ou Teseu), Teseu mergulha do navio de Minos e é recebido por Anfitrite nas moradas de Poséidon. A ode 18, Θησεύς (Teseu), é inteiramente diálogo: um coro interroga o rei Egeu, que relata que um arauto chegou a pé do Istmo com notícias de um jovem herói desconhecido. A sua língua é um grego coral literário com coloração dórica, embora use menos formas dóricas do que a maioria dos poetas corais.
O legado na Grécia de hoje
Desde 1896 é muito mais fácil conhecer Baquílides: o Papiro 733 está guardado na British Library e o Centro da Língua Grega disponibiliza em linha as suas odes de vitória e ditirambos com traduções em grego moderno. Iúlis, hoje Ιουλίδα, continua a ser a principal cidade de Kea. Experimente: leia os dois versos citados da ode 18 e a nossa versão em grego moderno. Compare κᾶρυξ com κήρυκας e repare no alfa longo onde o grego moderno tem eta. Depois escreva cinco frases sobre a chegada a um lugar novo, usando έφτασα (cheguei) e με υποδέχτηκαν (receberam-me), por exemplo Έφτασα στην Κέα με το πλοίο και με υποδέχτηκαν φίλοι στο λιμάνι (Cheguei a Kea de barco e uns amigos receberam-me no porto). O nível C2 descreve esta atividade adaptada, não a leitura autónoma do original antigo.
Sabia que…?
- Estrabão apresenta Baquílides como sobrinho de Simónides; ambos eram de Iúlis, em Kea.
- No fim da ode 3 o poeta chama a si mesmo o rouxinol de Ceos.
- O papiro que devolveu os seus poemas foi copiado cerca de seis séculos depois da sua época.
- A ode 18 está escrita inteiramente como um diálogo entre um coro e o rei Egeu.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Επίνικος 5 — Ἱέρωνι Συρακοσίῳ κέλητι | Ode 5 — para o cavalo de corrida de Hierão em Olímpia | 476 BC |
| Επίνικος 3 — Ἱέρωνι Συρακοσίῳ ἵπποις Ὀλύμπια | Ode 3 — para a vitória de Hierão na corrida de carros de Olímpia | 468 BC |
| Διθύραμβος 17 — Ἠίθεοι ἢ Θησεύς | Ode 17 — Os jovens atenienses, ou Teseu (ditirambo) | ? |
| Διθύραμβος 18 — Θησεύς | Ode 18 — Teseu (ditirambo dialogado) | ? |
Uma frase para reter
Νέον ἦλθεν δολιχὰν ἀμείψας κᾶρυξ ποσὶν Ἰσθμίαν κέλευθον·
Em grego de hojeΜόλις έφτασε ένας κήρυκας· διέσχισε πεζός τον μακρύ δρόμο από τον Ισθμό.
Néon ē̂lthen dolichàn ameípsas kâryx posìn Isthmían kéleuthon
Acaba de chegar um arauto, depois de percorrer a pé o longo caminho desde o Istmo.










































