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Lorentzos Mavilis
GualdimG · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

B2Grécia moderna · Poeta

Lorentzos Mavilis

Λορέντζος Μαβίλης

1860 – 1912 · Ítaca; Corfu; Alemanha

Lorentzos Mavilis (Λορέντζος Μαβίλης, 1860–1912) escreveu apenas algumas dezenas de poemas, quase todos sonetos, e vários deles, Λήθη (Esquecimento), Ελιά (Oliveira), Καλλιπάτειρα, estão entre os poemas mais perfeitamente construídos do grego moderno. Corfiota de ascendência espanhola, doutor em filosofia que lia sânscrito e compunha problemas de xadrez, combateu como voluntário em 1897, defendeu a língua demótica no Parlamento e, aos cinquenta e dois anos, morreu a combater pela Grécia em Driskos, perto de Ioánina.

A vida

Mavilis nasceu a 6 de setembro de 1860 em Ítaca, onde o pai era juiz; a família, de origem espanhola, fixara-se em Corfu, e Corfu era a sua terra. Cresceu no círculo da escola jónica ou heptanésia, a tradição corfiota que descendia de Solomós e era mantida viva por Iakovos Polylas, que se tornou o seu mentor. Depois de uma breve passagem pela Universidade de Atenas, partiu em 1878 para a Alemanha e lá ficou, com interrupções, mais de uma década: Munique, Erlangen, Friburgo, estudando filosofia, filologia clássica e indiana, e doutorando-se em Erlangen em 1890. Aprendeu o sânscrito suficientemente bem para traduzir episódios do Mahabharata, leu Kant e Schopenhauer e compôs problemas de xadrez publicados em revistas de xadrez europeias.

De regresso a Corfu na década de 1890, escreveu a maior parte dos seus sonetos e viveu como um fidalgo erudito, mas a causa nacional não parava de o afastar da secretária. Em 1896 juntou-se à insurreição cretense contra os otomanos e, na guerra de 1897, combateu como voluntário no Epiro e foi ferido na mão. Em 1910 foi eleito para o Parlamento revisionista como deputado por Corfu, e aí, em 1911, proferiu o discurso pelo qual é recordado para além da poesia, defendendo a língua falada contra quem a chamava vulgar.

Quando a Primeira Guerra Balcânica rebentou em outubro de 1912, Mavilis, com cinquenta e dois anos, alistou-se de novo como voluntário, juntando-se ao corpo de camisas vermelhas garibaldinos que combatia no Epiro. A 28 de novembro de 1912 foi mortalmente ferido na batalha de Driskos, nas alturas sobre Ioánina. As suas últimas palavras registadas foram que esperara muitas honras desta guerra, mas não a honra de morrer pela Grécia.

A obra

Mavilis é o sonetista da poesia grega. Pegou na forma italiana de catorze versos, que as ilhas Jónicas conheciam dos seus séculos venezianos, e deu-lhe uma densidade de som e de pensamento que ninguém alcançara antes em grego: cada rima é natural, cada verso tem peso e o último terceto dá a volta ao poema inteiro. A sua língua é o rico demótico de Corfu, com palavras insulares e inversões ousadas, e os seus temas são os de um homem que lia Schopenhauer e contemplava o mar: a paz da morte, a beleza do mundo natural, a pátria, a memória.

Os sonetos mais conhecidos são Λήθη (Esquecimento), que abre com o verso que todo o grego conhece, segundo o qual os mortos são afortunados porque esquecem a amargura da vida, e pede aos vivos que não os chorem ao entardecer; Ελιά (Oliveira), em que um enxame de abelhas se aninha no oco de uma oliveira antiga e a árvore moribunda é consolada pela vida que traz dentro; Καλλιπάτειρα, sobre a nobre de Rodes que, disfarçada de treinador, entrou nos Jogos Olímpicos, reservados aos homens, para ver o filho coroado; Πατρίδα (Pátria), escrito no regresso da Alemanha; e Μούχρωμα (Crepúsculo) e Έρμονες, com o nome de uma baía da costa ocidental de Corfu. Deixou também traduções: do sânscrito, de Shelley, de poetas alemães.

O seu discurso parlamentar de 1911 pertence à obra ao lado dos poemas. No debate sobre se a constituição devia proclamar a katharévussa, a língua escrita arcaizante, língua oficial do Estado, Mavilis declarou que não existe língua vulgar, apenas gente vulgar, e que muita gente vulgar fala katharévussa. A frase, proferida no grego formal do Parlamento, continua a ser a tirada mais conhecida do movimento demoticista.

O legado na Grécia de hoje

Λήθη, Ελιά e Καλλιπάτειρα são presença fixa nas antologias escolares gregas, e «Καλότυχοι οι νεκροί που λησμονάνε» é um dos versos que os gregos mais recitam em funerais e cerimónias de homenagem. Corfu honra-o com um busto e uma rua, e há ruas Μαβίλη em Atenas, Salónica e muitas outras cidades; a praça Μαβίλη, no centro de Atenas, é um conhecido ponto de encontro. Em Driskos, perto de Ioánina, um monumento assinala o local onde tombou. O seu discurso sobre a língua é citado sempre que os gregos discutem o grego correto e incorreto. Um aprendente pode ler Λήθη, apenas catorze versos, em voz alta: o som é o essencial.

Sabia que…?

  • Era doutor em filosofia por uma universidade alemã e lia sânscrito, do qual traduziu para verso grego episódios do Mahabharata.
  • Compunha problemas de xadrez que saíam em revistas de xadrez europeias, um passatempo raro para um poeta.
  • Combateu como voluntário em três guerras, em Creta em 1896, no Epiro em 1897 e de novo em 1912, e morreu na última aos cinquenta e dois anos.
  • Toda a sua obra poética soma cerca de cinquenta sonetos e um punhado de outros poemas, e no entanto três ou quatro deles estão em todas as antologias escolares gregas.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Μεταφράσεις από τα σανσκριτικά (Μαχαμπχαράτα)Traduções do sânscrito (episódios do Mahabharata)1880s–1890s
ΕλιάOliveira (soneto)1890s
ΛήθηEsquecimento (soneto)1890s
ΚαλλιπάτειραKallipateira (soneto)c. 1900
Η αγόρευση για τη δημοτική στη ΒουλήO discurso parlamentar a favor do grego demótico1911
Η μάχη του ΔρίσκουA batalha de Driskos, onde tombou1912

Uma frase para reter

Καλότυχοι οι νεκροί, που λησμονάνε / την πίκρια της ζωής.

Kalotychoi oi nekroi, pou lismonane / tin pikria tis zois.

Afortunados os mortos, que esquecem / a amargura da vida.

Λήθη (Oblivion), sonnet

No texto original

O texto tal como Lorentzos Mavilis o escreveu, em domínio público, com a nossa própria tradução ao lado.

«Λήθη»Lete

O soneto completo, na ortografia politónica da sua impressão de 1936: ao crepúsculo os mortos vão beber à fonte do Lete, e uma lágrima vertida pelos vivos turva-lhe a água. A citação da página é o seu primeiro verso e meio.

Καλότυχοι oἱ νεκροὶ ποὺ λησμονᾶνεFelizes os mortos, que esquecem
τὴν πίκρα τῆς ζωῆς. Ὅντας βυθίσηa amargura da vida. Quando o sol
ὁ ἥλιος καὶ τὸ σούρουπο ἀκλουθήση,se tiver afundado e o crepúsculo o seguir,
μὴν τοὺς κλαῖς, ὁ καημός σου ὅσος καὶ νἆναι.não chores por eles, por maior que seja a tua mágoa.
Τέτοιαν ὥρα οἱ ψυχὲς διψοῦν καὶ πᾶνεA essa hora as almas têm sede e vão
στῆς λησμονιάς τὴν κρουσταλλένια βρύσηà fonte de cristal do esquecimento;
μὰ βοῦρκος τὸ νεράκι θὰ μαυρίση,mas a água tornar-se-á negra como lodo
ἂν στάξη γι’ αὐτὲς δάκρυ ὅθε ἀγαπᾶνε.se por elas cair uma lágrima de quem as ama.
Κι’ ἂν πιοῦν θολὸ νερὸ ξαναθυμοῦνται,E se bebem água turva, voltam a lembrar-se,
διαβαίνοντας λειβάδια ἀπὸ ἀσφοδίλι,ao atravessar os prados de asfódelos,
πόνους παληοὺς ποὺ μέσα τους κοιμοῦνται.de velhas dores que dormem dentro delas.
Ἂν δὲ μπορῆς παρὰ νὰ κλαῖς τὸ δεῖλι,Se não podes deixar de chorar ao entardecer,
τοὺς ζωντανοὺς τὰ μάτια σου ἂς θρηνήσουν:que os teus olhos chorem pelos vivos:
θέλουν—μὰ δὲ βολεῖ νὰ λησμονήσουν.eles querem esquecer, mas não conseguem.

«Λήθη» (sonnet, 1890s; text of the 1936 printing in «Μπουκέτο»), complete · Texto em domínio público, fonte: el.wikisource.org

B2

Ler sobre Lorentzos Mavilis em grego (B2)

Palavras do texto

  • soneto
  • cuidado
  • amargura
  • descrevo
  • voluntário
  • deputado
  • vulgar
  • ensino

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