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B2Grécia moderna · Poeta

Tasos Livaditis

Τάσος Λειβαδίτης

1922 – 1988 · Atenas

Tasos Livaditis (Τάσος Λειβαδίτης, 1922–1988), também escrito Leivaditis, é o poeta ateniense que passou do verso combativo da esquerda do pós-guerra aos poemas em prosa ternos e oníricos dos seus últimos livros. Desterrado para os campos insulares de Makronisos e Ai Stratis após a guerra civil, escreveu Μάχη στην άκρη της νύχτας (Batalha à Beira da Noite) e, com Mikis Theodorakis, a canção Δραπετσώνα. Hoje os jovens gregos citam os seus últimos poemas mais do que nunca.

A vida

Livaditis nasceu em Atenas a 20 de abril de 1922 e cresceu nos bairros populares da cidade, que viriam a encher a sua poesia. Matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Atenas, mas a guerra e a ocupação alemã interromperam tudo. Como muitos jovens da sua geração, juntou-se à Resistência através das organizações juvenis de esquerda, e manteve-se fiel à esquerda durante a maior parte da vida.

Durante a guerra civil foi preso e, de 1948 a 1951, esteve detido nos campos para onde o Estado grego enviava os seus opositores políticos: na ilha de Lemnos, em Makronisos, o tristemente célebre campo de «reeducação», e em Agios Efstratios, a que os gregos chamam Ai Stratis. Ali, entre outros escritores e artistas desterrados, continuou a escrever; em Makronisos começou os poemas de Φυσάει στα σταυροδρόμια του κόσμου. Depois de libertado publicou a sua primeira coletânea em 1952 e trabalhou como jornalista, sobretudo como crítico de poesia do jornal de esquerda Αυγή.

Nas décadas de 1960 e 1970 a sua poesia mudou. As desilusões da esquerda, a ditadura de 1967–1974 e a sua crescente interioridade levaram-no a uma voz mais serena e pessoal, e nos últimos anos viveu em Atenas uma vida modesta, quase retirada. Escreveu até ao fim. Morreu em Atenas a 30 de outubro de 1988; os seus últimos manuscritos foram publicados depois da sua morte.

A obra

A obra de Livaditis divide-se em dois períodos. Os primeiros poemas, de Μάχη στην άκρη της νύχτας (Batalha à Beira da Noite, 1952) e Φυσάει στα σταυροδρόμια του κόσμου (O Vento Sopra nas Encruzilhadas do Mundo, 1953) até Καντάτα (Cantata, 1960), são poemas longos e retóricos de luta, escritos para os camaradas e para os pobres, cheios de esperança num mundo melhor. Falam do exílio, dos mortos da guerra civil, de mães e operários, numa voz apaixonada e aberta, feita para ser lida em voz alta.

As suas letras de canções pertencem ao mesmo mundo. Com Mikis Theodorakis escreveu Δραπετσώνα, a canção de uma família pobre do bairro de barracas do Pireu cuja casa é demolida, e Βρέχει στη φτωχογειτονιά (Chove no Bairro Pobre), cantada no filme Συνοικία το όνειρο (Bairro do Sonho, 1961). Δραπετσώνα, cantada por Grigoris Bithikotsis, tornou-se um clássico dos anos 1960.

A partir de Νυχτερινός επισκέπτης (Visitante Noturno, 1972), e sobretudo em Βιολέτες για μια εποχή (Violetas para uma Época, 1985) e Μικρό βιβλίο για μεγάλα όνειρα (Pequeno Livro para Grandes Sonhos, 1987), escreveu breves poemas em prosa, quase parábolas. Um homem só atravessa a cidade à noite, fala com Deus, com os mortos, com a sua própria infância; objetos comuns, uma cadeira, um candeeiro, um casaco, tornam-se estranhos e ternos. O tom é melancólico, mas cheio de compaixão e de um humor discreto e inesperado. Estes livros, que muitos críticos consideram os seus melhores, fizeram dele um dos poetas gregos mais amados do final do século XX.

O legado na Grécia de hoje

Livaditis é hoje um dos poetas gregos mais partilhados: pequenos excertos dos seus últimos poemas em prosa circulam constantemente nas redes sociais, em cadernos escolares e em cartazes, muitas vezes entre pessoas que nunca leram um livro de poesia inteiro. A sua poesia reunida está sempre à venda. Δραπετσώνα e Βρέχει στη φτωχογειτονιά continuam a ser cantadas, tanto nas gravações originais como por cantores mais novos. Um aprendente pode ouvir Δραπετσώνα e acompanhar a sua história simples e comovente, depois abrir Βιολέτες για μια εποχή e ler um único poema curto por dia: as frases são claras, as imagens concretas, e cada texto tem só algumas linhas.

Sabia que…?

  • Esteve detido em campos de três ilhas, Lemnos, Makronisos e Ai Stratis, antes de ter publicado um único livro.
  • Os seus primeiros poemas eram lidos em voz alta em comícios políticos; os últimos leem-se a sós, à noite.
  • A canção Δραπετσώνα conta a história de uma família cuja barraca é deitada abaixo pelas autoridades.
  • Alguns dos seus últimos poemas só foram publicados depois da sua morte, em 1988.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Μάχη στην άκρη της νύχταςBatalha à Beira da Noite1952
Φυσάει στα σταυροδρόμια του κόσμουO Vento Sopra nas Encruzilhadas do Mundo1953
ΚαντάταCantata1960
Νυχτερινός επισκέπτηςVisitante Noturno1972
Βιολέτες για μια εποχήVioletas para uma Época1985
Μικρό βιβλίο για μεγάλα όνειραPequeno Livro para Grandes Sonhos1987

Uma frase para reter

Βρέχει στη φτωχογειτονιά

Vrechei sti ftochogeitonia

Chove no bairro pobre

Βρέχει στη φτωχογειτονιά, song with music by Mikis Theodorakis (title line)
B2

Ler sobre Tasos Livaditis em grego (B2)

Palavras do texto

  • a Resistência
  • exilo, desterro
  • experiência
  • coletânea
  • esperança
  • interior
  • musico, ponho em música
  • consolo, conforto

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