A vida
Livaditis nasceu em Atenas a 20 de abril de 1922 e cresceu nos bairros populares da cidade, que viriam a encher a sua poesia. Matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Atenas, mas a guerra e a ocupação alemã interromperam tudo. Como muitos jovens da sua geração, juntou-se à Resistência através das organizações juvenis de esquerda, e manteve-se fiel à esquerda durante a maior parte da vida.
Durante a guerra civil foi preso e, de 1948 a 1951, esteve detido nos campos para onde o Estado grego enviava os seus opositores políticos: na ilha de Lemnos, em Makronisos, o tristemente célebre campo de «reeducação», e em Agios Efstratios, a que os gregos chamam Ai Stratis. Ali, entre outros escritores e artistas desterrados, continuou a escrever; em Makronisos começou os poemas de Φυσάει στα σταυροδρόμια του κόσμου. Depois de libertado publicou a sua primeira coletânea em 1952 e trabalhou como jornalista, sobretudo como crítico de poesia do jornal de esquerda Αυγή.
Nas décadas de 1960 e 1970 a sua poesia mudou. As desilusões da esquerda, a ditadura de 1967–1974 e a sua crescente interioridade levaram-no a uma voz mais serena e pessoal, e nos últimos anos viveu em Atenas uma vida modesta, quase retirada. Escreveu até ao fim. Morreu em Atenas a 30 de outubro de 1988; os seus últimos manuscritos foram publicados depois da sua morte.
A obra

A obra de Livaditis divide-se em dois períodos. Os primeiros poemas, de Μάχη στην άκρη της νύχτας (Batalha à Beira da Noite, 1952) e Φυσάει στα σταυροδρόμια του κόσμου (O Vento Sopra nas Encruzilhadas do Mundo, 1953) até Καντάτα (Cantata, 1960), são poemas longos e retóricos de luta, escritos para os camaradas e para os pobres, cheios de esperança num mundo melhor. Falam do exílio, dos mortos da guerra civil, de mães e operários, numa voz apaixonada e aberta, feita para ser lida em voz alta.
As suas letras de canções pertencem ao mesmo mundo. Com Mikis Theodorakis escreveu Δραπετσώνα, a canção de uma família pobre do bairro de barracas do Pireu cuja casa é demolida, e Βρέχει στη φτωχογειτονιά (Chove no Bairro Pobre), cantada no filme Συνοικία το όνειρο (Bairro do Sonho, 1961). Δραπετσώνα, cantada por Grigoris Bithikotsis, tornou-se um clássico dos anos 1960.
A partir de Νυχτερινός επισκέπτης (Visitante Noturno, 1972), e sobretudo em Βιολέτες για μια εποχή (Violetas para uma Época, 1985) e Μικρό βιβλίο για μεγάλα όνειρα (Pequeno Livro para Grandes Sonhos, 1987), escreveu breves poemas em prosa, quase parábolas. Um homem só atravessa a cidade à noite, fala com Deus, com os mortos, com a sua própria infância; objetos comuns, uma cadeira, um candeeiro, um casaco, tornam-se estranhos e ternos. O tom é melancólico, mas cheio de compaixão e de um humor discreto e inesperado. Estes livros, que muitos críticos consideram os seus melhores, fizeram dele um dos poetas gregos mais amados do final do século XX.
O legado na Grécia de hoje
Livaditis é hoje um dos poetas gregos mais partilhados: pequenos excertos dos seus últimos poemas em prosa circulam constantemente nas redes sociais, em cadernos escolares e em cartazes, muitas vezes entre pessoas que nunca leram um livro de poesia inteiro. A sua poesia reunida está sempre à venda. Δραπετσώνα e Βρέχει στη φτωχογειτονιά continuam a ser cantadas, tanto nas gravações originais como por cantores mais novos. Um aprendente pode ouvir Δραπετσώνα e acompanhar a sua história simples e comovente, depois abrir Βιολέτες για μια εποχή e ler um único poema curto por dia: as frases são claras, as imagens concretas, e cada texto tem só algumas linhas.
Sabia que…?
- Esteve detido em campos de três ilhas, Lemnos, Makronisos e Ai Stratis, antes de ter publicado um único livro.
- Os seus primeiros poemas eram lidos em voz alta em comícios políticos; os últimos leem-se a sós, à noite.
- A canção Δραπετσώνα conta a história de uma família cuja barraca é deitada abaixo pelas autoridades.
- Alguns dos seus últimos poemas só foram publicados depois da sua morte, em 1988.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Μάχη στην άκρη της νύχτας | Batalha à Beira da Noite | 1952 |
| Φυσάει στα σταυροδρόμια του κόσμου | O Vento Sopra nas Encruzilhadas do Mundo | 1953 |
| Καντάτα | Cantata | 1960 |
| Νυχτερινός επισκέπτης | Visitante Noturno | 1972 |
| Βιολέτες για μια εποχή | Violetas para uma Época | 1985 |
| Μικρό βιβλίο για μεγάλα όνειρα | Pequeno Livro para Grandes Sonhos | 1987 |
Da obra


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Uma frase para reter
Βρέχει στη φτωχογειτονιά
Vrechei sti ftochogeitonia
Chove no bairro pobre
























