A vida
Cacoyannis nasceu a 11 de junho de 1922 em Limassol, Chipre, então colónia britânica. O pai, Panayotis Cacoyannis, era um advogado proeminente, mais tarde armado cavaleiro pelos britânicos. A família mandou o rapaz para Londres estudar Direito, e ele foi admitido na Ordem, mas a Segunda Guerra Mundial mudou os seus planos: trabalhou para o serviço grego da BBC, depois estudou representação na escola do Old Vic e passou vários anos nos palcos londrinos com o nome de Michael Yannis. Nunca exerceu advocacia.
Em 1953 mudou-se para Atenas, uma cidade que mal conhecia, para fazer cinema. O primeiro filme, Κυριακάτικο ξύπνημα (Despertar de domingo, 1954), foi uma comédia modesta; o segundo, Στέλλα (1955), fez de Melina Mercouri uma estrela e levou-o a Cannes. Durante a década seguinte alternou filmes gregos e internacionais, e Zorba, o Grego (1964), rodado em Creta com Anthony Quinn, tornou-o famoso em todo o mundo. Durante a ditadura militar de 1967–74 viveu no estrangeiro e rodou As Troianas em Espanha; após a invasão turca de Chipre em 1974 realizou o documentário Αττίλας '74.
A partir dos anos 1980 trabalhou sobretudo no teatro e na ópera, encenando tragédia grega em Epidauro e no estrangeiro, e realizou o seu último filme, uma adaptação de O Cerejal de Tchékhov, em 1999. Em 2010 inaugurou a Fundação Michael Cacoyannis, um centro de artes em Atenas. Morreu em Atenas a 25 de julho de 2011, aos oitenta e nove anos.
A obra

Os filmes gregos de Cacoyannis dos anos 1950 são dramas pequenos e incisivos de gente comum. Στέλλα (1955), com música de Manos Hadjidakis, é a história de uma cantora de taberna que se recusa a casar com o homem que a ama e é morta por isso; a interpretação de Melina Mercouri e a canção «Αγάπη που 'γινες δίκοπο μαχαίρι» (Amor, tornaste-te uma faca de dois gumes) fizeram dele um clássico. Το κορίτσι με τα μαύρα (A Rapariga de Negro, 1956), com Ellie Lambeti, passa-se em Hidra, e Το τελευταίο ψέμα (A Última Mentira, 1958) numa família ateniense à beira da ruína. Ηλέκτρα (1962), com Irene Papas, iniciou a sua trilogia de Eurípides no cinema, filmada em paisagens reais e com o coro formado por mulheres da aldeia; seguiram-se Οι Τρωάδες (As Troianas, 1971), com Katharine Hepburn e Vanessa Redgrave, pensado como uma tomada de posição contra a guerra, e Ιφιγένεια (1977), com Papas no papel de Clitemnestra. Tanto Electra como Ifigénia foram nomeados para o Óscar de melhor filme estrangeiro.
Zorba, o Grego (Αλέξης Ζορμπάς, 1964), a partir do romance de Nikos Kazantzakis, é o filme que o ultrapassou. O Zorba de Anthony Quinn ensina um tímido escritor inglês a viver, a velha cortesã francesa de Lila Kedrova morre numa aldeia que espera para lhe saquear a casa, e a banda sonora de Mikis Theodorakis, com o sirtaki que Quinn dança na praia no final, tornou-se o som da Grécia no estrangeiro. Recebeu sete nomeações para os Óscares, incluindo melhor realizador e melhor filme para Cacoyannis, e ganhou três: para Kedrova, para a fotografia de Walter Lassally e para a direção artística. Escrevia os seus próprios argumentos e montava os seus próprios filmes, e o seu estilo é despojado: rostos, pedra, luz e atores a quem se permite o silêncio.
O legado na Grécia de hoje
A dança de Zorba na praia, o sirtaki, não existia antes de 1964; foi montada para o filme, e hoje dança-se em casamentos e ensina-se aos turistas como se fosse antiga. «A Dança de Zorba» de Theodorakis continua a ser a primeira melodia grega que a maioria dos estrangeiros reconhece. A canção de Stella, «Αγάπη που 'γινες δίκοπο μαχαίρι», canta-se em todas as tabernas gregas, e Στέλλα é regularmente apontado entre os melhores filmes gregos de sempre. A Fundação Michael Cacoyannis (Ίδρυμα Μιχάλης Κακογιάννης), na Rua Pireos, em Atenas, é um teatro, cinema e sala de concertos em funcionamento, e guarda o seu arquivo. Os seus filmes de Eurípides são exibidos nas escolas gregas a par do estudo das peças. Quem aprende grego pode ver Στέλλα ou Ιφιγένεια com legendas em grego, ou simplesmente ouvir o tema de Zorba e tentar, como toda a gente, dançá-lo.
Sabia que…?
- Formou-se como advogado em Londres e nunca exerceu; nos palcos londrinos representava com o nome de Michael Yannis.
- O sirtaki foi inventado para Zorba, o Grego, em parte porque Anthony Quinn tinha magoado um pé e não conseguia fazer os passos rápidos das danças tradicionais.
- Filmou três tragédias de Eurípides com Irene Papas, em 1962, 1971 e 1977, em grego, em inglês e de novo em grego.
- Em 1983 encenou na Broadway a reposição do musical Zorba, de novo com Anthony Quinn no papel principal.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Στέλλα | Stella | 1955 |
| Το κορίτσι με τα μαύρα | A Rapariga de Negro | 1956 |
| Ηλέκτρα | Electra | 1962 |
| Αλέξης Ζορμπάς | Zorba, o Grego | 1964 |
| Οι Τρωάδες | As Troianas | 1971 |
| Ιφιγένεια | Ifigénia | 1977 |
Uma frase para reter
Ο άνθρωπος χρειάζεται λίγη τρέλα, αλλιώς δεν τολμάει ποτέ να κόψει το σκοινί και να είναι ελεύθερος.
O anthropos chreiazetai ligi trela, allios den tolmaei pote na kopsei to skoini kai na einai eleftheros.
Um homem precisa de um pouco de loucura, senão nunca se atreve a cortar a corda e a ser livre.














