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Charilaos Trikoupis
Solon Vathis · Public domain · Wikimedia Commons

B2Grécia moderna · Primeiro-ministro, reformador

Charilaos Trikoupis

Χαρίλαος Τρικούπης

1832 – 1896 · Náuplia; Londres; Atenas

Charilaos Trikoupis (Χαρίλαος Τρικούπης, 1832–1896) foi o grande primeiro-ministro modernizador da Grécia do século XIX. Em 1874, o seu artigo de jornal «Τις πταίει;» (De quem é a culpa?) obrigou o rei a aceitar que os governos precisam da confiança do parlamento. Sete vezes primeiro-ministro entre 1875 e 1895, construiu caminhos de ferro, estradas e o canal de Corinto, mas os empréstimos que os pagaram levaram à bancarrota de 1893. A ponte Rio–Antirrio tem o seu nome.

A vida

Trikoupis nasceu em Náuplia, então capital da Grécia, a 11 de julho de 1832. O pai, Spyridon Trikoupis, era político, diplomata e o primeiro grande historiador da Revolução grega; a mãe vinha da família Mavrokordatos. Estudou Direito em Paris e depois entrou na legação grega em Londres, onde o pai era embaixador. Passou muitos anos em Inglaterra, admirou o seu sistema parlamentar e em 1864 participou nas negociações pelas quais a Grã-Bretanha entregou as ilhas Jónicas à Grécia.

De volta a Atenas, entrou no parlamento na década de 1860. O seu momento chegou a 29 de junho de 1874, quando o jornal Οι Καιροί (Kairoi) publicou o seu artigo «Τις πταίει;» (De quem é a culpa?). Nele culpava o próprio rei Jorge I pelo caos político do país, porque estava sempre a nomear governos sem maioria. Trikoupis foi preso por pouco tempo, mas em 1875 o rei aceitou o princípio da «δεδηλωμένη», a confiança declarada do parlamento, e nomeou-o primeiro-ministro.

Chefiou o governo sete vezes, com os mandatos mais longos em 1882–1885 e 1886–1890, e travou um longo duelo com o seu rival Theodoros Deligiannis. Após a bancarrota do Estado em 1893 e uma pesada derrota nas eleições de 1895, em que perdeu até o seu próprio lugar, deixou a Grécia. Morreu em Cannes, no sul de França, em 1896. Nunca casou; a irmã Sofia foi a sua companheira e apoio durante toda a vida.

A obra

Trikoupis queria que a Grécia se tornasse um Estado europeu moderno e acreditava que para isso eram precisas duas coisas: um governo parlamentar honesto e infraestruturas. A primeira conseguiu-a com «Τις πταίει;» e a δεδηλωμένη, que continua hoje a ser um princípio da Constituição grega: um governo tem de ter a confiança da maioria do parlamento.

A segunda foi o seu grande programa de obras públicas. Quando chegou ao poder, a Grécia quase não tinha caminhos de ferro e poucas estradas dignas desse nome. Sob os seus governos construiu-se uma rede de linhas ferroviárias pela Ática, pelo Peloponeso e pela Tessália, abriram-se muitas estradas novas, melhoraram-se portos e em 1882 começaram as obras do canal de Corinto, finalmente inaugurado em 1893. Reorganizou a função pública e o exército e encomendou navios de guerra modernos para a marinha.

Tudo isto foi pago com impostos pesados e grandes empréstimos estrangeiros. Os seus adversários, liderados por Deligiannis, acusavam-no de esmagar o povo com impostos, e quando a crise económica internacional atingiu as exportações gregas, sobretudo a passa de Corinto, o Estado deixou de conseguir pagar as suas dívidas. Em dezembro de 1893 a Grécia declarou bancarrota, e diz-se que Trikoupis a anunciou no parlamento com as palavras «Δυστυχώς επτωχεύσαμεν» (Infelizmente, falimos). Os historiadores duvidam de que tenha usado exatamente estas palavras, mas a frase ficou na língua e voltou a todas as primeiras páginas durante a crise da dívida de 2010.

O legado na Grécia de hoje

Trikoupis é lembrado como o modelo do estadista sério e reformador, e políticos gregos de todos os partidos ainda o invocam. O seu nome está na Γέφυρα Χαρίλαος Τρικούπης, a ponte Rio–Antirrio sobre o golfo de Corinto, inaugurada em 2004, que liga o Peloponeso à Grécia Central ocidental perto de Missolonghi, a cidade da sua família. Ruas chamadas Χαριλάου Τρικούπη atravessam Atenas e quase todas as cidades gregas, e uma estátua sua ergue-se junto ao Antigo Parlamento em Atenas. Nos manuais escolares de história, «Τις πταίει;» e a δεδηλωμένη são temas obrigatórios, e «Δυστυχώς επτωχεύσαμεν» é uma frase que todos os gregos conhecem, usada com humor amargo sempre que o dinheiro acaba.

Sabia que…?

  • O pai, Spyridon Trikoupis, foi também primeiro-ministro e escreveu a primeira grande história da Revolução grega.
  • O artigo que o tornou famoso, «Τις πταίει;», foi publicado em 1874 e valeu-lhe uma breve prisão.
  • O canal de Corinto começou a ser construído sob o seu governo em 1882 e foi inaugurado em 1893, o mesmo ano da bancarrota.
  • Nas eleições de 1895 perdeu não só o poder mas também o seu próprio lugar no parlamento.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
«Τις πταίει;» (άρθρο στην εφημερίδα «Καιροί»)De quem é a culpa? (artigo de jornal)1874
Η αρχή της δεδηλωμένηςO princípio da confiança parlamentar declarada1875
Έναρξη των έργων της Διώρυγας της ΚορίνθουInício das obras do canal de Corinto1882
Το σιδηροδρομικό δίκτυοA rede ferroviária grega1880s
Η πτώχευση του 1893A bancarrota do Estado1893

Uma frase para reter

Δυστυχώς επτωχεύσαμεν.

Dystychos eptocheusamen.

Infelizmente, falimos.

Attributed to him in parliament, December 1893 (the exact wording is disputed)
B2

Ler sobre Charilaos Trikoupis em grego (B2)

Palavras do texto

  • jornal
  • artigo
  • crise
  • maioria
  • primeiro-ministro
  • empréstimo
  • imposto
  • seguro, certo

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