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C2Grécia moderna · Romancista

Kosmas Politis

Κοσμάς Πολίτης

1888 – 1974 · Atenas; Esmirna; Atenas

Kosmas Politis (Κοσμάς Πολίτης, 1888–1974), pseudónimo de Paraskevas (Paris) Taveloudis, foi um bancário que se tornou um dos grandes romancistas modernistas da Grécia. Cresceu em Esmirna e só começou a publicar depois dos quarenta anos, com Λεμονοδάσος (O Limoal, 1930). O seu Eroica (1937), romance da adolescência, foi adaptado ao cinema, e o seu último romance, Στου Χατζηφράγκου (Em Hatzifrangou, 1963), faz reviver um bairro de Esmirna destruído em 1922.

A vida

Kosmas Politis nasceu Paraskevas (Paris) Taveloudis em Atenas, a 16 de março de 1888, mas a família mudou-se em 1890 para Esmirna, o grande porto de língua grega da Ásia Menor, e foi aí que cresceu. A Esmirna anterior a 1922 era uma cidade rica e poliglota de gregos, turcos, arménios, judeus e levantinos, e as suas ruas, cais e jardins encheram a sua imaginação para o resto da vida. Não se tornou escritor de imediato: desde os dezassete anos trabalhou em bancos de Esmirna e, depois da Catástrofe da Ásia Menor de 1922, que pôs fim à Esmirna grega, a carreira bancária levou-o a Paris, Londres, Atenas (1924) e Patras (1934).

Começou tarde a publicar ficção, no início dos quarenta, com o nome de Kosmas Politis, e nos anos 1930 encontrou-se, embora mais velho, entre os escritores da Geração dos Anos Trinta, que acolheram os seus romances como parte da renovação da prosa grega. Perdeu o lugar no banco em 1942 e a partir daí viveu sobretudo de traduções: Shakespeare, Boccaccio, Poe, Joyce, Faulkner, Steinbeck. Em 1944 aderiu ao Partido Comunista, mais tarde foi membro fundador da EDA, de esquerda, e as suas escolhas políticas custaram-lhe caro nos anos que se seguiram à guerra civil; no dia do golpe de 1967 foi preso e interrogado. Durante um longo período publicou pouco; depois, já com mais de setenta anos, regressou com o seu melhor livro, Στου Χατζηφράγκου (1963). Morreu em Atenas em 1974, o ano em que a democracia voltou à Grécia.

A obra

Λεμονοδάσος (O Limoal, 1930), o seu primeiro romance, é uma história de amor e desejo passada nos limoais da costa em frente à ilha de Poros, escrita numa prosa lírica e sensual que surpreendeu leitores habituados aos contos realistas de aldeia. Eroica (1937), cujo título ecoa a sinfonia de Beethoven, conta a história de um grupo de rapazes adolescentes numa cidade à beira-mar, os seus jogos, o primeiro amor e o primeiro encontro com a morte; recebeu um Prémio do Estado em 1938, é muitas vezes considerado o mais belo romance grego da adolescência, e em 1960 Michael Cacoyannis adaptou-o ao cinema, com o título inglês Our Last Spring (A Nossa Última Primavera). Romances posteriores como Εκάτη (Hécate, 1933) e Το Γυρί (Gyri, 1944) prosseguem as suas experiências com o tempo, a memória e o ponto de vista.

A sua obra-prima é Στου Χατζηφράγκου (Em Hatzifrangou, 1963). Hatzifrangou era um bairro operário de Esmirna, e o romance acompanha uma multidão das suas crianças, artesãos, marinheiros, padres, prostitutas e sonhadores nos anos anteriores a 1922, misturando vozes gregas, turcas e levantinas, calão local e memória. Não há um enredo único: o livro é uma crónica, meio cómica e meio trágica, de um mundo que o leitor sabe estar prestes a ser destruído pelo fogo. Politis é um modernista no sentido europeu, próximo em espírito de Proust e de Joyce no tratamento do tempo e da voz interior, mas o seu tema é profundamente grego: a infância, o mar, a perda e a cidade que todas as famílias de refugiados gregos recordavam como um paraíso.

O legado na Grécia de hoje

Politis é um escritor de escritores: menos famoso junto do grande público do que Venezis ou Dido Sotiriou, mas admirado pela crítica como um dos romancistas gregos mais originais do século XX. Στου Χατζηφράγκου é hoje considerado um clássico da literatura da Ásia Menor, e é o livro a ler para quem quer ouvir o grego da velha Esmirna. Eroica é estudado como modelo de romance de formação, e o filme de Cacoyannis, com as suas cenas à beira-mar, ainda se encontra com facilidade. Os seus romances foram reeditados na Grécia, e o seu lugar nos cursos universitários de literatura grega moderna está garantido. Para um aprendente de nível C2, um capítulo de Eroica é um primeiro passo exigente mas compensador.

Sabia que…?

  • Kosmas Politis era um pseudónimo; nasceu Paraskevas (Paris) Taveloudis.
  • Publicou o primeiro romance por volta dos quarenta e dois anos, depois de uma carreira na banca.
  • Michael Cacoyannis adaptou ao cinema o seu romance Eroica em 1960, com o título inglês Our Last Spring.
  • O seu último e maior romance, sobre um bairro de Esmirna, foi publicado quando tinha setenta e cinco anos.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
ΛεμονοδάσοςO Limoal (romance)1930
ΕκάτηHécate (romance)1933
EroicaEroica (romance)1937
Το ΓυρίGyri (romance)1944
Στου ΧατζηφράγκουEm Hatzifrangou (romance)1963

Uma frase para reter

Υπάρχει ζωή. Πληθώρα ζωής.

Yparchei zoi. Plithora zois.

Há vida. Uma abundância de vida.

Fotos Politis, review of Λεμονοδάσος, newspaper Πρωία, 24 February 1931
C2

Ler sobre Kosmas Politis em grego (C2)

Palavras do texto

  • de nome civil, nome verdadeiro
  • adolescência
  • pseudónimo
  • sensual
  • margem, marginalização
  • obra-prima
  • dilacerante
  • aparento-me com

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