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C2Grécia moderna · Gravadora

Vaso Katraki

Βάσω Κατράκη

1914 – 1988 · Etoliko; Atenas

Vaso Katraki (Βάσω Κατράκη, 1914–1988), também escrito Vasso Katraki, foi a grande gravadora grega do século XX. Nascida em Aitoliko (Etoliko), uma vila lagunar do oeste da Grécia, talhou em madeira e, a partir dos anos 1950, em pedra figuras austeras e monumentais: mães, combatentes, presos, o povo da Ocupação e da guerra civil. Ganhou um prémio internacional de litografia na Bienal de Veneza em 1966, foi exilada pela junta um ano depois, e um museu homenageia-a na sua terra natal.

A vida

Katraki nasceu em 1914 em Aitoliko, uma pequena cidade construída numa ilha da laguna perto de Missolonghi, no oeste da Grécia. A paisagem de água, canas e pedra, e a vida dura dos seus pescadores, acompanharam-na para sempre. Em 1936 entrou na Escola de Belas-Artes de Atenas, onde estudou pintura com Konstantinos Parthenis e descobriu a gravura, a arte que viria a ser a sua, com Giannis Kefallinos, que então renovava a gravura grega. Formou-se em 1940.

A guerra e a ocupação alemã formaram-na como artista e como cidadã. Nesses anos ela e o marido, o médico Giorgos Katrakis, aderiram à frente de resistência EAM, e ela fez xilogravuras sobre a fome, o luto e a luta, imagens simples e diretas que podiam ser reproduzidas e partilhadas. Continuou a ser uma mulher de esquerda, e a derrota da esquerda na guerra civil e as perseguições das décadas seguintes estão presentes na sua obra.

Nos anos 1950 e 1960 a sua arte amadureceu e a sua reputação cresceu, na Grécia e no estrangeiro. Em 1966 apresentou duas obras monumentais na 33.ª Bienal de Veneza, entre elas Η πτώση του Καραϊσκάκη (A Queda de Karaiskakis), e recebeu o prémio internacional Tamarind de litografia, um raro reconhecimento internacional para uma gravadora grega. Um ano depois, a 21 de abril de 1967, primeiro dia do golpe militar, foi presa e enviada para a ilha-prisão de Gyaros com outros opositores da ditadura; uma campanha internacional conseguiu a sua libertação em 1968. Após o regresso da democracia em 1974 continuou a trabalhar e a expor em Atenas, homenageada como uma das grandes artistas gregas da sua geração, até à sua morte em 1988.

A obra

O primeiro grande conjunto da obra de Katraki é feito de xilogravuras. A preto e branco, com talhes profundos e fortes contrastes, retratou as pessoas do seu tempo: mulheres de negro, operários, refugiados, os mortos e quem os chora. Nada há de decorativo nestas imagens; como o lamento popular, falam com poucas palavras, e pesadas. As suas figuras são muitas vezes frontais, imóveis, quase como ícones ou estátuas arcaicas, e essa imobilidade dá-lhes força.

Por volta de 1950 desenvolveu a sua técnica mais pessoal: a gravura em pedra. Em vez de madeira, talhava diretamente lajes de arenito e imprimia a partir delas, ou expunha as próprias pedras gravadas. O material, áspero e antigo, adequava-se perfeitamente aos seus temas. Grandes cabeças e corpos emergem da pedra como se sempre lá tivessem estado, e as fendas e o grão da superfície tornam-se parte da imagem. Mães que seguram os filhos, homens de mãos atadas, figuras atrás de grades, multidões de pé, juntas: os seus temas são a dor, a resistência e a dignidade humana, mas também a perseverança e a esperança.

O seu estilo junta várias tradições gregas, o ícone bizantino, a talha popular de pastores e canteiros, a simplicidade da escultura grega arcaica, a um sentido moderno, quase abstrato, da forma. As suas imagens ficaram estreitamente associadas à memória da Resistência e do exílio político na Grécia. Poucos artistas gregos exprimiram a experiência coletiva do século XX com tanta severidade e tanta ternura.

O legado na Grécia de hoje

O melhor lugar para conhecer Katraki é a sua terra natal: o Μουσείο Βάσως Κατράκη (Museu Vaso Katraki, oficialmente um centro de artes gráficas) em Aitoliko, aberto em 2006, guarda as obras que deixou à sua terra: gravuras e pedras gravadas que mostram como as suas imagens eram feitas. As suas obras estão também na Galeria Nacional de Atenas e noutras coleções gregas, e surgem frequentemente em exposições sobre a Resistência e sobre a gravura grega. Muitos gravadores gregos das gerações seguintes consideram-na um modelo. Uma visita a Aitoliko, combinada com a vizinha Missolonghi e a sua laguna, é uma bela forma de ver a paisagem que a formou, e o aprendente pode praticar descrever em grego uma das suas figuras: quem é, o que exprime, o que a pedra lhe acrescenta.

Sabia que…?

  • Gravava diretamente na pedra, uma técnica que fez sua a partir dos anos 1950.
  • Em 1966 ganhou o prémio internacional Tamarind de litografia na Bienal de Veneza.
  • Um ano depois, no primeiro dia do golpe de 1967, a junta militar prendeu-a e enviou-a para a ilha-prisão de Gyaros.
  • A sua terra natal, Aitoliko, está construída numa ilha numa laguna, uma paisagem que marcou a sua arte.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Ξυλογραφίες της Κατοχής και της ΑντίστασηςXilogravuras da Ocupação e da Resistência1940s
Χαρακτική σε πέτρα (ψαμμίτη)Gravuras em arenitofrom c. 1950
Η πτώση του ΚαραϊσκάκηA Queda de Karaiskakis (exposta na Bienal de Veneza)1966
Διεθνές βραβείο λιθογραφίας Tamarind, 33η Μπιενάλε ΒενετίαςPrémio internacional Tamarind de litografia, 33.ª Bienal de Veneza1966
Μουσείο Βάσως Κατράκη, ΑιτωλικόMuseu Vaso Katraki, Aitoliko (inauguração)2006

Uma frase para reter

Η πτώση του Καραϊσκάκη

I ptosi tou Karaiskaki

A queda de Karaiskakis

Title of one of the two monumental works she showed at the 33rd Venice Biennale (1966)
C2

Ler sobre Vaso Katraki em grego (C2)

Palavras do texto

  • laguna
  • labuta, trabalho árduo
  • gravura
  • luto
  • destino
  • dignidade
  • fome
  • ao mesmo tempo (erudito)

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