A vida
Matesis nasceu em 1933 em Divri, aldeia de montanha da Élide, no Peloponeso ocidental, hoje chamada Lampeia. A sua infância coincidiu com a década mais sombria da história grega moderna: a Ocupação (1941–1944) e a guerra civil que se seguiu (1946–1949), anos de fome, represálias e aldeias divididas. Estas experiências, vistas com olhos de criança, tornar-se-iam a matéria-prima das suas melhores obras.
Mudou-se para Atenas, estudou representação numa escola de teatro e também música, obtendo um diploma de violino. Nos anos 1960 começou a escrever teatro: Ο σταθμός (A Estação) venceu um concurso de dramaturgia em 1964, e Η τελετή (A Cerimónia) recebeu o Prémio Nacional de Teatro em 1966. Tornou-se um dos dramaturgos da geração que renovou o teatro grego nos anos 1960 e 1970, ao lado de Loula Anagnostaki, Vasilis Ziogas e Dimitris Kechaidis. As suas peças misturavam realismo, humor negro e absurdo, e olhavam sem complacência para a vida familiar grega, a hipocrisia social e as cicatrizes da história.
Matesis foi também um tradutor prolífico para os palcos gregos, de Aristófanes a Shakespeare, Molière, Tennessee Williams e Pinter, e escreveu séries de televisão. Chegou tarde ao romance, já com mais de cinquenta anos, com Αφροδίτη (Afrodite, 1986), e foi o romance que o tornou conhecido no estrangeiro: Η μητέρα του σκύλου foi traduzido para muitas línguas. Continuou a escrever romances até ao final da década de 2000. Em 2011 sofreu um AVC durante um espetáculo no Theatro Technis e morreu em Atenas a 20 de janeiro de 2013, pouco depois de fazer oitenta anos.
A obra

O seu teatro começou nos anos 1960 com peças como Η τελετή (A Cerimónia) e prosseguiu com obras como Περιποιητής φυτών (O Tratador de Plantas, 1989), que recebeu o prémio Karolos Koun. São muitas vezes grotescas e divertidas à superfície e cruéis por baixo: famílias fechadas, pequenas cidades, pessoas prisioneiras das convenções, e a sensação recorrente de que a vida pública na Grécia era um teatro de mentiras.
Η μητέρα του σκύλου (1990) é a sua obra-prima. A narradora, Rarau, conta a sua própria vida num grego falado e ofegante, cheio de erros, provérbios e equívocos cómicos. Durante a Ocupação, numa pequena cidade, o pai desapareceu e a mãe, para alimentar os filhos, dorme com os soldados ocupantes. Na Libertação, os habitantes rapam a cabeça à mãe e fazem-na desfilar pelas ruas, e ela nunca recupera. Rarau cresce e torna-se atriz, interpretando os seus papéis com um orgulho imenso. O horror da história nunca é descrito diretamente; é filtrado pela voz ingénua, afetuosa e autoiludida de uma mulher que se recusa a ser vítima. O resultado é ao mesmo tempo muito engraçado e devastador.
Os seus romances posteriores, entre eles Ο παλαιός των ημερών (O Ancião dos Dias, 1994) e Πάντα καλά (Tudo Bem, 1998), continuaram a explorar a memória, a família e a província grega com a mesma mistura de ternura e ironia feroz.
O legado na Grécia de hoje
Η μητέρα του σκύλου é um dos romances gregos mais lidos das últimas décadas do século XX. É estudado por quem estuda literatura grega moderna e está disponível em inglês como The Daughter, pelo que um aprendente pode ler os dois lado a lado e ouvir o que a tradução perde da voz de Rarau. Matesis faz também parte da história dos palcos gregos do pós-guerra, e as suas peças continuam a regressar aos teatros. Lido ao lado de Dido Sotiriou e Iakovos Kambanellis, pertence aos escritores que ensinaram os gregos a olhar para trás, para a Ocupação e a guerra civil, sem heroísmos oficiais. Os seus livros estão protegidos por direitos de autor, por isso procure-os em livrarias e bibliotecas gregas.
Sabia que…?
- Publicou o seu romance mais famoso, Η μητέρα του σκύλου, por volta dos cinquenta e sete anos, depois de uma longa carreira como dramaturgo.
- O romance foi publicado em inglês com o título The Daughter.
- A sua narradora Rarau fala um grego deliberadamente estropiado e cómico, o que faz do livro um desafio e um prazer para os tradutores.
- Foi também um tradutor prolífico de peças para os palcos gregos.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Η τελετή | A Cerimónia (peça, Prémio Nacional de Teatro) | 1966 |
| Περιποιητής φυτών | O Tratador de Plantas (peça) | 1989 |
| Η μητέρα του σκύλου | A Filha (romance; literalmente A Mãe do Cão) | 1990 |
| Ο παλαιός των ημερών | O Ancião dos Dias (romance) | 1994 |
| Πάντα καλά | Tudo Bem (romance) | 1998 |
Uma frase para reter
Με ενδιαφέρουν τα έργα μου όσο ζω εδώ.
Me endiaferoun ta erga mou oso zo edo.
As minhas obras interessam-me enquanto eu viver aqui.






















