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C2Grécia moderna · Romancista, dramaturgo

Pavlos Matesis

Παύλος Μάτεσις

1933 – 2013 · Divri (Lampeia), Élide; Atenas

Pavlos Matesis (Παύλος Μάτεσις, 1933–2013), também escrito Matessis, foi dramaturgo, romancista e tradutor, natural de uma aldeia de montanha da Élide, no Peloponeso. Depois de décadas a escrever para o teatro, conquistou um enorme público leitor com o romance Η μητέρα του σκύλου (1990), literalmente A Mãe do Cão, publicado em inglês como The Daughter: a história da Ocupação, da Libertação e do que se seguiu, contada pela voz inesquecível de Rarau, uma rapariga de uma cidade de província cuja mãe foi publicamente humilhada e que, já crescida, se torna atriz.

A vida

Matesis nasceu em 1933 em Divri, aldeia de montanha da Élide, no Peloponeso ocidental, hoje chamada Lampeia. A sua infância coincidiu com a década mais sombria da história grega moderna: a Ocupação (1941–1944) e a guerra civil que se seguiu (1946–1949), anos de fome, represálias e aldeias divididas. Estas experiências, vistas com olhos de criança, tornar-se-iam a matéria-prima das suas melhores obras.

Mudou-se para Atenas, estudou representação numa escola de teatro e também música, obtendo um diploma de violino. Nos anos 1960 começou a escrever teatro: Ο σταθμός (A Estação) venceu um concurso de dramaturgia em 1964, e Η τελετή (A Cerimónia) recebeu o Prémio Nacional de Teatro em 1966. Tornou-se um dos dramaturgos da geração que renovou o teatro grego nos anos 1960 e 1970, ao lado de Loula Anagnostaki, Vasilis Ziogas e Dimitris Kechaidis. As suas peças misturavam realismo, humor negro e absurdo, e olhavam sem complacência para a vida familiar grega, a hipocrisia social e as cicatrizes da história.

Matesis foi também um tradutor prolífico para os palcos gregos, de Aristófanes a Shakespeare, Molière, Tennessee Williams e Pinter, e escreveu séries de televisão. Chegou tarde ao romance, já com mais de cinquenta anos, com Αφροδίτη (Afrodite, 1986), e foi o romance que o tornou conhecido no estrangeiro: Η μητέρα του σκύλου foi traduzido para muitas línguas. Continuou a escrever romances até ao final da década de 2000. Em 2011 sofreu um AVC durante um espetáculo no Theatro Technis e morreu em Atenas a 20 de janeiro de 2013, pouco depois de fazer oitenta anos.

A obra

O seu teatro começou nos anos 1960 com peças como Η τελετή (A Cerimónia) e prosseguiu com obras como Περιποιητής φυτών (O Tratador de Plantas, 1989), que recebeu o prémio Karolos Koun. São muitas vezes grotescas e divertidas à superfície e cruéis por baixo: famílias fechadas, pequenas cidades, pessoas prisioneiras das convenções, e a sensação recorrente de que a vida pública na Grécia era um teatro de mentiras.

Η μητέρα του σκύλου (1990) é a sua obra-prima. A narradora, Rarau, conta a sua própria vida num grego falado e ofegante, cheio de erros, provérbios e equívocos cómicos. Durante a Ocupação, numa pequena cidade, o pai desapareceu e a mãe, para alimentar os filhos, dorme com os soldados ocupantes. Na Libertação, os habitantes rapam a cabeça à mãe e fazem-na desfilar pelas ruas, e ela nunca recupera. Rarau cresce e torna-se atriz, interpretando os seus papéis com um orgulho imenso. O horror da história nunca é descrito diretamente; é filtrado pela voz ingénua, afetuosa e autoiludida de uma mulher que se recusa a ser vítima. O resultado é ao mesmo tempo muito engraçado e devastador.

Os seus romances posteriores, entre eles Ο παλαιός των ημερών (O Ancião dos Dias, 1994) e Πάντα καλά (Tudo Bem, 1998), continuaram a explorar a memória, a família e a província grega com a mesma mistura de ternura e ironia feroz.

O legado na Grécia de hoje

Η μητέρα του σκύλου é um dos romances gregos mais lidos das últimas décadas do século XX. É estudado por quem estuda literatura grega moderna e está disponível em inglês como The Daughter, pelo que um aprendente pode ler os dois lado a lado e ouvir o que a tradução perde da voz de Rarau. Matesis faz também parte da história dos palcos gregos do pós-guerra, e as suas peças continuam a regressar aos teatros. Lido ao lado de Dido Sotiriou e Iakovos Kambanellis, pertence aos escritores que ensinaram os gregos a olhar para trás, para a Ocupação e a guerra civil, sem heroísmos oficiais. Os seus livros estão protegidos por direitos de autor, por isso procure-os em livrarias e bibliotecas gregas.

Sabia que…?

  • Publicou o seu romance mais famoso, Η μητέρα του σκύλου, por volta dos cinquenta e sete anos, depois de uma longa carreira como dramaturgo.
  • O romance foi publicado em inglês com o título The Daughter.
  • A sua narradora Rarau fala um grego deliberadamente estropiado e cómico, o que faz do livro um desafio e um prazer para os tradutores.
  • Foi também um tradutor prolífico de peças para os palcos gregos.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Η τελετήA Cerimónia (peça, Prémio Nacional de Teatro)1966
Περιποιητής φυτώνO Tratador de Plantas (peça)1989
Η μητέρα του σκύλουA Filha (romance; literalmente A Mãe do Cão)1990
Ο παλαιός των ημερώνO Ancião dos Dias (romance)1994
Πάντα καλάTudo Bem (romance)1998

Uma frase para reter

Με ενδιαφέρουν τα έργα μου όσο ζω εδώ.

Me endiaferoun ta erga mou oso zo edo.

As minhas obras interessam-me enquanto eu viver aqui.

Interview with the newspaper Ελευθεροτυπία (2010), quoted in iefimerida.gr, 21 January 2013
C2

Ler sobre Pavlos Matesis em grego (C2)

Palavras do texto

  • marcar, deixar cicatriz
  • fome
  • romance
  • hipocrisia
  • reconhecimento
  • expor à vergonha pública
  • provérbio
  • horror

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