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C2Grécia moderna · Filósofo, jurista, presidente

Constantino Tsatsos

Κωνσταντίνος Τσάτσος

1899 – 1987 · Atenas

Constantino Tsatsos (Κωνσταντίνος Τσάτσος, 1899–1987) foi filósofo do direito, ensaísta e estadista. Professor da Universidade de Atenas e membro da Academia de Atenas, é lembrado na literatura pelo célebre diálogo sobre a poesia com o cunhado Giorgos Seferis (1938–39) e na história como o primeiro presidente da República Helénica eleito ao abrigo da Constituição de 1975.

A vida

Tsatsos nasceu em Atenas a 1 de julho de 1899. Estudou Direito na Universidade de Atenas (1914–1918) e a partir de 1925 fez estudos de pós-graduação em Heidelberg, onde a filosofia do direito das escolas neokantianas moldou o seu pensamento. De regresso à Grécia, doutorou-se em Direito em Atenas em 1929 e em 1933 obteve a cátedra de Filosofia do Direito da Universidade de Atenas; com as suas aulas e os seus livros foi, para uma geração de estudantes, a voz de uma ideia liberal e humanista do direito e do Estado.

Estava estreitamente ligado ao mundo literário. Em 1930 casou com Ioanna Seferiadi, irmã do poeta Giorgos Seferis e também ela escritora, e fazia parte do círculo da chamada Geração de 30, os escritores e artistas que procuravam uma cultura grega moderna. Com Seferis manteve, em 1938–39, uma troca pública de ensaios sobre a poesia que ainda hoje se lê.

Depois da libertação entrou na política: foi ministro em 1945, foi eleito deputado pela primeira vez em 1946 e ocupou pastas ministeriais em vários governos, entre elas a da Educação (1949–1950); foi durante muitos anos um colaborador próximo de Constantino Karamanlis. Após a queda da ditadura em 1974 presidiu à comissão parlamentar que redigiu a nova Constituição de 1975. Em junho de 1975 o Parlamento elegeu-o presidente da República, cargo que ocupou até 1980, quando lhe sucedeu Karamanlis. Fora eleito para a Academia de Atenas em 1961 e foi o seu presidente em 1966. Continuou a escrever até ao fim da vida e morreu em Atenas a 8 de outubro de 1987.

A obra

Como filósofo, Tsatsos estudou a natureza do direito e a sua interpretação, a relação entre direito, moral e Estado e o pensamento social e político dos antigos gregos. Pertencia à tradição humanista: para ele, o direito não era apenas uma técnica de regras, mas a expressão de valores, e a pólis dos gregos continuava a ser o modelo da comunidade de cidadãos livres. O seu estilo era clássico e claro, mais próximo do ensaio do que do tratado, e escreveu um extenso estudo sobre Kostis Palamas, Παλαμάς (Palamas, 1936).

O seu momento literário mais lido é o diálogo sobre a poesia com Seferis. Em 1938, Tsatsos, escrevendo como leitor formado na estética clássica, criticou a poesia moderna pela sua obscuridade e pela rutura com a clareza de sentido e de forma. Seferis respondeu com o seu Διάλογος πάνω στην ποίηση (Diálogo sobre a poesia), defendendo a liberdade e a dificuldade do verso moderno, e Tsatsos replicou por sua vez. A troca tornou-se o debate grego clássico sobre o modernismo, o momento em que os dois lados da Geração de 30 puseram as suas ideias em palavras. Os textos foram mais tarde reunidos como Ένας διάλογος για την ποίηση (Um diálogo sobre a poesia, 1975). Mais tarde, Tsatsos voltou-se para a forma breve e publicou os volumes de Αφορισμοί και διαλογισμοί (Aforismos e meditações, 1965–1969), breves reflexões sobre a vida, a arte, o poder e a morte, na linha dos moralistas franceses.

O legado na Grécia de hoje

Tsatsos é uma daquelas figuras gregas que ligaram a universidade, a literatura e o Estado. O seu papel nos primeiros anos da democracia restaurada depois de 1974 pertence à história moderna que todos os alunos gregos aprendem. Para os leitores, o texto essencial é a troca Seferis–Tsatsos sobre a poesia, regularmente reeditada e estudada como o debate grego clássico sobre a poesia moderna: leia-a ao lado de um poema de Seferis e decida de que lado está. Os seus aforismos são suficientemente curtos para que um aluno avançado leia um por dia, como exercício de prosa grega densa e apurada.

Sabia que…?

  • Era cunhado de Giorgos Seferis: a mulher, Ioanna Tsatsou, era irmã do poeta.
  • Foi eleito para a Academia de Atenas em 1961 e foi o seu presidente em 1966.
  • Foi o primeiro presidente da República eleito ao abrigo da Constituição de 1975.
  • No fim da vida escreveu volumes de aforismos, um género raro em grego.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
ΠαλαμάςPalamas (estudo crítico)1936
Διάλογος για την ποίηση (με τον Γιώργο Σεφέρη)O diálogo sobre a poesia com Giorgos Seferis1938–1939
Αφορισμοί και διαλογισμοίAforismos e meditações (vários volumes)1965–1969
Σύνταγμα του 1975Presidência da comissão que redigiu a Constituição de 19751975
Πρόεδρος της ΔημοκρατίαςPresidente da República Helénica1975–1980

Uma frase para reter

Αφορισμοί και διαλογισμοί

Aforismoi kai dialogismoi

Aforismos e meditações

Title of his volumes of short philosophical reflections (1965–1969)
C2

Ler sobre Constantino Tsatsos em grego (C2)

Palavras do texto

  • o direito
  • herança, legado
  • reflexão, meditação
  • poder, autoridade
  • obscuridade
  • colaborador
  • cargo, alto cargo
  • condenso

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