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Το ιστορικό κτίριο της Παλιάς Φιλοσοφικής Σχολής του ΑΠΘ στη Θεσσαλονίκη, σε σύγχρονη φωτογραφία (2017)· όχι πορτρέτο της. Η Άλκη Κυριακίδου-Νέστορος σπούδασε στη Φιλοσοφική Σχολή του ΑΠΘ και αργότερα δίδαξε εκεί Λαογραφία.
Το ιστορικό κτίριο της Παλιάς Φιλοσοφικής Σχολής του ΑΠΘ στη Θεσσαλονίκη, σε σύγχρονη φωτογραφία (2017)· όχι πορτρέτο της. Η Άλκη Κυριακίδου-Νέστορος σπούδασε στη Φιλοσοφική Σχολή του ΑΠΘ και αργότερα δίδαξε εκεί Λαογραφία. · SophieIos89 · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

C2Grécia moderna · Folclorista · antropóloga

Alki Kyriakidou-Nestoros

Άλκη Κυριακίδου-Νέστορος

1935 – 1988 · Salónica

Alki Kyriakidou-Nestoros (1935–1988) foi uma folclorista de Salónica que ensinou na Universidade Aristóteles e questionou a forma como o folclore grego tinha sido estudado. Formada em Salónica, nos Estados Unidos e em Paris, onde seguiu o seminário de Claude Lévi-Strauss, escreveu uma teoria crítica do folclore grego, um livro de costumes mês a mês, Οι δώδεκα μήνες (Os Doze Meses), e estudos gregos pioneiros de história oral.

A vida

Alki Kyriakidou nasceu em Salónica a 17 de junho de 1935, terceira filha de Eftychia e de Stilpon Kyriakidis, que ensinava folclore na Universidade de Salónica. Terminou o Anatolia College em 1953 e entrou no mesmo ano na Faculdade de Filosofia da Universidade Aristóteles. Uma bolsa Fulbright levou-a à Universidade da Pensilvânia, onde obteve um Bachelor of Arts em 1957, e em 1958 licenciou-se em Salónica em história e arqueologia. O seu duplo apelido junta o nome do pai ao do marido, Stelios Nestoras.

Em 1960 tornou-se assistente da cátedra universitária que incluía o folclore, e em meados da década de 1960 concluiu um doutoramento sobre os tecidos da Macedónia e da Trácia. Em 1966–67 uma bolsa do Estado levou-a a Paris, onde seguiu o seminário de Claude Lévi-Strauss na École Pratique des Hautes Études. De volta a Salónica, assegurou grande parte do ensino da cátedra, mas sob a ditadura militar a sua carreira foi bloqueada: em 1973 o seu lugar não foi renovado e foi enviada para ensinar em escolas secundárias.

Depois da queda da junta, regressou à universidade em setembro de 1974. Foi eleita professora em 1976 e tornou-se professora catedrática de folclore em 1979. Ensinou também antropologia na nova escola de gestão e artes liberais do Anatolia, hoje ACT, e em 1978 tornou-se presidente da sociedade artística Techni de Salónica. Morreu em Salónica em setembro de 1988, aos cinquenta e três anos.

A obra

A sua tese de doutoramento, Τα υφαντά της Μακεδονίας και της Θράκης (Os Tecidos da Macedónia e da Trácia, 1965), estudou a tecelagem doméstica do norte da Grécia. Em Paris conheceu a antropologia estrutural e mais tarde escreveu a introdução à edição grega de O Pensamento Selvagem de Lévi-Strauss (1977). Os seus ensaios, reunidos em Λαογραφικά μελετήματα (Estudos de Folclore, 1975), trouxeram estas novas perguntas para a investigação folclórica grega.

O seu livro mais conhecido, Η θεωρία της ελληνικής λαογραφίας (A Teoria do Folclore Grego, 1978), é uma análise crítica de como a disciplina tinha definido «o povo» e a sua tradição, incluindo as ideias do seu próprio pai. Convidava os leitores a ver a própria investigação folclórica como um produto da história e de preocupações nacionais, e não como um registo neutro.

Οι δώδεκα μήνες (Os Doze Meses, 1982), com doze imagens de página inteira do pintor Chronis Botsoglou, acompanha os costumes do ano: os cantares de porta em porta (κάλαντα), o carnaval, as fogueiras de São João em pleno verão, o costume divinatório do κλήδονας e os trabalhos do campo. Nos anos 1980 voltou-se para a história oral e escolheu como terreno os refugiados gregos do Ponto em Salónica. O seu artigo de 1987 «Ο χρόνος της προφορικής ιστορίας» (O Tempo da História Oral) abre com a frase: «O tempo da história oral é o tempo da memória.»

O legado na Grécia de hoje

Os folcloristas gregos continuam a homenageá-la. O Museu e Arquivo de Folclore da Universidade Aristóteles dedica-lhe uma página entre as pessoas que moldaram a disciplina, e a Universidade de Atenas dedicou a sua conferência anual de folclore de 2013 à forma como ela abordou a cultura tradicional no espaço e no tempo. Οι δώδεκα μήνες continua à venda pela Malliaris-Paideia. Experimente o seu método num costume: escolha uma festa de uma cidade ou aldeia grega que conheça, pergunte Πότε γίνεται…; (Quando acontece…?) e responda com um mês e uma ressalva, por exemplo Σε πολλά μέρη ο κλήδονας γίνεται τον Ιούνιο (Em muitos lugares o klidonas acontece em junho). Depois acrescente uma frase a dizer de onde vem a sua informação: um livro, um site ou uma pessoa a quem perguntou.

Sabia que…?

  • Estudou nos Estados Unidos com uma bolsa Fulbright em 1956–57, antes de terminar a licenciatura grega.
  • Durante a ditadura ensinou no secundário, primeiro em Vasilika e depois em Kalamaria.
  • Em 1974 trabalhou por pouco tempo no Ministério da Educação em manuais escolares de história.
  • Em 1983 fez o discurso principal na primeira cerimónia de graduação da escola de gestão e artes liberais do Anatolia.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Τα υφαντά της Μακεδονίας και της ΘράκηςOs Tecidos da Macedónia e da Trácia (tese de doutoramento)1965
Λαογραφικά μελετήματαEstudos de Folclore (ensaios)1975
Ο Claude Lévi-Strauss, το έργο τουClaude Lévi-Strauss e a sua obra (introdução a O Pensamento Selvagem em grego)1977
Η θεωρία της ελληνικής λαογραφίας. Κριτική ανάλυσηA Teoria do Folclore Grego: uma análise crítica1978
Οι δώδεκα μήνες – Τα λαογραφικάOs Doze Meses: o folclore (ilustrado por Chronis Botsoglou)1982
Ο χρόνος της προφορικής ιστορίαςO Tempo da História Oral (artigo)1987

Uma frase para reter

Ο χρόνος της προφορικής ιστορίας είναι ο χρόνος της μνήμης.

O chrónos tis proforikís istorías eínai o chrónos tis mnímis.

O tempo da história oral é o tempo da memória.

Άλκη Κυριακίδου-Νέστορος, «Ο χρόνος της προφορικής ιστορίας», Mètis 2.1 (1987), σ. 177
C2

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Palavras do texto

  • costume
  • ressalva, reserva
  • local
  • folclorista
  • distingo
  • testemunho
  • refugiado
  • memória

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