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C1Grécia moderna · Escultora

Chryssa (Vardea)

Χρύσα

1933 – 2013 · Atenas; Nova Iorque

Chryssa (Χρύσα, nascida Chryssa Vardea, 1933–2013) foi uma escultora grega que fez carreira em Nova Iorque e se tornou uma das primeiras artistas do mundo a trabalhar com luz de néon. Fascinada pelas letras intermitentes de Times Square, criou obras feitas de letras, sinais e tubos luminosos, sobretudo The Gates to Times Square (As Portas de Times Square, 1964–66), e é hoje vista como precursora tanto da Pop Art como do Minimalismo.

A vida

Chryssa Vardea nasceu em Atenas a 31 de dezembro de 1933 e cresceu durante a Ocupação e a Guerra Civil. Atraída pela pintura na Atenas do início dos anos 1950, deixou a Grécia em 1953 rumo a Paris, onde estudou na Académie de la Grande Chaumière e conheceu artistas da vanguarda europeia. Em 1954 partiu de barco para os Estados Unidos, estudou durante algum tempo na California School of Fine Arts, em São Francisco, e em 1955 fixou-se em Nova Iorque, que viria a ser a sua cidade durante quase quarenta anos. Assinava as suas obras apenas com o nome próprio, Chryssa.

A Nova Iorque do final dos anos 1950 era a capital do Expressionismo Abstrato, mas Chryssa olhava para outro lado: para os jornais, para as letras da publicidade, para os letreiros elétricos de Times Square. No início dos anos 1960 o seu trabalho estava em grandes exposições, entre elas Americans 1963, do Museum of Modern Art, e os museus começaram a adquiri-lo. Trabalhava lenta e obsessivamente em grandes projetos, com longos períodos de reclusão. Em 1992 fechou o seu estúdio no SoHo e regressou a Atenas, onde continuou a trabalhar num estúdio próprio em Neos Kosmos, cada vez mais isolada e com a saúde debilitada. Morreu em Atenas a 23 de dezembro de 2013, poucos dias antes de completar oitenta anos.

A obra

O tema de Chryssa era o sinal: a letra, o logótipo, o fragmento de texto separado do seu significado. Os seus primeiros Livros Cicládicos (1957–1962) são relevos de gesso branco moldados a partir de formas de papel dobrado e capas de livros, tão calmos e despojados como as estatuetas cicládicas do Egeu que lhes deram o nome. Passou depois a pinturas e relevos feitos de letras repetidas e páginas de jornal, e em obras como Times Square Sky (1962) começou a usar as verdadeiras letras metálicas dos letreiros comerciais.

O seu grande passo foi o néon. The Gates to Times Square (1964–66), hoje no Buffalo AKG Art Museum, é um cubo monumental que se atravessa, com cerca de três metros de lado, em aço inoxidável, acrílico e néon pulsante, no qual se entra por aberturas em forma de uma enorme letra A: um arco em que se entra como num templo, feito com os materiais da publicidade da Broadway. É ao mesmo tempo uma celebração da cidade americana e uma meditação sobre a escrita e a luz. Em 1967–68 prosseguiu o tema em obras de néon como Clitemnestra, assim chamada em homenagem à rainha trágica e inspirada na sua amiga Irene Papas nesse papel, em que a luz parece gaguejar e quebrar-se como um grito. Os críticos viram na sua obra uma ponte entre a tradição grega, o alfabeto, o templo, a heroína trágica, e os materiais americanos mais modernos, e colocaram-na entre os inventores da arte da luz, ao lado, e muitas vezes à frente, de contemporâneos masculinos mais conhecidos.

O legado na Grécia de hoje

Durante décadas Chryssa foi mais conhecida no estrangeiro do que na Grécia, e mais conhecida pelos artistas do que pelo público. O interesse cresceu muito desde a sua morte. Grandes museus americanos possuem obras suas e, em 2023–24, uma grande exposição, Chryssa & New York, apresentada na Dia Chelsea, em Nova Iorque, e na Menil Collection, em Houston, voltou a mostrá-la como pioneira do néon e da Pop. Em Atenas, o Museu Nacional de Arte Contemporânea (ΕΜΣΤ) possui os seus Livros Cicládicos, e uma versão de Clitemnestra ergue-se à porta do Megaron, a sala de concertos de Atenas. Uma boa sugestão: procure imagens de The Gates to Times Square e dos Livros Cicládicos lado a lado e pergunte-se o que têm em comum uma antiga estatueta cicládica e um letreiro de néon da Broadway; essa pergunta é o coração da sua arte.

Sabia que…?

  • Assinava as obras apenas com o nome próprio, Chryssa, e é conhecida em todo o lado simplesmente assim.
  • The Gates to Times Square é um cubo em que se entra por aberturas em forma de uma letra A gigante.
  • Os seus Livros Cicládicos em gesso branco devem o nome às antigas estatuetas de mármore das Cíclades.
  • Foi incluída na exposição Americans 1963 do Museum of Modern Art, uma das mostras decisivas da nova arte americana da época.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Κυκλαδικά βιβλίαLivros Cicládicos (relevos em gesso)1957–1962
Ο ουρανός της Times SquareTimes Square Sky (O céu de Times Square)1962
Οι Πύλες της Times SquareAs Portas de Times Square1964–1966
ΚλυταιμνήστραClitemnestra (néon)1967–1968

Uma frase para reter

Οι Πύλες της Times Square

I Pyles tis Times Square

As Portas de Times Square

Greek title of her best-known work, The Gates to Times Square (1964–66)
C1

Ler sobre Chryssa (Vardea) em grego (C1)

Palavras do texto

  • experimentação
  • geração
  • sombra
  • letreiro, inscrição
  • ambicioso
  • construção, estrutura
  • austeridade, simplicidade
  • pioneiro

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