A vida
Theotokis nasceu na cidade de Corfu a 13 de maio de 1872, numa das mais antigas famílias nobres da ilha; o pai era conde da nobreza veneziana e a família possuía a propriedade de Karousades, no norte da ilha. Educado por preceptores, foi aos dezassete anos para Paris estudar ciências naturais e filosofia e, com a mesma idade, casou com Ernestine von Mallowitz, uma baronesa de Graz, com quem viveria entre a Áustria e Corfu. Em 1897, ele e o seu amigo íntimo, o poeta Lorentzos Mavilis, combateram como voluntários na insurreição cretense contra os otomanos.
Homem inquieto e culto, estudou sânscrito na Universidade de Graz, leu Nietzsche e depois, de forma decisiva, Marx, e em 1910 esteve entre os fundadores do Grupo Socialista de Corfu (Σοσιαλιστικός Όμιλος), escandalizando a sua classe. A morte da filha pequena e o seu crescente afastamento do mundo aristocrático que o rodeava ensombraram os seus últimos anos e aprofundaram a sua escrita. Foi um demoticista empenhado, publicou na revista Ο Νουμάς e alinhou com os «vulgaristas» na questão da língua.
Na época da Primeira Guerra Mundial tinha gasto a maior parte da sua fortuna e vendia terras da família para viver. Morreu de cancro em Corfu a 1 de julho de 1923, aos cinquenta e um anos, depois de ter publicado no ano anterior o seu último e mais extenso romance; grande parte da sua obra, incluindo os contos corfiotas, só saiu em livro depois da sua morte.
A obra

Theotokis começou com contos breves e violentos da vida na aldeia, reunidos postumamente como Κορφιάτικες ιστορίες (Histórias de Corfu, 1935). O mais famoso, Πίστομα (De Bruços, 1899), tem apenas três páginas: um bandido regressa das montanhas, descobre que a mulher teve um filho de outro homem, e a história termina com uma única e terrível ordem.
As novelas seguintes voltaram-se para a sociedade e o dinheiro. Η τιμή και το χρήμα (Honra e Dinheiro, 1912) passa-se em Mandouki, um bairro pobre da cidade de Corfu: Rini ama o contrabandista Andreas, que não quer casar com ela sem o dote que a mãe não pode pagar, e quando ele finalmente se oferece para a aceitar sem dote, ela recusa, preferindo o seu próprio trabalho a um marido comprado com dinheiro. Κατάδικος (O Condenado, 1919) conta a história de Tourkogiannos, um trabalhador rural que aceita uma pena de prisão por um assassínio que não cometeu e prega da sua cela um amor à maneira de Cristo. Η ζωή και ο θάνατος του Καραβέλα (A Vida e a Morte de Karavelas, 1920) acompanha um velho avarento destruído pela ganância da aldeia à sua volta.
O seu último romance, Οι σκλάβοι στα δεσμά τους (Escravos nas Suas Cadeias, 1922), é um panorama da cidade de Corfu na viragem do século: a arruinada família aristocrática dos Ofiomachos, o banqueiro em ascensão que compra a filha deles em casamento e o jovem socialista que não a consegue salvar. Escrito num demótico rico, cheio de palavras de Corfu, é o primeiro romance grego que se lê como Balzac, e os «escravos» do título são todos os que nele aparecem, ricos e pobres.
O legado na Grécia de hoje
Theotokis entrou há muito nas salas de aula gregas: Πίστομα, com o seu final chocante, e excertos de Η τιμή και το χρήμα e de Κατάδικος constam das antologias literárias do liceu, e o dilema de Rini, honra ou dinheiro, é um tema clássico de composição. Os seus livros nunca deixaram de ser editados; desde 1993, setenta anos após a sua morte, estão no domínio público e os seus textos gregos encontram-se livremente disponíveis na internet, o que os torna uma escolha prática para um aprendente avançado, sobretudo o breve Η τιμή και το χρήμα. Em Corfu, o nome Theotokis está ligado a ruas e às casas da família na cidade e em Karousades, e as ilhas Jónicas reivindicam-no, com Solomós, Mavilis e Kalvos, como parte da Escola Heptanesa. Os historiadores da literatura atribuem-lhe os primeiros romances propriamente socialistas em grego.
Sabia que…?
- Casou aos dezassete anos com uma baronesa austríaca, Ernestine von Mallowitz, e dividiu a vida entre Corfu e Graz.
- Aprendeu sânscrito e traduziu dessa língua, e traduziu também Da Natureza das Coisas de Lucrécio e várias peças de Shakespeare para grego demótico.
- Conde de nascimento, ajudou a fundar o Grupo Socialista de Corfu em 1910 e morreu quase pobre, depois de vender a propriedade da família.
- O seu conto Πίστομα (1899) tem apenas cerca de três páginas e continua a ser um dos textos mais discutidos nas escolas gregas.
Obras principais
| Título grego | Título | Ano |
|---|---|---|
| Πίστομα | De Bruços (conto) | 1899 |
| Η τιμή και το χρήμα | Honra e Dinheiro | 1912 |
| Κατάδικος | O Condenado | 1919 |
| Η ζωή και ο θάνατος του Καραβέλα | A Vida e a Morte de Karavelas | 1920 |
| Οι σκλάβοι στα δεσμά τους | Escravos nas Suas Cadeias | 1922 |
| Κορφιάτικες ιστορίες | Histórias de Corfu (coletânea póstuma) | 1935 |
Da obra




Imagens do domínio público, Wikimedia Commons.
Uma frase para reter
Πίστομα!
Pistoma!
De bruços!
No texto original
O texto tal como Constantino Theotokis o escreveu, em domínio público, com a nossa própria tradução ao lado.
«Πίστομα»De bruços
A última página do conto. O salteador Koukouliotis voltou para casa graças a uma amnistia e encontrou a mulher com o filho de outro homem; já matou o amante. A única palavra que fecha a história dá-lhe o título.
«Πίστομα» (1899), the closing paragraphs · Texto em domínio público, fonte: el.wikisource.org














