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A2Grécia moderna · Cantora de rebético

Rosa Eskenazi

Ρόζα Εσκενάζυ

c. 1895 – 1980 · Constantinopla; Salónica; Atenas

Rosa Eskenazi (Ρόζα Εσκενάζυ, c. 1895–1980), nascida Sarah Skinazi numa família judia sefardita pobre de Constantinopla, foi a maior voz feminina do primeiro rebético e da canção de café ao estilo de Esmirna. Entre 1929 e o final dos anos 1930 gravou em Atenas centenas de canções, em grego, turco e arménio. Esquecida depois da guerra, foi redescoberta nos anos 1970 e hoje é a heroína do documentário O Meu Doce Canário.

A vida

Sarah Skinazi nasceu em Constantinopla, provavelmente por volta de 1895, embora durante a maior parte da carreira afirmasse ter nascido em 1910. A família era de judeus sefarditas pobres, descendentes de língua espanhola dos judeus expulsos de Espanha, e pouco depois de 1900 mudou-se, passando por Komotini, para Salónica. Aí a rapariga, que quase não frequentara a escola, começou como bailarina nos teatros e cafés da cidade. Por volta de 1913 fugiu com um jovem de família abastada, Giannis Zardinidis, e adotou o nome Rosa; ele morreu poucos anos depois.

Nos anos 1920 cantou nos cabarés de Atenas e, no final da década, o compositor Panagiotis Toundas levou-a para a Columbia Records. Os primeiros discos saíram em 1929 e, em poucos anos, tinha gravado cerca de trezentas canções, muitas vezes com o tocador de oud Agapios Tomboulis e o violinista Dimitris Semsis. No auge tinha um contrato de exclusividade de quarenta canções por ano. Durante a Ocupação alemã, quando quase todos os judeus de Salónica foram deportados e assassinados, geria uma casa noturna em Atenas, ajudou pessoas escondidas e foi presa em 1943 durante três meses.

Depois da guerra, a partir de 1952, fez digressões pelas comunidades gregas dos Estados Unidos e em 1959 voltou a fixar-se em Atenas. Nos anos 1970 uma nova geração descobriu os seus velhos discos; apareceu na televisão e deu o último concerto em Patras em 1977. Morreu em Atenas a 2 de dezembro de 1980.

A obra

Eskenazi cantava a música das cidades gregas da Ásia Menor e de Constantinopla, o chamado σμυρναίικο (estilo de Esmirna), e o primeiro ρεμπέτικο (rebético) do Pireu e de Atenas. O seu conjunto era um conjunto de café: violino, oud, santuri, guitarra e, por cima, a sua voz, aguda, brilhante e cheia de ornamentos, com o longo lamento improvisado chamado αμανές (amanés). Cantava em grego, turco, arménio e ladino, a língua dos judeus sefarditas, e passava facilmente de uma para outra, como faziam as cidades mistas da sua juventude.

O seu repertório era enorme. Gravou canções populares como Μαντήλι καλαματιανό (O lenço de Kalamata) e Κόφτηνε Ελένη την ελιά (Corta a oliveira, Eleni), canções de café como Η Μποέμισσα (A boémia, c. 1930) e Το καναρίνι (O canário), com música do violinista Dimitris Semsis, e também canções «pesadas» sobre haxixe e drogas; uma delas, Πρέζα όταν πιεις (Quando tomas uma pitada), foi censurada durante a ditadura de Metaxas, no final dos anos 1930. O que torna os seus discos únicos é a sua liberdade: canta como alguém que atua a uma mesa a poucos passos de nós, a rir, a provocar e a lamentar-se ao mesmo tempo, e foi uma das pouquíssimas mulheres do seu tempo a tornar-se estrela nesse mundo de homens.

O legado na Grécia de hoje

A melhor maneira de conhecer Eskenazi é ouvir as suas gravações dos anos 1930, fáceis de encontrar e ainda um modelo para qualquer cantor de rebético e de canção de Esmirna; hoje, grupos gregos tocam o seu repertório em tabernas e festivais. O documentário de 2011 O Meu Doce Canário (Καναρίνι μου γλυκό), do realizador israelita Roy Sher, segue três jovens músicos da Grécia, da Turquia e de Israel à sua procura, e estreou no Festival de Documentários de Salónica. As suas memórias, Αυτά που θυμάμαι (O que eu recordo), compiladas por Kostas Chatzidoulis, foram publicadas em 1982. A sua história é também uma janela para o mundo judaico de Salónica antes do Holocausto.

Sabia que…?

  • Durante a maior parte da vida afirmou ter nascido em 1910, cerca de quinze anos depois da verdade.
  • Em meados dos anos 1930 tinha gravado perto de trezentas canções.
  • Cantava em grego, turco, arménio e ladino, a língua dos judeus sefarditas.
  • A sua canção Πρέζα όταν πιεις foi censurada pelo regime de Metaxas.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Πρώτες ηχογραφήσεις για την Columbia: «Μαντήλι καλαματιανό», «Κόφτηνε Ελένη την ελιά»Primeiras gravações para a Columbia: O lenço de Kalamata; Corta a oliveira, Eleni1929
Η ΜποέμισσαA boémiac. 1930
Το καναρίνιO canário (música de Dimitris Semsis)1930s
Πρέζα όταν πιειςQuando tomas uma pitada (censurada no tempo de Metaxas)1930s
Αυτά που θυμάμαιO que eu recordo (memórias, compiladas por Kostas Hatzidoulis)1982

Uma frase para reter

Καναρίνι μου γλυκό

Kanarini mou glyko

O meu doce canário

Title of the 2011 documentary about her by Roy Sher, «Καναρίνι μου γλυκό» (My Sweet Canary)
A2

Ler sobre Rosa Eskenazi em grego (A2)

Palavras do texto

  • família
  • pobre
  • pais
  • danço
  • cantora
  • canção
  • guerra
  • disco

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