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A pólis e a política

Atenas e Esparta: comparação

Atenas e Esparta eram as duas cidades mais poderosas da Grécia antiga. Ambas eram gregas, rezavam aos mesmos deuses e lutaram juntas contra os persas. Mas viviam de formas muito diferentes. Atenas tinha uma democracia e uma grande frota. Esparta tinha dois reis e o melhor exército em terra. Nesta página podes compará-las e encontrar as suas regiões no mapa de hoje.

Duas cidades em duas regiões

A Grécia antiga não era um só país. Era feita de centenas de pequenos Estados. Cada um era uma πόλις (pólis): uma cidade com os seus campos e aldeias à volta, as suas próprias leis e o seu próprio exército. Duas delas tornaram-se as mais fortes de todas: Atenas, em grego Ἀθῆναι, e Esparta, Σπάρτη.

Atenas ficava na Ática, uma terra seca e rochosa no centro da Grécia. Ficava perto do mar, e o seu porto, o Pireu, estava cheio de navios e comerciantes. Esparta ficava na Lacónia, no sul do Peloponeso. Ficava no interior, no vale verde do rio Eurotas, entre montanhas altas.

As duas cidades até tinham um aspeto diferente. Atenas construiu grandes templos de mármore na sua Acrópole. Esparta não era uma grande cidade, mas um grupo de aldeias com edifícios simples. O historiador Tucídides escreveu que, se um dia as duas cidades ficassem vazias, as pessoas pensariam que Atenas tinha sido duas vezes mais poderosa do que realmente era, e Esparta muito mais fraca.

Quem governava? Dois tipos de πολίτευμα

A palavra grega πολίτευμα significa a forma como um Estado é governado. Os gregos ainda a usam: o primeiro artigo da Constituição grega diz que o πολίτευμα da Grécia é uma democracia parlamentar.

Atenas tornou-se uma δημοκρατία, «governo do povo», depois das reformas de Clístenes em 508 a.C. Os cidadãos homens adultos podiam falar e votar na assembleia, a ἐκκλησία, que se reunia cerca de quarenta vezes por ano. Um Conselho de 500 cidadãos, escolhidos por sorteio, preparava o seu trabalho. Mas as mulheres, os escravos e os estrangeiros não votavam.

Esparta tinha dois reis ao mesmo tempo, de duas famílias reais; cada um chamava-se βασιλεύς. Eles comandavam o exército. Um conselho de 28 anciãos, todos com mais de sessenta anos, trabalhava com eles. Cinco ἔφοροι (éforos), eleitos todos os anos, tinham grande poder: todos os meses, eles e os reis juravam respeitar as leis. A assembleia dos espartanos votava aos gritos, e não contando votos. Como poucos homens tinham a maior parte do poder, diz-se muitas vezes que Esparta era uma ὀλιγαρχία, «governo de poucos». Mas já na Antiguidade havia opiniões diferentes: Aristóteles conta que alguns viam em Esparta uma mistura de reis, poucos governantes e povo.

Crescer em Esparta e em Atenas

Em Esparta, era a cidade que decidia como as crianças cresciam. Segundo o escritor Plutarco, um rapaz deixava a família aos sete anos. Vivia em grupo com outros rapazes e começava a ἀγωγή, um treino duro para se tornar soldado. Os rapazes aprendiam a obedecer, a aguentar o frio e a fome, e a lutar. As raparigas espartanas também treinavam: corriam, lutavam e lançavam o dardo, para crescerem fortes.

Em Atenas, cada família escolhia. O filósofo Platão descreve como os rapazes atenienses iam a vários mestres. Um ensinava-os a ler e a escrever, e a decorar poemas de bons poetas. Outro ensinava música e lira. Um treinador ensinava desporto. A maioria das raparigas atenienses ficava em casa, onde aprendia a fiar a lã e a cuidar de uma casa.

Num discurso famoso que Tucídides atribui ao líder ateniense Péricles, Atenas orgulha-se de ser uma cidade aberta a todos, enquanto os espartanos, diz ele, treinam a coragem com exercícios duros desde a infância.

Primeiro aliadas, depois inimigas

Atenas e Esparta eram fortes em lugares diferentes. Tucídides escreveu que Esparta era a maior potência em terra, e Atenas no mar. Atenas tinha um grande στόλος, uma frota de navios de guerra.

Quando os persas atacaram a Grécia, as duas cidades lutaram juntas, e Esparta comandava a aliança grega. Em 480 a.C., o rei Leónidas e os seus espartanos caíram nas Termópilas, e no mesmo ano os navios atenienses ajudaram a vencer a batalha naval de Salamina. Depois da vitória, as cidades gregas dividiram-se em dois grupos: um liderado por Atenas, o outro por Esparta.

Em 431 a.C. começou entre elas uma longa guerra, um πόλεμος: a Guerra do Peloponeso. Tucídides pensava que a verdadeira causa era Atenas estar cada vez mais forte e Esparta ter medo. Em 404 a.C., Atenas rendeu-se. Alguns aliados de Esparta queriam destruir Atenas, mas Esparta recusou. Atenas teve de deitar abaixo as suas Muralhas Longas e entregar todos os navios menos doze. Mais tarde, em 371 a.C., os tebanos venceram os espartanos em Leuctra, e Esparta perdeu o primeiro lugar na Grécia.

Datas importantes

  1. 508 BCAs reformas de Clístenes fazem de Atenas uma democracia.
  2. 480 BCOs espartanos caem nas Termópilas; os navios atenienses ajudam a vencer em Salamina.
  3. 431–404 BCA Guerra do Peloponeso entre Atenas, Esparta e os seus aliados.
  4. 404 BCAtenas rende-se; as suas Muralhas Longas são derrubadas.
  5. 371 BCTebas vence Esparta na batalha de Leuctra.
  6. 2021O censo grego conta cerca de 3,8 milhões de habitantes na Ática e 84 000 na Lacónia.

Oito palavras, antes e agora

Grego antigoGrego atualSignificado
Atenas (hoje a capital)
Esparta (hoje uma cidade pequena)
forma de governo
governo do povo
governo de poucos
rei
supervisor (éforo espartano)
frota de guerra
A2

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