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Lugares e monumentos

A antiga Corinto, a cidade entre dois mares

A antiga Corinto ficava no estreito istmo que liga o Peloponeso ao resto da Grécia. Com um porto em cada um dos dois mares, enriqueceu com o comércio, os navios e a cerâmica. Os romanos destruíram-na em 146 a.C., e os colonos de Júlio César devolveram-lhe a vida. O seu nome continua vivo numa pequena passa escura, a que os gregos ainda chamam κορινθιακή σταφίδα.

Uma cidade entre dois mares

Olha para um mapa da Grécia. O Peloponeso está ligado ao continente por uma estreita faixa de terra, um istmo, em grego ἰσθμός. Corinto, Κόρινθος, ficava junto a essa faixa, por baixo de um rochedo íngreme chamado Acrocorinto, Ἀκροκόρινθος.

A cidade tinha dois portos, um em cada mar. Lequeu, Λέχαιον, servia os navios vindos de Itália, e Cêncreas, Κεγχρεαί, os navios vindos da Ásia (Estrabão 8.6.22). Os marinheiros temiam a longa volta ao Peloponeso, pelo tempestuoso cabo Maleia. Estrabão (8.6.20) cita um ditado sobre ele: «dobra o Maleia e esquece a tua casa». Por isso, os mercadores preferiam parar em Corinto.

Foi assim que a cidade enriqueceu. Homero já lhe chama ἀφνειός, «rica» (Ilíada 2.570), e Tucídides (1.13) diz que sempre teve um mercado. Estrabão (8.6.21) conta também um mito: na fonte de Pirene, no Acrocorinto, o herói Belerofonte apanhou o cavalo alado Pégaso enquanto este bebia.

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O que significa esta palavra?

Tiranos, construtores de navios e oleiros

Por volta de 750 a.C., o poder estava nas mãos de uma só família, os Baquíadas. Por volta de 657 a.C., um homem chamado Cípselo, Κύψελος, derrubou-os e governou sozinho como τύραννος. Na Grécia antiga, a palavra designava um governante que tinha tomado o poder pela força ou à margem da lei; hoje significa sobretudo um governante cruel. Heródoto (5.92) conta que Cípselo, em bebé, foi escondido dos assassinos numa arca, uma κυψέλη, e que dela recebeu o nome. No grego de hoje, κυψέλη significa colmeia. O seu filho Periandro, Περίανδρος, sucedeu-lhe por volta de 627 a.C. e morreu na década de 580 a.C.; as fontes indicam anos diferentes.

Os coríntios fundaram Siracusa, na Sicília, e fixaram-se em Corcira, a atual Corfu, segundo a tradição por volta de 733 a.C. Tucídides (1.13) relata que, segundo se diz, construíram as primeiras trirremes da Grécia, e nomeia um construtor de navios coríntio, um ναυπηγός, chamado Aminocles. Regista também a mais antiga batalha naval que conhecia, entre Corinto e Corcira.

Os oleiros de Corinto inventaram a técnica de figuras negras: silhuetas escuras com pormenores gravados. Os seus pequenos frascos para azeite, os aríbalos, espalharam-se amplamente no século VII a.C. Heródoto (2.167) acrescenta que os coríntios desprezavam os artesãos menos do que os outros gregos.

Do diolkos ao canal

Os navios podiam evitar por completo o Maleia se atravessassem o istmo por terra. Estrabão (8.6.22) chama a essa passagem δίολκος. O arqueólogo Nikolaos Verdelis escavou aqui, a partir de 1956, uma estrada calcetada com pedra e datou-a de cerca de 600 a.C., o tempo de Periandro. O pavimento tem sulcos, que ele interpretou como guias para as rodas.

Tucídides (8.7-8) conta como os espartanos, em 412 a.C., planeavam fazer passar navios por cima do istmo. Hoje, a maioria dos historiadores pensa que os navios de guerra não passavam ali com regularidade e que os carros levavam sobretudo cargas pesadas, talvez madeira ou mármore.

Também se sonhou com um canal, um διῶρυξ, palavra já usada por Heródoto. Pausânias (2.1.5) viu o local onde alguém tinha tentado escavar e tinha desistido. Outras fontes indicam o imperador Nero, em 67 d.C. O canal, hoje διώρυγα em grego, abriu finalmente em 1893. Tem cerca de 6,3 km e cortou partes da antiga estrada. Os gregos continuam a falar de ο Ισθμός της Κορίνθου.

Destruída, reconstruída, escavada

Corinto continuou famosa. Eurípides situou ali a sua Medeia, e Plutarco (Alexandre 14) coloca perto da cidade o encontro de Alexandre com Diógenes. Depois, em 146 a.C., o general romano Lúcio Múmio destruiu-a (Pausânias 7.16; Estrabão 8.6.23). Estrabão relata, a partir do historiador Políbio, que estava presente, que os soldados jogavam jogos de tabuleiro sobre pinturas famosas atiradas para o chão.

Segundo Estrabão, a cidade ficou depois deserta durante muito tempo, até Júlio César enviar colonos, sobretudo libertos; a colónia é datada de 44 a.C. Os colonos escavaram túmulos antigos e venderam os vasos em Roma como νεκροκορίνθια. Nesta Corinto romana, o apóstolo Paulo ficou um ano e seis meses (Atos 18,11). As suas cartas aos cristãos da cidade têm em grego o título «Προς Κορινθίους».

Hoje, as ruínas ficam em Αρχαία Κόρινθος. A Escola Americana de Estudos Clássicos faz escavações aqui desde 1896. Sete colunas monolíticas do templo de Apolo, de meados do século VI a.C., continuam de pé. São dóricas, embora a ordem coríntia, mais tardia, κορινθιακός ρυθμός, tenha o nome da cidade. A Corinto moderna foi construída a poucos quilómetros dali, depois de um sismo em 1858.

Datas importantes

  1. c. 733 BCData tradicional das fixações coríntias em Corcira e Siracusa
  2. c. 657 BCCípselo derruba os Baquíadas e torna-se tirano
  3. c. 600 BCA data proposta pelo escavador para a estrada calcetada do istmo
  4. 146 BCLúcio Múmio destrói Corinto
  5. 44 BCÉ fundada no local a colónia de Júlio César
  6. 67 ADTentativa de Nero de abrir um canal, logo abandonada
  7. 1893Abre o canal de Corinto
  8. 1896Começam as escavações da Escola Americana

Oito palavras, antes e agora

Grego antigoGrego atualSignificado
Corinto, a cidade
de Corinto, coríntio
istmo, faixa de terra
porto (pelo turco liman)
canal, vala escavada
construtor de navios
passa, uva seca
governante único, hoje cruel
B1

Ler em grego (B1)

Quer aprender grego?Procura o Ισθμός ou a διώρυγα num mapa grego, lê κορινθιακή σταφίδα numa embalagem ou o título «Προς Κορινθίους» numa Bíblia grega, e encontras esta cidade antiga nas palavras de hoje.Começar o grego