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Arte, ciência e ideias

As formas dos vasos gregos e para que serviam

Os vasos gregos não eram feitos apenas para serem bonitos. Eram as talhas, os jarros, as taças e os frascos da vida quotidiana, e cada forma tinha uma função. Aqui aprendes a reconhecer uma ânfora, uma hídria, uma cratera, um kylix e um lécito pelas asas e pela abertura. Também ficas a saber que palavras antigas os gregos ainda usam, como κρατήρας, a boca de um vulcão.

Uma forma para cada função

A palavra antiga para um recipiente é ἀγγεῖον. Hoje os gregos dizem αγγείο para um vaso antigo num museu, e a mesma palavra significa também «vaso sanguíneo». Uma jarra de flores moderna é um βάζο, palavra que vem do italiano vaso.

Os oleiros gregos escolhiam entre cerca de 20 formas principais, embora os especialistas as contem de maneiras diferentes. A forma de um vaso dependia da sua função. Repara nestas três coisas:

  • As asas. Duas asas de lado ajudam a levantar um vaso pesado. Uma asa vertical ajuda a deitar o líquido.
  • A abertura. Uma abertura larga serve para misturar ou para beber. Um vaso pequeno de abertura estreita ficava provavelmente fechado, por isso era adequado ao óleo perfumado.
  • O tamanho. Um vaso de armazenamento pode ser muito grande. O frasco de óleo de um atleta é muito pequeno.

Atenção aos nomes. Muitos foram dados às formas por estudiosos dos séculos XVIII e XIX, que associaram aos vasos palavras de livros antigos e inscrições. Por isso, a etiqueta de um museu pode não dizer exatamente o que dizia um grego da Antiguidade. Para ele, uma κύλιξ podia ser qualquer taça de vinho.

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O que significa esta palavra?

Guardar e transportar: a ânfora e a hídria

O ἀμφορεύς (ânfora) é um vaso grande com duas asas. O nome é uma forma mais curta da palavra homérica ἀμφιφορεύς, ligada a φέρω, «levo». Servia para guardar ou transportar azeite, vinho e mel. O soldado e escritor Xenofonte fala até de ânforas cheias de carne de golfinho salgada, encontradas em aldeias durante a sua longa marcha (Anábase 5.4.28).

Algumas ânforas eram prémios. Nos jogos das Panateneias, em Atenas, os vencedores recebiam ânforas de azeite das árvores sagradas de Atena. Uma delas, hoje em Harvard, foi feita em 340–339 a.C. e tem 80 cm de altura. Mostra Atena, e palavras pintadas dizem que vem «dos jogos de Atenas». Segundo o museu, um pugilista vencedor recebia 60 ânforas de azeite.

A ὑδρία (hídria) era um vaso para a água, e o nome vem de ὕδωρ, água. Tem três asas. As duas de lado serviam para a levantar quando estava cheia. A vertical, atrás, servia para deitar a água ou para a levar vazia. As pinturas dos vasos mostram hídrias em fontes públicas. Uma hídria também podia guardar fichas de voto ou as cinzas dos mortos.

No banquete: cratera, jarro e taça

Num banquete para beber, o συμπόσιον, os gregos misturavam o vinho com água antes de o beberem. Faziam-no num grande vaso de abertura larga, o κρατήρ (a cratera). A palavra está ligada ao verbo κεράννυμι, «misturo». Esse velho verbo continua vivo. Deu o moderno κερνάω, «ofereço uma bebida»: um amigo grego que diz «σε κερνάω» quer pagar-te a bebida. Até κρασί, a palavra corrente para o vinho, vem de κρᾶσις, «mistura».

Depois vinha a οἰνοχόη (enócoa), um jarro. Tirava o vinho da cratera e deitava-o nas taças. O seu nome contém a palavra οἶνος, vinho. O poeta Hesíodo deixa um aviso estranho: nunca ponhas o jarro em cima da cratera enquanto as pessoas estão a beber, porque traz consigo um destino mortal (Os Trabalhos e os Dias 744).

Por fim, o vinho chegava à κύλιξ (kylix), uma taça larga e pouco funda, com duas asas e um pé fino. Era usada desde o início do século VI a.C., e aparece muitas vezes ligada a cenas de banquete. Outra taça de duas asas era o σκύφος (skyphos).

Óleo e beleza: lécito, aríbalo e píxide

A λήκυθος (lécito) é um frasco estreito com uma asa. Continha óleo, usado nas lamparinas, na cozinha e como perfume. A palavra é muito antiga. Na Odisseia de Homero (6.79), uma mãe dá à filha, a princesa Nausícaa, óleo numa λήκυθος de ouro para levar para o rio, para que possa untar-se depois de se lavar.

O lécito tinha também uma função triste. Um museu de Princeton explica que estes vasos continham óleo perfumado para os funerais. Quem estava de luto colocava-os no túmulo, e mais tarde os visitantes traziam outros. Com o óleo honravam o morto e o monumento do túmulo.

O ἀρύβαλλος (aríbalo) era um frasco muito pequeno de óleo perfumado. Os atletas untavam-se com ele antes e depois do exercício. A πυξίς (píxide) era uma caixa redonda com tampa, para os cosméticos. A princípio, a palavra significava uma caixa de buxo. Hoje, πυξίδα tem uma nova função em grego: é a bússola, um sentido decalcado do italiano bussola.

Datas importantes

  1. 6th c. BCO kylix, a taça larga de vinho, é usado desde o início deste século.
  2. c. 430–420 BCSão feitos para rituais fúnebres uns lécitos que hoje estão em Princeton.
  3. 340–339 BCÉ feita uma ânfora de prémio para as Panateneias, que hoje está em Harvard.
  4. 2nd c. BCO historiador Políbio, citado por Estrabão, chama κρατῆρες às bocas de um vulcão.

Oito palavras, antes e agora

Grego antigoGrego atualSignificado
recipiente; hoje também vaso sanguíneo
vaso de duas asas
vaso de água com três asas
vaso de misturar; hoje cratera vulcânica
jarro de vinho
taça baixa de duas asas
frasco estreito de óleo
caixa com tampa; hoje bússola
A2

Ler em grego (A2)

Quer aprender grego?Os arqueólogos gregos ainda chamam a estes vasos αμφορέας, υδρία e λήκυθος. Se souberes as palavras, podes segui-los numa visita ao museu, compreender um amigo que diz «σε κερνάω» e perguntar o caminho para o κρατήρας de Nisyros.Começar o grego